Para entender: Cinco perguntas-chave sobre os mísseis norte-coreanos
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Para entender: Cinco perguntas-chave sobre os mísseis norte-coreanos

Saiba qual o papel da comunidade internacional, do presidente dos EUA, Donald Trump, e da China, entre outros fatores, na atual crise na Península Coreana

Redação Internacional

04 Julho 2017 | 14h59

A Coreia do Norte afirmou nesta terça-feira, 4, que testou com sucesso um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) que, segundo analistas, seria capaz de atingir o Estado do Alasca, nos Estados Unidos.

O míssil Hwasong-14, que para Pyongyang “encerrará as ameaças e chantagens de guerra nuclear dos EUA”, voou a uma altitude de 2.802 km e por uma distância de 933 km antes de atingir o objetivo no oceano, disse o regime de Kim Jong-un – números similares foram informados por EUA, Japão e Coreia do Sul.

Emissora sul-coreana exibe projeção do míssil testado pela Coreia do Norte nesta terça-feira (REUTERS/Kim Hong-Ji)

Emissora sul-coreana exibe projeção do míssil testado pela Coreia do Norte nesta terça-feira (REUTERS/Kim Hong-Ji)

Veja abaixo cinco perguntas-chave sobre o mais recente teste realizado pelo país:

– Trata-se de um autêntico míssil intercontinental?

Apesar de as forças da Coreia do Sul e dos EUA terem confirmado alguns detalhes do lançamento, os países não qualificaram o míssil como ICBM.

Tanto o comando das forças americanas no Pacífico quanto a Rússia falaram em um míssil de médio alcance. Já o presidente sul coreano, Moon Jae-In, disse que Seul estava analisando o resultado do teste “levando em consideração que poderia se tratar de um ICBM”.

David Wright, especialista da organização americana Union of Concerned Scientists avaliou o alcance do míssil em 6.700 km, o que seria suficiente para atingir alvos em qualquer parte do Alasca.

– Se for um míssil balístico intercontinental, o que mudará?

O fato de a Coreia do Norte ser capaz de desenvolver este tipo de armamento mudaria consideravelmente o contexto atual da tensão na região. Pyongyang já realizou cinco testes nucleares, dois deles em 2016, e tem multiplicado seus esforços para produzir uma ogiva nuclear miniaturizada para ser colocada em um míssil.

Se realmente possuir um ICBM, o regime comunista teria mais peso em futuras negociações internacionais para obter concessões dos EUA. É preciso considerar, porém, que Pyongyang ainda demorará algum tempo até ter vários mísseis deste tipo prontos para uso, explicou Lee Chun-Keun, pesquisador do Instituto de Política Científica e Tecnológica de Seul.

– O que a comunidade internacional pode fazer?

A Coreia do Norte já está sob uma avalanche de sanções das Nações Unidas e de vários países em razão de seus testes de mísseis e de bombas atômicas, todos violando resoluções da ONU. Como consequência, o país já está totalmente isolado dos cenários comercial e financeiro internacional e novas sanções teriam pouquíssimo impacto.

“Em termos de pressão econômica, pressionamos, pressionamos e pressionamos, mas eles não dependente, realmente, das trocas internacionais e não são responsáveis com o seu povo”, disse o ex-presidente americano Barack Obama em uma conferência em Seul.

Desta forma, as estratégias empregadas por Washington para forçar outros países a renunciarem a seus programas nucleares, como no caso do Irã, “funcionam em menor escala” para a Coreia do Norte, completou Obama.

Outra opção são as chamadas “sanções secundárias” contra empresas que tem relações comerciais com a Coreia do Norte que, neste caso, afetaria principalmente companhias da China.

– Qual é o papel de Trump?

O presidente americano, Donald Trump, não acredita que um ICBM possa atingir seu país. “Não acontecerá”, escreveu Trump em sua conta no Twitter. “Este cara não tem algo melhor para fazer com sua vida?”, disse em referência a Kim.

A tensão aumentou desde a chegada de Trump ao poder já que o republicano não descarta o uso da força militar contra a Coreia do Norte, posição que preocupa muitos americanos conscientes da possibilidade de um conflito regional.

– A China pode salvar a situação?

O papel da China, sem a qual a Coreia do Norte estaria economicamente afogada, é chave para a crise. “Talvez China não faça um gesto (de pressão) forte sobre a Coreia do Norte e coloque fim a este absurdo de uma vez por todas”, escreveu Trump em outra mensagem no Twitter.

Os norte-coreanos dependem da China para exportar e obter divisas para todos os tipos de trocas comerciais. Em 2017 Pequim suspendeu até o fim do ano as importações de carvão produzidas por Pyongyang, uma represália excepcional, mas de forma geral o país parece pouco inclinado a impor medidas que possam realmente desestabilizar o país vizinho.

A China teme que uma possível queda do regime de Kim resulte na chegada em massa de refugiados em seu território ou, no pior do cenários, na chegada das tropas americanas à sua fronteira no caso de as Coreias serem reunificadas, por exemplo. / AFP