O Brasil e a polêmica iraniana
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O Brasil e a polêmica iraniana

Ricardo Galhardo

23 de dezembro de 2009 | 22h30

Ahmadinejad e Lula: aproximação (Foto:Dida Sampaio/AE)

Ahmadinejad e Lula: aproximação (Foto:Dida Sampaio/AE)

As relações com o Irã foram ao longo deste ano um dos pontos mais controversos da política externa brasileira. Os EUA não conseguem entender por que Lula declarou que as eleições de junho foram “limpas” quando até os aiatolás estavam divididos sobre o tema. Para diversos países, também é difícil compreender por que o governo brasileiro recebeu Ahmadinejad em novembro, dando seu respaldo ao programa nuclear de Teerã num momento em que o Irã se recusava a atender às exigências da comunidade internacional sobre o tema.

Segundo os críticos, as relações com o Irã mostram a falta de consistência da política externa brasileira – que condena o golpe em Honduras, mas apoia um regime acusado de fraudar as eleições e reprimir a oposição interna. Só nos protestos que se seguiram à votação de junho, 26 pessoas morreram e centenas foram presas.

O Itamaraty parece ver nessa aproximação uma forma de ressaltar sua autonomia em relação aos “centros de poder globais”, uma tradição antiga da diplomacia brasileira. Há também o projeto político de Lula de ampliar o perfil do Brasil no cenário internacional, sendo visto como um líder que pode dialogar com todos – independentemente de matizes ideológicas.

Mas, mesmo no Brasil, as “vantagens” concretas da parceria são alvo de grande ceticismo. Afinal, ela abriria possibilidades de comércio?

Segundo analistas, é difícil imaginar que o US$ 1 bilhão do comércio com o Irã seja significativo para o Brasil – quando até este mês o fluxo total de comércio do país totalizou US$ 253 bilhões.

E as possibilidades de ampliar negócios?

Pouco antes da visita de Ahmadinejad, a Petrobrás estudava a possibilidade de encerrar suas atividades no Irã por questões técnicas – os poços encontrados no país não têm viabilidade comercial. Em dezembro, o discurso mudou e o chanceler Celso Amorim disse em Genebra que a estatal estaria “animada” para investir no país. Uma decisão como essa tornaria a empresa alvo de pressões, principalmente dos EUA.

Em 2007, por exemplo, o governador da Flórida, Charlie Crist, cancelou reunião com a estatal, durante visita ao Brasil, alegando que “não faz negócios com companhias que patrocinam o terror”.

A dúvida é, portanto, se essas “novas oportunidades de negócio” de fato são significativas a ponto de valer o risco de o país prejudicar sua imagem internacional ou se são politicamente impostas.

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