Os EUA e sua mediação do conflito entre israelenses e palestinos
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Os EUA e sua mediação do conflito entre israelenses e palestinos

Donald Trump recebeu nesta quarta-feira na Casa Branca o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas; relembre outros momentos da presença americana como mediadora no Oriente Médio

Redação Internacional

03 Maio 2017 | 15h19

WASHINGTON – Os EUA, que receberam nesta quarta-feira, 3, o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, vem desempenhando um papel de mediador no conflito entre israelenses e palestinos, enquanto continuam sendo o principal aliado de Israel.

Relembre a presença americana nessa mediação.

Sócios na Guerra Fria

No dia 14 de maio de 1948, o Estado de Israel foi fundado, após o fim do mandato britânico no território palestino. O governo de Harry S. Truman o reconheceu minutos depois de sua proclamação.

No entanto, tanto Truman quanto Dwight D. Eisenhower pensaram que laços muito estreitos com Israel poderiam prejudicar as relações com o mundo árabe. Assim, Washington criticou a campanha dos israelenses contra os egípcios em 1956, lançada em coordenação com a França e a Grã-Bretanha.

Mas, com a Guerra Fria, as relações entre Israel e EUA tomaram um novo rumo, tornando-se uma rocha sólida na década de 60. Durante a guerra árabe-israelense de junho de 1967, Israel ocupou o Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas de Golã.

A Guerra dos Seis Dias foi um ponto de virada para os EUA, que se tornaram o maior aliado de Israel. Em outubro de 1967, Lyndon B. Johnson ordenou entregas em grande escala de armas para os israelenses.

Diálogo

No dia 14 de dezembro de 1988, o então líder palestino, Yasser Arafat, aceitou três condições estabelecidas por Ronald Reagan para o diálogo. Ele reconheceu o direito de Israel de existir, aceitou a Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU sobre a retirada do país dos territórios ocupados em 1967 e renunciou ao terrorismo.

Dois dias depois, ocorreu o primeiro contato oficial: uma delegação palestina se reuniu na Tunísia com o embaixador americano. George Bush pai estabeleceu canais de comunicação direta entre Israel e os países árabes, um processo que culminou na primeira Conferência Internacional sobre o Oriente Médio em 1991, em Madri.

Aperto de mãos em Washington

No dia 13 de setembro de 1993, após seis meses de negociações secretas em Oslo, Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) se reconheceram mutuamente e assinaram em Washington uma declaração de princípios sobre a autonomia palestina transitória de cinco anos. O primeiro-ministro, Yitzhak Rabin, e Arafat apertaram as mãos em uma saudação histórica.

Veja abaixo: Hamas diz aceitar Estado palestino limitado a fronteiras de 1967

No dia 4 de maio de 1994 foi assinado o acordo sobre a autonomia de Gaza e Jericó, na Cisjordânia, alcançado no Cairo. Israel esvaziou 70% da região.

Em 28 de setembro de 1995 ocorreu em Washington um acordo (Oslo II) sobre a extensão da autonomia na Cisjordânia, prevendo uma série de retiradas israelenses.

Na cúpula de Camp David (EUA), em julho de 2000, palestinos e israelenses ficaram bloqueados principalmente quanto ao problema de Jerusalém e dos refugiados de 1948. Dois meses depois, explodiu a Segunda Intifada.

Em janeiro de 2001 tiveram início as negociações em Taba, no Egito, com base em um plano de Bill Clinton. Um mês depois, o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, foi derrotado nas eleições pelo líder da direita, Ariel Sharon. No ano seguinte, George W. Bush sugeriu como opção a solução de dois Estados, vivendo pacificamente um ao lado do outro, mas sem Arafat.

Tensões e ajuda de Obama

Depois de tomar posse em 2009, as relações entre Barack Obama e o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu viveram sob pressão. No dia 2 de setembro de 2010 em Washington, as negociações diretas foram retomadas, mas acabaram sendo interrompidas depois que Israel retomou a colonização nos territórios ocupados alguns dias depois.

Em 7 de dezembro de 2010, Washington se recusou a fazer do congelamento da colonização uma condição para negociações diretas. Os palestinos continuaram exigindo uma suspensão total da colonização.

No dia 19 de maio de 2011, Obama se pronunciou a favor de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967, mas Netanyahu descartou uma “retirada às fronteiras de 1967”.

No mês seguinte, Abbas convocou Israel a retomar as negociações com base nas fronteiras de 1967, com “mudanças de territórios menores e mutuamente acordados” e o congelamento da colonização, em uma carta a Netanyahu que não teve consequências.

Os esforços realizados pelo secretário de Estado, John Kerry, entre 2013 e 2014 para relançar o processo de paz fracassaram. No entanto, em setembro de 2016, EUA e Israel assinaram um acordo no valor de US$ 38 bilhões em assistência militar por um período de 10 anos. Em dezembro, pela primeira vez desde 1979, Washington não vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenava a construção de assentamentos israelenses.

Relações com Trump

No dia 15 de fevereiro de 2017, Donald Trump deu boas-vindas calorosas a Netanyahu na Casa Branca e elogiou o vínculo bilateral “inquebrável”. Ele também voltou atrás na solução de dois Estados, dizendo que apoiaria um único Estado se isso levasse à paz.

No dia 1.º de maio, o movimento islamista palestino Hamas aceitou a ideia de um Estado palestino nos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967. Três dias depois, Trump recebeu Abbas na Casa Branca, e este afirmou que espera alcançar um acordo de paz com Israel “com base na ideia de dois Estados”. / AFP