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O silêncio da Al-Qaeda sobre a primavera árabe

Luiz Raatz

16 de fevereiro de 2011 | 18h20

Desde o início dos protestos que levaram à derrubada dos ditadores Zine Ben Ali, da Tunísia, e Hosni Mubarak, do Egito, o risco dos movimentos serem ‘sequestrados’ pelo radicalismo islâmico tem sido alvo de debate na mídia e por analistas. Em artigo na revista Foreign Policy, o especialista em contraterrorismo Brian Fishman, do think thank New America Foundation, ressalta que o silêncio da rede terrorista Al-Qaeda é um sinal de como o jihadismo está tendo dificuldade para compreender este novo fenômeno no Oriente Médio.

O egípcio Ayman al-Zawahiri, ideólogo e número dois do grupo de Osama bin Laden, manteve-se em silêncio até agora. Duas franquias da rede, no Iraque e no Magreb Islâmico, incitaram o confronto dias após as revoltas na Tunísia e no Egito começarem. A essência destes movimentos, no entanto, manteve-se não-violenta.

De acordo com o artigo, as revoluções na Tunísia e no Egito, enfraqueceram o argumento da Al-Qaeda de que o ativismo violento é necessário para alcançar objetivos políticos. No entanto, apesar da rede de Bin Laden ter mantido um relativo silêncio, outros ideólogos da Jihad lançaram fatwas (decretos religiosos com força de lei) apoiando os protestos, o que mostra que não há um discurso unitário no Islã radical sobre os protestos.

Fishman conclui dizendo que as novas revoluções são ruins para os radicais porque mostram a força dos protestos pacíficos contra regimes pacíficos. Mais do que isto, revelam que os EUA podem apoiar as inspirações de árabes insatisfeitos. O autor alerta, no entanto, que nem todos os movimentos inspirados na Tunísia e no Egito podem ter sucesso. É aí que os jihadistas podem capitalizar a insatisfação popular para impor sua agenda.

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