O dia em que Hawking puxou orelha de May pelo Brexit
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O dia em que Hawking puxou orelha de May pelo Brexit

Em novembro de 2016, pouco mais de 4 meses depois da votação do Brexit, o físico britânico ficou frente a frente com a premiê Theresa May e aproveitou oportunidade para brincar com a política; relembre este o outros temas comentados por Hawking

Redação Internacional

14 Março 2018 | 14h43

LONDRES – Terça-feira, 1º de novembro de 2016. Pouco mais de quatro meses depois da votação do Brexit, do qual Stephen Hawking era ferrenho opositor, o físico teórico e cosmólogo britânico que morreu nesta quarta-feira, 14, aos 76 anos, ficou frente a frente com a primeira-ministra britânica, Theresa May, durante a premiação Pride of Britain.

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Na ocasião, ele foi laureado com o prêmio Lifetime Achievement, cujo discurso de entrega foi proferido pela própria May, que o descreveu como “um homem que simplesmente mudou a maneira como olhamos para o mundo”.

Stephen Hawking deu sua opinião em temas como Brexit, a eleição de Trump, a eutanásia e a guerra do Iraque (AP Photo/Matt Dunham)

Stephen Hawking deu sua opinião em temas como Brexit, a eleição de Trump, a eutanásia e a guerra do Iraque (AP Photo/Matt Dunham)

Conhecido por seu magnífico trabalho científico, mas também por tem um grande senso de humor (e por suas participações em programas de TV, como Os Simpsons e The Big Bang Theory), Hawking aproveitou a oportunidade para brincar com a política conservadora – ele era defensor do Partido Trabalhista.

“Obrigado primeira-ministra por estas palavras muito gentis”, disse Hawking. “Eu lido com questões matemáticas complicadas todos os dias, mas por favor não me peça para ajudar com o Brexit”, completou, arrancando risadas da plateia, do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, e da própria premiê britânica.

O físico teórico e cosmólogo britânico, que, também era um estudioso de política, frequentemente comentava sobre esses assuntos e tinha pontos de vista controvertidos em alguns casos.

Relembre outros temas tratados por Hawking:

– EUA e Trump
Antes mesmo de Trump ser eleito, Hawking já se mostrava contrário à chegada do magnata à Casa Branca e afirmou que o magnata era um “demagogo que apelava para o mais baixo senso comum”.

“Eu gostaria de visitar de novo (os EUA) e falar com outros cientistas, mas temo que agora eu não sejam bem-vindo (entrevista à emissora ITV, março de 2017)

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– Eutanásia:
Sobre a morte assistida, o estudioso afirmou em 2006 que as vítimas deveriam “ter o direito de pôr fim às suas vidas, se desejarem”. “Mas acredito que seriam um grande erro. Por pior que a vida parece, sempre há algo que podemos fazer e ter êxito. Sempre que houver vida, haverá esperança” (versão digital do People’s Daily, em junho de 2006).

Em 2014, ele voltou ao assunto ao apoiar um projeto de lei do deputado trabalhista Charles Leslie Falconer que, se aprovada, permitiria aos médicos prescrever uma dose letal para pacientes com menos de seis meses de vida.

– Guerra do Iraque
De acordo com a BBC, em 2004 Hawking participou de um protesto na Trafalgar Square, em Londres, no qual leu o nome das pessoas mortas no conflito. “Esta guerra tem como base duas mentiras”, disse o físico ao público durante a vigília.

Ele também chamou a tragédia das famílias iraquiana de “um crime de guerra” e completou: “Me desculpem pela minha pronúncia. Meu sintetizador de voz não foi projetado para nomes iraquianos”.

– Armas nucleares
Em 2007, Hawking se juntou a outros cientistas, líderes religiosos, atores e escritores em uma campanha que pedia ao então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o cancelamento do Trident – programa de dissuasão de armas nucleares da Grã-Bretanha.

“A guerra nuclear continua sendo o maior perigo para a sobrevivência da raça humana”, opinou Hawking.

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– Partido Trabalhista britânico
O cientista era um defensor de longa data do Partido Trabalhista, apesar de não concordar com as decisões políticas de seu líder, Jeremy Corbyn, que considerava serem “desastrosas”.

“Vou votar pelos Trabalhistas porque outros cinco anos de Conservadores no governo seria algo desastroso para a NHS (o Serviço Nacional de Saúde britânico), para a polícia e para outros serviços públicos”, afirmou Hawking em junho de 2017. / COM EFE

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