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O que mudou em Cuba com Raúl Castro: uma década de reformas

As principais reformas na ilha comunista implementadas desde que o irmão mais novo da família Castro assumiu o poder, em 2006

Redação Internacional

31 Julho 2016 | 19h50

Atualmente, um cubano pode viajar com menos restrições, trabalhar por conta própria e ver a bandeira oficial dos Estados Unidos tremulando em Havana. Em dez anos, Raúl Castro conquistou uma transformação silenciosa da Cuba que recebeu de seu irmão Fidel.

A ilha é outra desde que Raúl, o general discreto do Exército, sucedeu Fidel à frente do governo. Perto de completar 90 anos, o líder máximo da Revolução cubana teve que entregar o poder depois de quase meio século, devido a uma doença.

Desde então, Raúl, de 85 anos, empreendeu reformas de alto impacto que se inscrevem no que chama de atualização do modelo socialista. A seguir, algumas das mais importantes:

-Degelo
O capítulo mais espetacular da era de Raúl foi escrito em 17 de dezembro de 2014. Na ocasião, anunciou pela televisão aos cubanos – enquanto Barack Obama fazia o mesmo com os americanos – a aproximação com o inimigo da Guerra Fria. Em 20 de julho de 2015, após mais de meio século, os dois países retomaram relações diplomáticas, e em março deste ano Raúl recebeu Obama no Palácio da Revolução.

-Migração
Em 2013, Raúl Castro eliminou os caros e complicados requisitos de viagem, e autorizou os cubanos a deixar o país por até dois anos – desde que façam isso de forma legal – sem perder seus bens ou residência. A reforma facilita as visitas e repatriação daqueles que migraram. Em 2012, antes das mudanças entrarem em vigência, 213.927 cubanos viajaram ao exterior. Em 2015, o número chegou a 580.117, um aumento de 172%, segundo dados oficiais. Apenas os médicos necessitam de uma permissão especial para deixar a ilha.

-Trabalho privado
Castro ampliou e flexibilizou o trabalho privado. Meio milhão de cubanos trabalham atualmente por conta própria, 10% de uma força de trabalho de cinco milhões. Ao mesmo tempo, o governo estuda a legalização de pequenas e médias empresas privadas, eliminadas em 1968.

-Limites do mandato
Após 48 anos de governo de Fidel, Raúl e o Partido Comunista de Cuba limitaram a dez anos (dois mandatos de cinco) o limite de permanência em um cargo. Raúl já anunciou que deixará o poder em 2018.

-Investimento estrangeiro
O governo de Castro reformou uma lei para dar mais incentivos aos investidores e inaugurou o mega porto de Mariel (45 km a oeste de Havana), uma zona franca criada para se tornar o principal polo industrial de Cuba.

-Dívida externa
No final de 2015, Cuba conseguiu renegociar sua dívida com 14 países do Clube de Paris, congelada desde os anos 1980, com um perdão de US$ 8,5 bilhões. A ilha, que em troca se comprometeu a pagar US$ 2,6 bilhões em 18 anos, espera com isso conseguir acesso a créditos frescos. Também reestruturou suas dívidas com Rússia e México.

-Comércio
Raúl autorizou o comércio de carros e casas. Até 2014, foram registradas a compra e venda de 80 mil veículos e de 40 mil casas, segundo as autoridades. O ainda incipiente setor imobiliário representou um alívio para o déficit habitacional, e contribuiu para o desenvolvimento de pequenos negócios.

-Internet
O governo permitiu, embora restrito, o acesso à internet. Até junho operavam no país 125 zonas Wi-Fi, 665 salas de navegação e mais de 3 milhões de linhas de celulares.

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