O Irã não terá bomba tão cedo
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O Irã não terá bomba tão cedo

Redação Internacional

12 de fevereiro de 2010 | 07h03

Dificuldades técnicas travam programa nuclear iraniano, informa Roberto Godoy

 

Ahmadinejad inspeciona usina de Natanz

Ahmadinejad inspeciona usina de Natanz

O programa nuclear do Irã tem graves problemas de eficiência, informa o jornalista Roberto Godoy. O reendimento é baixo em boa parte do lote, estimado em 3.900 centrífugas e ultracentrífugas. As máquinas, que enriquecem o gás de urânio, são etapa fundamental de qualquer projeto atômico.
A tecnologia é antiga e o material empregado na construção é o frágil alumínio, recoberto por uma capa de aço. No ritmo permitido pelo equipamento serão necessários de 3 a 5 anos de processamento para que o país disponha de 30 quilos de material enriquecido a 95%, patamar exigido na fabricação de bombas. Isso, se tudo correr bem.  O Irã precisa ainda desenvolver a engenharia dos artefatos que pretende ter. Também terá de dominar sofisticado conhecimento de sistemas digitais e de miniaturização eletrônica.
O conhecimento mais especializado do pacote, o do detonador e da sequência da detonação, é a principal dificuldade a ser superada. Dispor de urânio enriquecido a 80%, como anunciou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, “serve apenas para preparar o salto estratégico até 95%”, explica um especialista brasileiro.
Outro obstáculo é a integração entre a ogiva de ataque e o veículo lançador – o míssil.

Essa classe de vetores vem sendo desenvolvida com dedicação por Teerã em módulos distribuídos por várias centros produtores de equipamentos militares dispersos por 240 pontos do país, segundo o governo americano. Os Shahab-2/3 podem atingir Israel e, seletivamente, alvos em todo o Oriente Médio.
São produzidos em série regular. A central de guiagem é uma combinação de plataforma inercial e GPS.

O governo investe US$ 1,3 bilhão ao ano na pesquisa de mísseis. Há dois outros modelos, ainda experimentais, com alcance de 3.500 quilômetros. São mantidos na fase de ensaio. Nenhum deles, porém, está configurado para receber uma carga nuclear.
O emprego do Shahab em uma ação estratégica exige uma central integrada – certos procedimentos da etapa de separação e direcionamento devem ser feitos automaticamente. Segundo especialistas ocidentais, o domínio dessa tecnologia pelo Irã será consistente apenas a partir de 2013 ou 2015.

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