Os três cenários possíveis para as eleições de governadores na Venezuela
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Os três cenários possíveis para as eleições de governadores na Venezuela

Segundo analista, se oposição vencer, poderá pressionar o governo ‘em um processo de negociação sério para fixar as condições das eleições presidenciais de 2018’; veja outros rumos que país pode seguir

Redação Internacional

13 Outubro 2017 | 15h27

CARACAS – Os venezuelanos irão às urnas no domingo para escolher seus governadores. O chavismo detém atualmente 20 dos 23 governos estaduais. Que impacto terá na crise política se a situação mantiver sua hegemonia ou se a oposição vencer? Confira abaixo três cenários possíveis para o país.

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Cientista político diz que a principal preocupação de Maduro, se seus candidatos forem derrotados, serão as eleições presidenciais (Foto: EFE/AVN)

Cientista político diz que a principal preocupação de Maduro, se seus candidatos forem derrotados, serão as eleições presidenciais (Foto: EFE/AVN)

Cenário 1: Vitória da oposição

Analistas acreditam em que a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) tem altas chances de vencer as eleições em votos e governadores. “O país está desfeito com penúrias e fome. Não há probabilidade de que o governo vença”, afirmou o cientista político Luis Salamanca. Se isto ocorrer, a oposição poderá pressionar o governo “em um processo de negociação sério para fixar as condições das eleições presidenciais de 2018”, afirmou a especialista Colette Capriles.

Conversas para estabelecer as bases de um eventual diálogo que ajude a superar a crise, auspiciadas pelas Nações Unidas e pelo presidente da República Dominicana, Danilo Medina, estão congeladas após denúncias da oposição de que “não há condições”.

O cientista político Edgard Gutiérrez diz que a principal preocupação de Maduro, se seus candidatos forem derrotados, serão as eleições presidenciais. “Maduro deverá pensar bem o que fará com as presidenciais porque seu destino vai parecer inexorável: perdê-las sem importar muito o que faça. Talvez o único recurso que lhe reste seja o de continuar inabilitando futuros concorrentes”, disse.

Os dois principais líderes opositores, Henrique Capriles e Leopoldo López, estão fora da disputa. O primeiro está inabilitado politicamente e o segundo está em prisão domiciliar.

Salamanca avaliou que uma vitória da oposição também restauraria o vínculo com seus seguidores, frustrados pelos protestos que entre abril e julho exigiram, sem sucesso, a saída de Maduro – com um balanço de mais de 100 mortes – e a instalação da Assembleia Constituinte, integrada exclusivamente por chavistas.

A crítica internacional ao governo de Maduro, acentuada após a instalação da Constituinte, “continuará ou elevará o tom” se o chavismo for derrotado, acrescentou Gutiérrez. “Estas eleições são a oportunidade para a oposição não continuar na saga de um regime agonizante, mas colocar-se perante o mundo como uma força de mudança. Pode ser o começo do fim”, avaliou Colette.

Cenário 2: Vitória do chavismo

Os especialistas concordam que somente uma elevada abstenção permitiria que a situação elegesse mais governadores, embora descartem que os chavistas consigam mais votos, pois sua rejeição é muito elevada – 8 em cada 10 venezuelanos, segundo o instituto Datanálisis.

Gutiérrez explicou que se isto ocorrer haverá uma “desmoralização e desmobilização” dos opositores. “O modelo de controle absoluto do governo chavista avançará em um ritmo maior”, indicou.

O diretor da empresa Venebarómetro considerou que uma derrota da oposição também reduziria a pressão internacional sobre Maduro. “Ficará sobre os ombros dos atores mais antagônicos à Venezuela: EUA, Argentina e Espanha. Maduro ganhará novo fôlego”, destacou.

Neste momento, diversos países da região, entre eles EUA, e nações europeias, como França, Espanha, Reino Unido e Alemanha, expressaram duras críticas contra o governo de Maduro e a Constituinte. Também o fizeram organizações como Organização dos Estados Americanos (OEA), Mercosul e União Europeia (UE). “Se o governo conquistar uma vitória, ganhará legitimidade internacional para que não continuem chamando Maduro de ditador”, acrescentou Salamanca.

Cenário 3: Empate

A Constituinte, apesar da rejeição popular ao governo, antecipou as eleições regionais de dezembro para outubro, segundo Colette, aproveitando “o clima de melancolia” e a desmotivação opositora.

O analista Luis Vicente León disse que o governo busca “reduzir o esplendor da vitória opositora”, apostando em uma abstenção elevada que iguale o número de governadores. “Se a eleição ficar dividida, o chavismo aproveitará e usará os resultados para legitimar seu relato. Dirá que a situação não é tão desvantajosa para eles como o mundo supõe”, indicou Gutiérrez.

Ainda que os opositores avancem, caso iguale os governadores, adverte Salamanca, a sensação poderia ser de derrota porque as pesquisas de opinião mostram que eles deveriam obter uma vitória esmagadora em razão da impopularidade de Maduro.

“Não o vejo como algo bom para a oposição, mas muito bom para o governo. A oposição baixaria a bola, enquanto o governo, ao qual todo mundo vê como uma minoria, sairia garboso”, afirmou.

Colette, por sua vez, considera que “se a oposição levar 13 governadores, a eleição está ganha”. “Deve se antecipar e construir um discurso de vitória. A narrativa será essencial. O governo tem uma grande capacidade de construir vitórias do nada, demonstrou-o com a Constituinte”, acrescentou ela. / AFP

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