O desconhecido Guantánamo cingalês
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O desconhecido Guantánamo cingalês

Marcelo de Moraes

02 de fevereiro de 2010 | 20h10

Tropas do Sri Lanka marcham na cidade de Kandy

Tropas do Sri Lanka marcham na cidade de Kandy

A ONG de direitos humanos Human Rights Watch chamou ontem o presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, a acabar com o impasse sobre a situação de 11 mil membros da etnia tâmil presos na ilha desde abril, sem qualquer acusação formal. O limbo jurídico dos tâmeis é o mesmo que predominou na base militar americana de Guantánamo, onde ainda são mantidos combatentes islâmicos vinculados ao que Washington chamou até janeiro de ‘guerra ao terror’.

Os prisioneiros tâmeis foram capturados há quase dez meses, suspeitos de fazer parte de uma das mais antigas e sanguinárias guerrilhas asiáticas, os Tigres de Libertação do Eelam-Tâmil (LTTE, na silga em inglês), apontada como a precursora no uso de homens-bomba. Mas, até agora, o governo não foi capaz de dizer quais destes 11 mil detidos eram efetivamente guerrilheiros e quais deles simplesmente pertenciam a enita tâmil, que compõe 18% da população do Sri Lanka e sofre, desde o século 19, com a perseguição política, cultural e religiosa dos cingaleses, membros da etnia majoritária, que controla o governo.

“Mais de 11 mil pessoas estão nesse limbo jurídico há meses”, criticou o diretor para Ásia da Human Rights Watch, Brad Adams. “É hora de identificar quem apresenta uma ameaça genuína à segurança e libertar o restante”, disse. Os prisioneiros tem sido mantidos incomunicáveis com seus familiares e advogados.

Nenhum dos dois concorrentes à presidência nas eleições de terça-feira – o atual presidente Mahinda Rajapaksa e o ex-chefe das Forças Armadas Sarath Fonseka – discutiu direitos humanos durante a campanha. A dupla comandou um verdadeiro massacre contra os guerrilheiros tâmeis no ano passado. Desde 1976, mais de 70 mil pessoas perderam a vida nessa guerra civil.

A vitória de Rajapaksa – com 17% sobre Fonseka – pode significar não somente a cotinuidade da perseguição aos tâmeis, mas também o fim da oposição política. Ontem, Fonseka acusou o presidente de perseguir seus aliados e questionou o resultado das eleições. Depois de anunciado o resultado oficial da votação, Rajapaksa mandou o Exército cercar o hotel onde Fonseka estava hospedado, na capital, Colombo, numa tentativa de intimidar os opositores.

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