O que mudou em Cuba sob o governo de Raúl Castro
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O que mudou em Cuba sob o governo de Raúl Castro

Da histórica retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos à flexibilização do trabalho privado e do acesso à internet, a ilha comunista passou por profundas mudanças desde 2006 quando Raúl assumiu o poder

Redação Internacional

26 Julho 2017 | 10h07

HAVANA – Hoje, um cubano pode viajar ao exterior com menos restrições, ter seu próprio negócio e ver a bandeira dos EUA tremulando em Havana. Em 11 anos, Raúl Castro conseguiu uma transformação silenciosa da Cuba que recebeu de seu irmão Fidel.

A ilha é outra desde que Raúl, o discreto general do Exército, sucedeu Fidel em 2006 à frente do governo em razão de uma crise de saúde. O “Comandante em Chefe” morto em novembro e os cubanos aprenderam a viver sem Fidel depois de meio século.

Raúl Castro e Barack Obama se cumprimentam no Palácio da Revolução, em Havana, durante visita histórica do presidente americano à ilha (EFE/Michael Reynolds)

Raúl Castro e Barack Obama se cumprimentam no Palácio da Revolução, em Havana, durante visita histórica do presidente americano à ilha (EFE/Michael Reynolds)

Agora, aprenderão a viver sem Raúl como presidente já que seu mandato termina em fevereiro de 2018. Nesta quarta-feira, 26, ele participa pela última vez das celebrações do Dia da Rebeldia Nacional.

Raúl, de 86 anos, conseguiu implementar reformas de alto impacto sob o que nomeou de uma atualização do modelo socialista. Abaixo, relembre as principais mudanças na ilha sob seu governo:

• Degelo
O capítulo mais espetacular da era de Raúl foi escrito em 17 de dezembro de 2014. Neste dia, ele anunciou pela televisão aos cubanos – ao mesmo tempo em que Barack Obama o fazia para os americanos – a reaproximação dos inimigos da época da Guerra Fria. Em 20 de julho de 2015, depois de mais de meio século, os países retomaram suas relações diplomáticas e, em março de 2016, Raúl recebeu Obama no Palácio da Revolução. O processo de normalização das relações, no entanto, sofreu um retrocesso com a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

• Migração
Em 2013 Raúl eliminou os custosos e complicados requisitos de viagem, além de autorizar os cubanos a permanecerem fora da ilha por dois anos – desde que o façam de forma legal – sem perder seus bens e sua residência. A reforma facilitou também as visitas e a repatriação daqueles que deixaram a ilha. De janeiro de 2013 a dezembro de 2016, mais de 670 mil cubanos fizeram mais de 1 milhão de viagens particulares a outros países. Apenas em 2016, 14 mil cidadãos da ilha foram repatriados.

• Trabalho privado
Raúl ampliou e flexibilizou o trabalho privado. Mais de meio milhão de cubanos atualmente atuam por conta própria, o que já representa 10% da força de trabalho do país. Ao mesmo tempo, o governo estuda a legalização de pequenas e médias empresas privadas, eliminadas do país em 196

• Limite de mandato
Depois de 48 anos de governo de Fidel, Raúl e o Partido Comunista de Cuba (PCC) limitaram a 10 anos (dois mandatos de cinco anos cada) a permanência em um cargo. Raúl já anunciou que deixará o poder em fevereiro de 2018

• Investimentos estrangeiros
O governo de Raúl Castro reformou uma lei para dar mais incentivos aos investidores e inaugurou o megaporto de Mariel (45 quilômetros a oeste de Havana), uma zona franca com potencial para se tornar no principal polo industrial de Cuba. No entanto, o investimento médio anual estrangeiro só chegou a US$ 418 milhões desde 2013, bem abaixo das expectativas de US$ 2,5 bilhões por ano.

• Dívida externa
Ao fim de 2015, Cuba conseguiu renegociar sua dívida com 14 países do Clube de Paris, congelada desde aos anos 1980, com o perdão de US$ 8,5 bilhões. A ilha, que em troca se comprometeu a pagar US$ 2,6 bilhões em 18 anos, espera com isso ter acesso a novas linhas de crédito. O governo também reestruturou suas obrigações com Rússia e México.

• Compras e vendas
Raúl autorizou a compra e venda de carros e casas. Até 2014, foram registradas mais de 80 mil negociações de veículos e 40 mil de residências. O ainda incipiente setor imobiliário ajudou a diminuir o suposto déficit habitacional da ilha e contribuiu para o desenvolvimento de pequenos negócios.

• Internet
O governo permitiu, ainda que de forma restrita, o acesso à internet no país. Até junho, operavam no país 370 zonas wifi, 630 salas de navegação e mais de 3 milhões de linhas de celular. De forma experimental, serão instaladas 38.000 linhas de internet banda larga em locais particulares até o fim do ano. Ainda assim, o país segue entre os com menor índice de conectividade do mundo. / AFP

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