Para entender: O que as mulheres sauditas ainda não podem fazer
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Para entender: O que as mulheres sauditas ainda não podem fazer

Apesar de terem obtido o direito de dirigir, a população feminina da Arábia Saudita não está autorizada a abrir uma conta no banco ou viajar sem a aprovação de um guardião; veja outras proibições

Redação Internacional

27 Setembro 2017 | 12h38

As mulheres da Arábia Saudita ganharam na terça-feira 26 o direito de poder dirigir um automóvel. Contudo, será necessário um “período de adaptação”, e a liberação só ocorrerá a partir de junho de 2018. O reino saudita, local de nascimento do Islã e regido segundo a lei islâmica (sharia) era o único país que não permitia que as mulheres dirigissem.

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O Relatório Global de Diferenças de Gênero do Fórum Econômico Mundial listou a Arábia Saudita em 141.º lugar dentre os 144 países do ranking de paridade de gênero. Riad ficou à frente apenas de Síria, Paquistão e Iêmen.

O Relatório Global de Diferenças de Gênero do Fórum Econômico Mundial listou a Arábia Saudita em 141.º lugar dentre os 144 países do ranking de paridade de gênero (Foto: AFP PHOTO / Fayez Nureldine)

O Relatório Global de Diferenças de Gênero do Fórum Econômico Mundial listou a Arábia Saudita em 141.º lugar dentre os 144 países do ranking de paridade de gênero (Foto: AFP PHOTO / Fayez Nureldine)

Apesar da vitória, ainda há muitas coisas que as mulheres sauditas não estão autorizadas a fazer, segundo a emissora CNN. Veja abaixo.

O que as mulheres não podem fazer

– Casar, se divorciar, viajar, abrir uma conta no banco ou trabalhar sem a permissão de seus guardiões. Quando o pai já tiver morrido ou estiver ausente, o marido ou parente homem – seja um irmão ou mesmo um filho – precisa autorizar.

– Conviver livremente com homens. Dentre as exceções, estão hospitais, bancos e escolas de medicina. Em 2013, autoridades ordenaram que os lojistas que empregavam homens e mulheres deveriam construir “barreiras de separação” para prevenir que ambos os sexos ficassem juntos.

– Aparecer em público sem usar uma vestimenta que cubra o corpo inteiro.

– Liderar certos negócios sem um padrinho. As mulheres que pretendem abrir seu próprio negócio normalmente precisam recorrer a ao menos dois homens como testemunhas para então receberem a licença.

– Conseguir custódia dos filhos no divórcio depois de eles atingirem uma certa idade (7 anos para os meninos e 9 para meninas).

– Solicitar um cartão de identidade nacional ou passaporte sem a permissão de um guardião.

– Comer em restaurantes que não têm uma área reservada para famílias, local separado de grupos formados apenas por homens.

– Participar de uma audiência justa no tribunal, já que “o testemunho de um homem equivale ao de duas mulheres”.

– Receber uma herança igualitária. Segundo as leis islâmicas, as filhas recebem metade do que é concedido aos seus irmãos.

O que as mulheres podem fazer

– Votar em eleições locais. Em 2015, as mulheres votaram pela primeira vez em eleições municipais e estavam autorizadas a concorrer aos cargos públicos, mas as candidatas não podiam falar com eleitores homens.

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– Ser indicadas para o Conselho Consultivo. Ao menos 17 mulheres foram eleitas em 2015. O rei Abdullah emitiu um decreto em que 20% dos assentos do Conselho deveriam ser destinados a mulheres.

– Obter educação universitária. O governo informou em 2015 que havia mais mulheres nas universidades da Arábia Saudita do que homens.

– Praticar esportes e competir nas Olimpíadas. Nos Jogos Olímpicos de 2012, a Arábia Saudita enviou duas mulheres; em 2016, foram quatro.

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