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O novo gabinete argentino

Os ministros nomeados pelo presidente eleito Mauricio Macri

Redação Internacional

26 de novembro de 2015 | 07h00

MARCOS PEÑA
Chefe de gabinete
Um dos fundadores do partido Proposta Republicana (PRO) em 2005, foi chefe de campanha de Mauricio Macri e é seu homem de confiança. Tem boa relação com com diferentes partidos e foi reconhecido como político talentoso até por alguns kirchneristas. Cientista político, tem 38 anos.

 

ALFONSO PRAT-GAY
Fazenda e Finanças
Trabalhou sete anos no banco J. P. Morgan e foi presidente do Banco Central por dois anos, nos governos de Eduardo Duhalde e Néstor Kirchner. De origem liberal, foi deputado em uma coalizão de centro-esquerda entre 2009 e 2013. Será o principal negociador com os fundos abutres, credores que não aceitaram a renegociação da dívida argentina. É criticado por ter assessorado a princesa princesa Máxima Zorreguieta, argentina que entrou para a realeza da Holanda, a cuidar de sua fortuna. O economista de 50 años foi jogador de rúgbi até descobrir que tem apenas um rim.

 

ROGELIO FRIGERIO
Interior
Economista, esteve cotado para a pasta da Fazenda, mas terminou na do Interior. Terá o desafio de promover avanços nas economias regionais e conseguir apoios dos chefes das províncias para garantir a governabilidade de Macri. Foi eleito vereador pelo PRO em Buenos Aires em 2011, mas começou carreira política no peronismo, durante o governo de Carlos Menem, como funcionário do ministério da Economia. Dirige o Banco Ciudad. Tem 45 anos.

 

SUSANA MALCORRA
Chanceler
Uma das surpresas do gabinete. Era a chefe de gabinete do secretario-general da ONU, Ban Ki-moon. Engenheira elétrica, começou carreira na IBM e chegou a presidente da Telecom Argentina, onde trabalhou até 2002 e ganhou fama de durona ao demitir centenas na crise de 2001. A instabilidade argentina fez ela mesma saire do país e começar carreira na ONU, no programa mundial de alimentos, quando trabalhou em mais de 80 países. Seu conhecimento de líderes mundiais é visto com um trunfo para tirar a Argentina do isolamento. Tem 61 anos.

 

FRANCISCO CABRERA
Produção
Presidente da Fundação Pensar, o centro de políticas públicas do PRO, foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Mauricio Macri na prefeitura de Buenos Aires. Antes de começar no serviço público, foi diretor executivo do jornal La Nación e trabalhou em outros veículos do interior do país. Empresário e engenheiro, passou também também pela Hewlett Packard, pelo Grupo Roberts/HSBC e foi fundador e presidente de um plano de previdência privada. Tem 60 anos.

 

GUILLERMO DIETRICH
Transporte
Começou a trabalhar na empresa da família, uma das principais concessionárias de automóveis do país. Em 2009, passou ao governo municipal de Buenos Aires, onde atuou como subsecretário de Transportes. Terá o desafio de manter os subsídios que fazem uma passagem de ônibus ou trem custar o equivalente a R$ 2 e ampliar a integração com a região metropolitana. É o idealizador de corredores expressos de ônibus e das ciclovias que popularizaram Mauricio Macri na capital. Tem 46 años.

 

JULIO MARTÍNEZ
Defesa
Foi presidente da comissão de defesa da Câmara dos Deputados. Entra na cota dos membros da União Cívica Radical (UCR), maior partido entre os que formam a coalizão Cambiemos, que levou Mauricio Macri à presidência. Perdeu a eleição para o governo da província de La Rioja. Tem 53 anos.

 

PATRICIA BULLRICH
Segurança
Uma das nomeações mais questionadas, na área que mais preocupa os argentinos. Mauricio Macri exalta sua fidelidade e capacidade de trabalhar “20 horas” por dia. Foi secretária de política criminal e assuntos penitenciários e ministra da Previdência. Ainda trabalhou como ministra do Trabalho do governo de Fernando de la Rúa, quando ficou conhecida por cortar 13% em salários de funcionários públicos e aposentados em uma operação para zerar o déficit. O governo terminaria em dezembro de 2001 com De la Rúa fugindo em helicóptero da Casa Rosada. Tem 59 años.

