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Para entender: o cessar-fogo completo aceito por Israel e Hamas

Confira os parâmetros gerais do acordo negociado por meio de conversas indiretas no Cairo e o que será discutido futuramente

Redação Internacional

26 de agosto de 2014 | 20h00

Israel e os palestinos concordaram nesta terça-feira, 26, com um plano mediado pelo Egito para acabar com o conflito na Faixa de Gaza, depois de 50 dias de combates nos quais mais de 2, 1 mil palestinos, a maioria civis, e 69 israelenses – 64 soldados e 5 civis – morreram.

Como parte do acordo, os dois lados concordaram em tratar de questões mais complexas que os dividem via negociações também indiretas daqui a um mês. Entre esses temas estão a libertação de prisioneiros palestinos e as demandas de Gaza por um porto marítimo, por exemplo.

A seguir estão os parâmetros gerais do acordo, que negociadores israelenses e palestinos têm trabalhado por meio de conversas indiretas no Cairo, nas últimas semanas:

MEDIDAS IMEDIATAS

– O Hamas e outros grupos militantes em Gaza concordaram em suspender o lançamento de todos os foguetes e granadas de morteiros contra Israel

– Israel vai suspender todas as ações militares, incluindo ataques aéreos e operações terrestres

– Israel concordou em abrir mais suas fronteiras com Gaza para permitir o fluxo mais fácil de mercadorias, incluindo equipamento de ajuda humanitária e de reconstrução, ao enclave costeiro

– Em um acordo separado, bilateral, o Egito vai concordar em abrir a sua fronteira de 14 quilômetros com Gaza, em Rafah

– A Autoridade Palestina, liderada pelo presidente Mahmoud Abbas, deverá assumir a responsabilidade de administrar as fronteiras de Gaza no lugar do Hamas. Israel e Egito esperam que isso evite a entrada de armas, munições e qualquer produto de “dupla utilização” em Gaza

– A Autoridade Palestina vai coordenar o esforço de reconstrução em Gaza com doadores internacionais, incluindo a União Europeia

– Israel deverá diminuir a área de segurança no interior da fronteira de Gaza, reduzindo para 100 metros, ante 300 metros, se a trégua for mantida. A mudança vai permitir aos palestinos mais acesso a terras agrícolas perto da fronteira

– Israel vai estender o limite de pesca ao longo da costa de Gaza para seis milhas – atualmente são três milhas -, com a possibilidade de alargar o espaço gradualmente se a trégua persistir. Em última análise, os palestinos querem voltar ao limite internacional pleno de 12 milhas

IMPASSES DE LONGO PRAZO

– O Hamas quer que Israel liberte centenas de prisioneiros palestinos detidos na Cisjordânia após o sequestro e assassinato de três seminaristas judeus, em junho. O Hamas inicialmente negou envolvimento nas mortes, mas um alto funcionário do movimento na Turquia admitiu na semana passada a autoria do ataque

– O presidente Abbas, que lidera o partido Fatah, quer liberdade para prisioneiros palestinos presos há um longo tempo cujo processo de libertação foi abandonado após o fracasso das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina

– Israel quer que o Hamas e outros grupos militantes em Gaza entreguem todos os restos mortais e objetos pessoais de soldados israelenses mortos durante a guerra

– O Hamas quer a construção de um porto marítimo em Gaza que permita o transporte de pessoas e bens para dentro e fora do enclave. Israel rejeita o plano há tempos, mas é possível que um progresso possa ser feito em relação ao tema se houver garantia de segurança absoluta

– O Hamas quer o descongelamento de fundos para permitir o pagamento de 40 mil policiais, funcionários do governo e outro pessoal administrativo que estão em grande parte sem salários desde o ano passado

– Os palestinos também querem a reconstrução do aeroporto de Gaza. O Aeroporto Internacional Yasser Arafat foi inaugurado em 1998, mas foi fechado em 2000 depois de ter sido bombardeado por Israel. / REUTERS

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