Perfil: O purgatório do mentor de protestos dos jogadores americanos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Perfil: O purgatório do mentor de protestos dos jogadores americanos

Mesmo sem entrar em campo, Colin Kaepernick foi um dos atletas mais mencionados há uma semana, quando cerca de 180 jogadores da liga não ficaram em pé durante a execução do hino

Redação Internacional

01 Outubro 2017 | 05h00

Felippe Scozzafave

Em 2016, antes de Donald Trump ser presidente, Colin Kaepernick, quarterback do San Francisco 49ers, inconformado com o número de negros assassinados por policiais nos EUA, decidiu permanecer sentado no banco de reservas durante o hino nacional. Ele recebeu apoio de seu colega de equipe Eric Reid e, depois de se reunirem com Nate Boyer, ex-jogador do Seattle Seahawks e membro do Exército, concluíram que deveriam ficar ajoelhados, o que consideravam uma forma mais respeitosa de protesto.

+ Desafio a Trump testa limites do patriotismo

Desde então, a carreira de Kaepernick definhou. Em seus primeiros anos como profissional, ele foi considerado revolucionário por sua capacidade de correr com a bola, mesmo que sua principal função seja lançá-la para seus companheiros. Após alguns anos de destaque, ele perdeu a posição de titular do 49ers, por coincidência ou não, exatamente no período em que passou a participar mais ativamente das manifestações contra a brutalidade policial. Depois de receber ameaças de morte, Kaepernick decidiu não renovar seu contrato com o time, ficando livre no mercado. Hoje, ele está desempregado, sendo preterido por cerca de 100 outros quarterbacks.

Colin Kaepernick era quarterback do San Francisco 49ers (Foto: REUTERS/Jeff Haynes)

Colin Kaepernick era quarterback do San Francisco 49ers (Foto: REUTERS/Jeff Haynes)

Para Reid, que segue no 49ers, está claro que fatores extracampo foram fundamentais para afetar a sua carreira. “Todos que têm um conhecimento básico de futebol americano sabem que o desemprego dele nada tem a ver com a performance”, escreveu no New York Times.

Mesmo sem entrar em campo, ele foi um dos atletas mais mencionados há uma semana, quando cerca de 180 jogadores da liga não ficaram em pé durante a execução do hino. Há poucos anos, esse tipo de cerimônia sequer existia e um dos motivos pelos quais ela foi inserida antes das partidas é justamente o governo, que passou a financiar o momento.

Em 2015, os dois senadores republicanos John McCain e Jeff Flake divulgaram um documento comprovando que o Departamento de Defesa investiu, entre 2012 e 2015, US$ 53 milhões em 122 contratos de publicidade com equipes esportivas. Segundo eles, 72 desses contratos foram para “atividades específicas”, como bandas militares e apresentações do hino. Antes disso, a NFL não obrigava seus jogadores a ficar em campo durante o hino. O protocolo era exigido somente em datas específicas, como durante os Super Bowls e memoriais aos atentados de 11 de Setembro.