Para entender: As recorrentes suspeitas de ‘apoio ao terrorismo’ do Catar
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Para entender: As recorrentes suspeitas de ‘apoio ao terrorismo’ do Catar

País é considerado um dos principais financiadores da Irmandade Muçulmana no Egito e de grupos favoráveis a esta confraria nos países vizinhos, em especial na Síria, Líbia e Tunísia

Redação Internacional

05 de junho de 2017 | 15h57

DOHA – Vários países árabes romperam nesta segunda-feira, 5, suas relações diplomáticas com o Catar, frequentemente acusado de apoiar o terrorismo, acusação negada por ele.

Veja abaixo os motivos que levaram a essa acusação.

Vários países árabes romperam suas relações diplomáticas com o Catar, frequentemente acusado de apoiar o terrorismo. Na foto, embaixada de Catar no Cairo (Foto: EFE/Mohamed Hossam)

Vários países árabes romperam suas relações diplomáticas com o Catar, frequentemente acusado de apoiar o terrorismo. Na foto, embaixada de Catar no Cairo (Foto: EFE/Mohamed Hossam)

Apoio aos islamistas

Desde o aparecimento do Catar nos cenários regional e internacional no fim dos anos 1990, o rico emirado fabricante de gás, aliado dos EUA, alimentou o desenvolvimento de movimentos islamistas, que apoiou direta ou indiretamente nos países onde ocorreu a Primavera Árabe.

O Catar é considerado um dos principais financiadores da Irmandade Muçulmana no Egito e de grupos favoráveis a esta confraria nos países vizinhos, em especial na Síria, Líbia e Tunísia.

O país também foi um dos principais apoiadores do ex-presidente egípcio islamista Mohamed Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, derrubado em 2013 pelo ex-chefe das Forças Armadas e atual presidente do Egito, Abdel-Fattah al-Sisi. Desde então, ambos os países mantêm relações muito tensas. Posteriormente, sob pressão de outras monarquias do Golfo, o Catar suavizou as críticas contra Sisi.

O país abriga os dirigentes do primeiro plano da Irmandade Muçulmana, confraria qualificada como “terrorista” pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, como é o caso de Yusuf Al-Qaradawi, considerado um de seus chefes espirituais. O ex-dirigente do movimento islamista Hamas, o palestino Khalid Meshal, também está no Catar. Além disso, os taleban afegãos têm um escritório no país.

Financiamento do terrorismo

O Catar é regularmente acusado de certo relaxamento na luta contra o financiamento por meio de fundos particulares de organizações “terroristas”, acusações que rechaça firmemente.

Em 2010, uma nota diplomática americana, revelada pelo site WikiLeaks, qualificou o Catar como o “pior na região” no que se refere à cooperação com Washington para cortar o financiamento de grupos extremistas.

Depois do atentado em Paris contra a revista satírica Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, vários políticos franceses acusaram o Catar de conivência.

Novas suspeitas chegaram dos EUA em 2016. Um responsável de alto escalão do Tesouro americano afirmou que o Catar, assim como o Kuwait, “ainda carece da necessária vontade política e da capacidade para aplicar suas leis contra o financiamento de organizações terroristas”. Entretanto, dias mais tarde, Washington elogiou seus “esforços positivos” para cortar o financiamento a extremistas e combater o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Al Jazeera

A emissora Al Jazeera, fundada há mais de 20 anos pelo governo do Catar, tem 80 escritórios em todo o mundo e emite notícias em vários idiomas. Ela foi considerada o eco dos movimentos da Primavera Árabe. Contudo, seus críticos consideram a sua linha editorial muito favorável aos islamistas e a veem como um instrumento a favor da diplomacia do Catar.

Em 2014, três de seus jornalistas no Egito foram condenados a severas penas por terem “falsificado informações” de apoio aos partidários do presidente Mursi.

Em abril de 2016, autoridades iraquianas fecharam o escritório da Al Jazeera em Bagdá em razão de uma cobertura considerada favorável ao EI e hostil à maioria xiita do país.

No passado, a emissora já teve problemas com os governos árabes, irritados com a cobertura considerada impertinente e tendenciosa. Washington a apresentou como porta-voz dos grupos extremistas, principalmente porque o antigo chefe da Al-Qaeda, Osama bin Laden, reservava à Al Jazeera o essencial de suas mensagens. / AFP

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