O que acontece na Coreia do Sul após o impeachment da presidente
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O que acontece na Coreia do Sul após o impeachment da presidente

Park Geun-hye se tornou a primeira líder do país eleita democraticamente a ser afastada do cargo; veja o que acontece agora

Redação Internacional

10 de março de 2017 | 11h04

A Corte Constitucional da Coreia do Sul aprovou nesta sexta-feira, 10, por unanimidade o impeachment da presidente Park Geun-hye por envolvimento em um escândalo de tráfico de influência. Com isso, ela se tornou a primeira líder democraticamente eleita do país a ser afastada do cargo. Uma eleição presidencial será realizada até meados de maio, segundo a Constituição.

Veja abaixo o que acontece com a Coreia do Sul a partir de agora.

Sul-coreano lê capa de jornal que traz em sua manchete a aprovação do impeachment da presidente, Park Geun-hye, pela Corte Constitucional do país (Foto: AFP PHOTO / JUNG Yeon-Je)

Sul-coreano lê capa de jornal que traz em sua manchete a aprovação do impeachment da presidente, Park Geun-hye, pela Corte Constitucional do país (Foto: AFP PHOTO / JUNG Yeon-Je)

O que acontece com Park?

Sem a imunidade garantida pelo cargo, ela será julgada pelos casos de corrupção e, se for condenada, poderá ser presa. Segundo a emissora CNN, ainda não se sabe quando Park deixará a Casa Azul, local onde passou a maior parte de sua vida, tanto como filha do ex-presidente Park Chung-hye – morto em 1979 -, como sendo a primeira mulher eleita líder do país.

Quem será o próximo presidente?

Os sul-coreanos vão eleger um novo presidente até meados de maio, segundo a Constituição. O candidato liberal Moon Jae-in, do opositor Partido Unido Democrata, lidera atualmente as pesquisas de opinião. Ele foi derrotado por uma margem muito estreita nas eleições presidenciais de 2012 por Park, perdendo por apenas 3% dos votos. Ele foi chefe de gabinete do ex-presidente Roh Moo-hyun (2003-2008) e um forte defensor da “Política Brilho do Sol”, que visava melhorar as relações entre Seul e Pyongyang. O ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon havia sido apontado como possível sucessor de Park, mas ele anunciou em fevereiro que não vai se candidatar.

Como a situação afeta os EUA?

Com a saída de Park, a relação entre americanos e sul-coreanos mudará, em grande parte, em razão da instalação do sistema antimísseis Terminal de Defesa Aérea de Alta Altitude (THAAD, na sigla em inglês), que ficará mais complicada. Apesar de EUA e Coreia do Sul concordarem que ele é necessário como defesa contra as ações da Coreia do Norte, o governo chinês se opõe fortemente à ideia. De acordo com a CNN, analistas locais defendem que a chegada de um presidente com ideais de esquerda, como Moon, tornaria o plano mais conflituoso, visto que os liberais não acreditam que o sistema seja muito útil e apenas provoca Pyongyang.

E a Coreia do Norte?

A maior diferença com o início de um novo governo na Coreia do Sul é a relação que o país terá em termos de política externa com os norte-coreanos. Especialistas dizem que se Moon se tornar presidente, por exemplo, ele deve trabalhar para conseguir mais negociações com Pyongyang ao invés de pressionar para impor mais sanções, como fez a gestão Park, complicando a relação com os EUA.

Como os sul-coreanos estão reagindo?

Enquanto os conservadores, apoiadores de Park, entraram em confronto com policiais em frente à Corte Constitucional em Seul, milhões de pessoas tomaram as ruas de diversas cidades pedindo o impeachment da presidente. De acordo com o jornal britânico The Guardian, os protestos pró-Park foram menores e envolveram, em grande parte, eleitores que queriam reviver os tempos em que o ditador Park Chung-hye liderava o país, com a esperança de transformar a Coreia do Sul em uma potência econômica.

Relembre: Parlamento da Coreia do Sul aprova impeachment da presidente

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