 

GERMÁN GARAVANO
Justiça
Foi um plano B de Macri, que já havia anunciado o líder da UCR Ernesto Sanz para a função – ele recusou alegando razões pessoais, o que alimentou questionamentos sobre uma fissura na coalizão Cambiemos. Garavano foi procurador-geral de Buenos Aires é sócio de um escritórios de advocacia. Terá de sustentar o compromisso de Mauricio Macri de estimular a política de julgamento de crimes cometidos na última ditadura (1976-1983). Tem 46 anos.

 

PABLO AVELLUTO
Cultura
Foi o coordenador do sistema de meios públicos de Buenos Aires e parlamentar eleito do Mercosul. Sua trajetória mais destacada é no setor editorial, com livros para público geral ou educativos. Entre 2005 e 2012 foi diretor editorial para a região sul da Random House Mondadori Argentina. Foi também gerente da editora Planeta e responsável pela unidade de negócios de publicações empresa Torneos e Competencias (2000-2002), do Grupo Clarín. Tem 49 anos.

 

ESTEBAN BULLRICH
Educação
É sobrinho de Patricia Bullrich, titular da Segurança. Em 2007, tornou-se secretário de Desenvolvimento Social de Buenos Aires. En 2010, passou para a pasta da Educação na capital argentina. Conseguiu manter uma média alta de dias letivos completados em um setor de sindicatos são fortess. Isso pesou em sua escolha. Seus críticos lembram o número 0800 que criou para denúncias de atividades políticas em escolas, o que foi declarado inconstitucional. Tem 46 anos.

 

JORGE LEMUS
Saúde
Um dos médicos sanitaristas mais conhecidos e premiados do país, foi secretário da Saúde de Buenos Aires. Renunciou em 2012 após tentar pôr em prática um plano de aborto para mulheres vítimas de estupro. A iniciativa colocou-o diante de críticos de vários setores, incluindo o cardeal Jorge Bergoglio, o papa Francisco. Foi o médico que socorreu Mauricio Macri quando o presidente, ao imitar seu ídolo Fred Mercury, engasgou-se com um bigode postiço seu casamento com Juliana Awada, em 2010. Tem 67 anos.

 

CAROLINA STANLEY
Desenvolvimento Social
Começou a militar no PRO EM 2003 e no ano seguinte passou comandar a Fundação Grupo Sophia, de Horacio Rodríguez Larreta, que substituirá Mauricio Macri na prefeitura da capital. Em 2011, tornou-se secretária de Desenvolvimento Social do município. Foi alvo de denúncias em razão das inundações em Buenos Aires em 2013. Advogada, tem 40 anos.

 

JUAN JOSÉ ARANGUREN
Energia e Mineração
Ex-presidente da Shell, companhia na qual entrou em 1977. Foi um dos principais inimigos do kirchnerismo, que o definia como um defensor dos interesses de multinacionais. Enfrentou Néstor Kirchner ao reajustar combustíveis, razão pela qual o ex-presidente, morto em 2010, convocou um boicote contra a empresa. Tem 61 anos

 

OSCAR AGUAD
Telecomunicações
Integrante da UCR, foi um dos primeiros a defender a união com o PRO de Mauricio Macri. Candidato derrotado ao governo da Província de Córdoba, será o será responsável pelos setor de tecnologia ligado a comunicações, internet, satélites e telefonia. Um desafio será melhorar a telefonia celular, cuja qualidade faz muitos argentinos manterem linhas fixas por precaução. Tem 65 años.

 

SERGIO BERGMAN
Meio Ambiente
Activista social e deputado nacional, é rabino na sinagoga da Congregação Israelita Argentina. Disputou a prefeitura de Buenos Aires em 2011 como candidato independente, mas renunciou para aderir ao grupo do presidente. É um dos maiores opositores do pacto assinado por Cristina Kirchner com o Irã, para ouvir em Teerã os acusados iranianos do atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia) em 1994, que matou 85. Tem 53 anos.

