Obama defende papel crítico da mídia em entrevista final no cargo
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Obama defende papel crítico da mídia em entrevista final no cargo

Presidente admitiu que suas filhas ficaram muito desapontadas com o resultado das eleições, mas entenderam que a 'democracia é uma bagunça'

Redação Internacional

18 Janeiro 2017 | 19h03

(Atualizada às 19h54) WASHINGTON – O presidente americano, Barack Obama, advertiu nesta quarta-feira, 18, contra medidas que limitem o trabalho da imprensa ou ordenem a deportação de imigrantes em situação irregular que chegaram ainda criança aos EUA. Para ele, elas são ameaças aos “valores fundamentais” do país.

U.S. President Barack Obama listens to a question during his last press conference at the White House in Washington, U.S., January 18, 2017. REUTERS/Joshua Roberts

Obama na entrevista coletiva na Casa Branca. Foto: Joshua Roberts/Reuters

“Há uma diferença entre o funcionamento normal da política e certos temas onde nossos valores fundamentais podem estar em risco. Coloco nessa categoria os esforços institucionais de silenciar a dissidência e a imprensa e para deportar crianças que cresceram aqui e, na prática, são americanas.”

Em sua última entrevista coletiva, o presidente americano enalteceu o trabalho dos jornalistas que o acompanharam ao longo dos últimos oito anos, na cobertura da Casa Branca. “Ter vocês aqui nesse prédio fez desse local um lugar de trabalho melhor”, afirmou o presidente.

“Ninguém espera que vocês sejam aduladores. Todos esperam que vocês sejam céticos. Esperam que façam duras perguntas”, disse o presidente.

O democrata revisou uma série de questões que lidou ao longo de seu governo. Em uma das mais importantes para o país atualmente, ele comentou sobre a relação com a Rússia.

Ele afirmou que é do interesse dos EUA ter laços construtivos com a Rússia, mas reconheceu que a relação retornou a um espírito de confronto quando Vladimir Putin voltou à presidência do país.

“É de interesse dos EUA e do mundo que tenhamos uma relação construtiva com a Rússia. Este tem sido o meu enfoque ao longo da minha presidência.”

Obama instou seu sucessor, Donald Trump, a continuar a tentar persuadir a Rússia para reduzir seus arsenais de ogivas nucleares. No começo de seu governo, o democrata assinou com o então presidente russo, Dimitri Medvedev um acordo em que os dois países se comprometiam a diminuir o número de armas. Obama disse ontem ter tentado avançar as negociações com Putin, mas o líder russo foi relutante.

Em seu recado ao sucessor, pediu ainda que a próxima administração dê exemplo e trabalhe para prevenir que grandes países façam “bullying” com os menores. Segundo Obama, a implementação de sanções contra a Rússia logo após a incursão militar sobre a Ucrânia foi um “bom exemplo desse papel vital” que os EUA devem desempenhar para fortalecer direitos básicos pelo mundo.

Obama também falou sobre Cuba e sua recente decisão de suspender a medida “pé seco, pé molhado”, que dava status diferenciado aos imigrantes cubanos. Segundo o presidente, esse era “um vício de uma antiga forma de pensar que não fazia sentido nestes dias e nesta era”, afirmou.

Na última pergunta, Obama foi questionado sobre como suas filhas, Sasha e Malia, reagiram ao resultado das eleições, que deram a vitória a Trump. O presidente admitiu que elas ficaram muito desapontadas, mas também entenderam que a “democracia é uma bagunça”. “Do meu ponto de vista, acho que ficaremos bem”, disse Obama, concluindo a resposta. “Há muito mais gente boa do que ruim neste país. Há uma decência fundamental neste país.” / W. POST, NYT, REUTERS, EFE e AFP