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PARA LEMBRAR: A captura de Gilad Shalit

Redação Internacional

11 de outubro de 2011 | 15h26

Por Gabriel Toueg

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A mãe do soldado Gilad Shalit (no fundo), Aviva, sorri ao saber do acordo para a soltura

(Atualizado às 19h21) O soldado israelense Gilad Shalit, que tem também cidadania francesa, foi capturado pelo Hamas na fronteira com a Faixa de Gaza, em 2006. Na época, ele tinha 19 anos e servia no Exército israelense como cabo. O militar foi promovido a sargento apesar de estar em cativeiro. Desde então, diversas tentativas têm sido realizadas para alcançar um acordo e libertar o soldado. O Hamas exige que Israel solte até mil palestinos detidos em prisões do país.

Poucos sinais de que Shalit estaria vivo foram divulgados pelo Hamas desde a captura, há quase cinco anos e meio. O último deles, um vídeo de quase três minutos (assista abaixo) foi divulgado em 2009, em troca da soltura de mulheres palestinas. Nas imagens, o soldado aparece com um jornal que circula em Gaza e pede que o governo se esforce para conseguir libertá-lo. Não houve divulgação de novos sinais de que ele estaria vivo desde então. Entidades humanitárias, como a Cruz Vermelha e a Anistia Internacional, não são autorizadas pelo Hamas a visitar o soldado.

Em 2007 o Hamas tomou a Faixa de Gaza depois de ter vencido as eleições contra o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. O Exército israelense havia se retirado do território palestino em 2005, também removendo toda a população civil de assentamentos judaicos no local.

Leia a seguir alguns dos principais momentos do processo para libertar o militar:

2006
25 de junho. O soldado é capturado na Faixa de Gaza em uma operação que deixou dois outros soldados israelenses e dois palestinos mortos.

26 de junho. O Hamas exige a libertação de todas as mulheres e todos os jovens detidos em Israel em troca de Shalit. O então primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, rejeita.

28 de junho. Em uma operação do Exército israelense em Gaza, 60 integrantes do Hamas são detidos, incluindo políticos eleitos do grupo.

26 de novembro. Uma nova incursão de Israel para conseguir resgatar o soldado termina na morte de cerca de 400 palestinos, em sua maioria civis.

2007
9 de janeiro. O Hamas, que não permite o acesso de entidades humanitárias ao soldado, declara que Gilad Shalit passa bem.

25 de fevereiro. O então ministro da Defesa, Amir Peretz, anuncia que Israel mantém negociações secretas para conseguir a libertação de Shalit. Peretz não confirma se as conversações seriam diretas com o Hamas.

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8 de abril. Mediadores egípcios entregam a Israel uma relação com cerca de 1,4 mil nomes que o Hamas exige que sejam soltos em troca de Gilad Shalit. Entre eles aparece o nome de Marwan Barghouti (na foto acima), ativista e líder da Fatah preso em Israel desde 2002 sob acusação de assassinato.

2008
9 de junho. Por intermédio do ex-presidente americano Jimmy Carter, os pais de Shalit, Noam (na foto abaixo, ao lado de cartazes com a foto do soldado) e Aviva, recebem uma carta escrita por ele.

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23 de junho. Quase dois anos após a captura, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, faz um apelo para que o Hamas solte Shalit. O soldado é também cidadão francês.

24 de junho. A Corte Suprema de Israel rejeita um pedido feito pela família de Shalit para que o Exército mantenha o cerco à Faixa de Gaza até que o soldado seja resgatado. Apesar disso, o cerco é mantido, e eventualmente leva à guerra entre Israel e Hamas no final de 2008 e começo de 2009.

4 de setembro. Sarkozy entrega ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, uma carta dirigida ao soldado, escrita pelo pai de Gilad, Noam. A Síria tem fortes laços com o Hamas.

30 de outubro. O Egito, um dos principais moderadores, declara que Shalit passa bem.

2009
10 de fevereiro. Embora tenha vencido as eleições pelo Kadima, a líder do partido, Tzipi Livni, não consegue formar uma coalizão de governo. O líder do Likud, que ficou em segundo lugar, Benjamin Netanyahu, tem mais sucesso e assume como primeiro-ministro.

17 de março. O governo israelense volta a rejeitar as condições exigidas pelo Hamas para conseguir a soltura de Shalit.

21 de abril. Ofer Dekel, israelense que lidera as negociações, renuncia.

29 de abril: O premiê Netanyahu diz estar “comprometido” em levar Gilad Shalit “são e salvo” de volta aos pais.

30 de setembro. Depois de um novo ciclo de negociações mediadas pela Alemanha e pelo Egito, Israel aceita liberar prisioneiras palestinas em troca de um vídeo de Shalit (assista acima).

2 de novembro. Como resultado do acordo, 19 palestinas detidas em Israel são libertadas. Em troca, Israel recebe o vídeo, em que Shalit aparece e pede que o governo se esforce para resgatá-lo.

25 de novembro. Israel rejeita a libertação de comandantes do Hamas como parte de uma troca por Shalit, sinalizando novo impasse nas negociações sobre o soldado.

2010
27 de junho. Os pais de Shalit começam uma marcha de 12 dias desde sua casa, no norte de Israel, em direção à residência oficial do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para pressionar por uma troca de prisioneiros. A partir de então passam a morar em uma tenda no local, que reúne apoiadores e manifestações.

3 de agosto. Às vésperas do ramadã, Noam Shalit, pai do soldado, faz um apelo “ao povo palestino, povo muçulmano, nossos vizinhos e às famílias dos prisioneiros palestinos” ao ler uma carta em um hotel de Jerusalém oriental. Na ocasião, ele respondeu a um jornalista sobre a alegação de que a soltura de mil prisioneiros palestinos em troca do filho poderia colocar em risco centenas de civis israelenses, Noam disse, em tom de cansaço: “Sou apenas o pai de um soldado capturado. Não lido com assuntos do Oriente Médio. É responsabilidade do governo israelense cuidar para que o terrorismo não volte”.

27 de setembro. Brasileiros que vivem em Israel assinam uma petição e fazem um protesto diante da tenda da família Shalit em Jerusalém pedindo a interferência do governo Lula na libertação do militar. Na foto abaixo, brasileiros ao lado do pai do soldado, Noam Shalit.

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2011
3 de outubro. Centenas de prisioneiros palestinos iniciam uma greve de fome em prisões israelenses para protestar contra as condições carcerárias. Israel aumentou as restrições sobre detentos palestinos para pressionar pela libertação de Shalit.

11 de outubro. O governo de Israel e o Hamas anunciam um acordo para a troca de Shalit e por mil prisioneiros palestinos.