 

HERNÁN LOMBARDI
Meios Públicos
Foi empresário de turismo e administrou empreendimentos de luxo. Esteve encarregado da secretaria de Turismo no governo de Fernando De La Rúa. Em 2008, ocupou a secretaria de Cultura de Buenos Aires. Terá a tarefa de cumprir a promessa de Mauricio Macri de remover a propaganda política kichnerista da programação de canais oficiais como a TV Pública. Tem 55 anos.

 

FERNANDO DE ANDREIS
Secretario-geral da Presidência
Entrou para a política em 2003, coordenou os assessores do chefe de gabinete Marcos Peña e já como parlamentar liderou o bloco do PRO na capital. Sua última função foi controlar a secretaria de Turismo de Buenos Aires. Tem 39 anos.

 

RICARDO BURYAILE
Agricultura
Dirige a Confederações Rurais Argentinas, uma das associações que representa agropecuaristas. Mantém boa relação com as demais, que enfrentaram o kirchnerismo em 2008 quando o governo tentou aumentar a taxa sobre exportações. A “crise do campo” levou Cristina a sua maior queda de popularidade. É um dos indicados para o gabinete por pertencer à UCR, partido da coalizão Cambiemos. Tem 53 anos.

 

LINO BARAÑAO
Ciência e Tecnologia
A maior supresa do gabinete, por ter exercido a função com Cristina Kirchner, a quem pediu autorização para continuar. Na campanha, Mauricio Macri sempre citou essa área quando obrigado a elogiar algo de Cristina. As bolsas oferecidas a pesquisadores pelo Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet) repatriaram centenas após a crise de 2001. A nomeação foi também resposta a cientistas kirchneristas, alguns dos quais lavaram pratos em público na campanha para ilustrar o que fariam se Macri ganhasse. O pesquisador tem 61 anos.

 

ANDRÉS IBARRA
Modernização
Assume um dos ministérios novos, inspirado na pasta que o presidente criou na em Buenos Aires para novas teconologias em espaços públicos. É o amigo que Mauricio Macri leva aos cargos que alcança. Esteve com ele no Grupo Macri, uma das maiores empresas do país, fundada pelo pai de Macri, Franco. Passou pela gestão do Boca Juniors (1995-2007), pela prefeitura de Buenos Aires e agora chega ao governo nacional. Tem 60 anos.

 

GUSTAVO SANTOS
Turismo
Trabalhou em cargos ligados ao turismo na Província de Córdoba, onde Mauricio Macri teve no segundo turno sua vitória mais expressiva – 72% dos votos ante 28% do candidato kirchnerista, Daniel Scioli.

 

JOSÉ CANO
Encarregado do Plano Belgrano
Candidato derrotado na eleição regional de Tucumán em agosto, quando houve registros de fraudes e urnas queimadas. O escândalo no norte do país mobilizou milhares de fiscais para o PRO na eleição nacional, outra chave da vitória macrista. Cano implementará um plano para melhorar a infraestrutura na região mais pobre do país. Tem 50 anos.

 

ALBERTO ABAD 
AFIP
Volta a comandar o Fisco do país. Teve atuação considerada boa no fim de 2002, quando houve um aumento da arrecadação e modernização do sistema. Tem 71 anos

 

MIGUEL DE GODOY
Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual
É o escolhido para comandar o órgão responsável por uma das maiores brigas compradas por Cristina Kirchner, com o Grupo Clarín por meio da Lei de Mídia, aprovada em 2009. Para isso, o novo governo tentará retirar o atual ocupante, o kirchnerista Martín Sabbatella, que promete cumprir seu mandato até 2017.

 

JORGE TRIACA
Trabalho
A nomeação do filho de um ex-ministro do Trabalho e sindicalista foi motivo de controvérsia. O principal sindicalista do país, Hugo Moyano, líder da Confederação Geral do Trabalho, queria alguém mais próximo dele e vetou a primeira opção de Macri para o cargo. Seu papel será decisivo na negociação com entidades de classe nos reajustes previstos para março. Usa cadeira de rodas desde os 9 anos, quando sofreu um acidente de carro. Tem 41 anos.