O trem da discórdia em Jerusalém
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O trem da discórdia em Jerusalém

Paula Carvalho

14 de fevereiro de 2010 | 07h00

Vagão do trem que será inaugurado - Foto: Dan Balilty/AP

Vagão do trem que será inaugurado - Foto: Dan Balilty/AP

Um trem urbano desenvolvido com o objetivo de aliviar os pesados congestionamentos de trânsito em Jerusalém tornou-se fonte de debate e discórdia na cidade. O projeto vem sendo duramente criticado pelos palestinos, que comparam o trem aos assentamentos israelenses na região e afirmam que a iniciativa é uma “nova forma” de ocupação.

“O objetivo é criar uma ponte entre os assentamentos (na parte oriental) e o setor ocidental, usando nossa terra, a terra palestina”, afirmou Ahmed Rweidi, assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas, em entrevista à agência de notícias Associated Press. “O trem é ilegal, assim como os assentamentos.”

A acusação, porém, é rebatida pelo governo de Israel, que afirma que o trem servirá para todos os residentes de Jerusalém – “tanto árabes como judeus”. A discussão em torno do tema ocorre em um momento complicado na região, que há meses não consegue nenhum progresso nas negociações para um acordo de paz.

Organizações palestinas entraram até mesmo com um processo em um tribunal da França pedindo a desvinculação das empresas Veolia e Alstom do projeto. Os palestinos também fizeram um chamado de boicote para outras nações árabes que tenham negócios em andamento com as duas companhias.

Enquanto isso, o projeto do trem segue sem ser afetado pela polêmica criada em torno dele. Trilhos já foram instalados na maior parte do trajeto – que percorrerá 14 quilômetros  e terá 23 estações. Mais de 40 vagões também já estão prontos para entrar em funcionamento. Os primeiros testes do trem estão marcados para março.

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