O pedreiro ‘radical’ que desafiou o regime cubano
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O pedreiro ‘radical’ que desafiou o regime cubano

Paula Carvalho

26 de fevereiro de 2010 | 07h00

Foto: Enrique De La Osa/Reuters

Zapata: 85 dias de greve de fome (Foto: Enrique De La Osa/Reuters)

O preso político cubano Orlando Zapata, que morreu terça-feira aos 42 anos após passar 85 dias em greve de fome, era considerado pelo governo de Havana um “mercenário” a serviço dos EUA que tinha como objetivo “arruinar” o regime da ilha.

Zapata era pedreiro e foi preso em 2003 acusado de desacato às autoridades. O dissidente morava em Banes,
850 quilômetros a leste de Havana, e foi o primeiro preso político cubano a morrer na prisão em 38 anos – a maioria dos presos políticos cubanos doentes costuma ser libertada antes de o quadro de saúde se agravar. Solteiro e sem filhos, ele fazia parte do ilegal Movimento Alternativa Republicana.

Apesar de não ser uma das vozes mais conhecidas do movimento dissidente, a Anistia Internacional (AI) havia incluído seu nome na lista de presos de consciência – categoria na qual se encaixam pessoas que foram detidas por suas ideias sem ter recorrido à violência.

“Era um ativista radical de base de direitos humanos”, afirmou à agência de notícias France Press o historiador opositor Manuel Cuesta Morúa. Quando foi preso em 2003, Zapata acabou condenado a 3 anos de prisão. No entanto, segundo afirma a AI, a pena foi elevada a 25 anos e 6 meses por delitos como “desacato”, “desordem pública” e “resistência”.

“Por sua conduta radical na prisão, causas penais foram se acumulando e novos julgamentos foram realizados”, disse o advogado René Gómez Manzano. De acordo com ele, Zapata rejeitava ser trocado pelos cinco cubanos presos nos EUA sob acusações de espionagem.

O dissidente começou uma greve de fome em dezembro exigindo melhores condições na prisão de segurança máxima na Província de Camaguey e ingeria apenas água.