Paris faz nova tentativa de dar adeus aos ‘cadeados do amor’ nas pontes
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Paris faz nova tentativa de dar adeus aos ‘cadeados do amor’ nas pontes

Prefeitura da 'cidade luz' instalará painéis e marcas viárias sobre várias pontes, mas sobretudo na Pont Neuf, para evitar a instalação de novos cadeados por casais; 'pessoas podem se declarar de outra forma', diz vice-prefeito

Redação Internacional

15 Agosto 2016 | 12h11

PARIS – A luta de Paris para acabar com os “cadeados de amor” que os casais penduram para expressar seu sentimento nas pontes que atravessam o Rio Sena foi reforçada com uma nova campanha que insiste tanto na segurança como no respeito ao patrimônio. A iniciativa prevista pela prefeitura parisiense, segundo anunciou o vice-prefeito, Bruno Julliard, contempla a instalação de painéis e marcas viárias sobre várias pontes, mas sobretudo na Pont Neuf.

Depois que a famosa Pont des Arts sofreu o desmoronamento de uma de suas grades em 2014, a prefeitura tirou as 70 toneladas de cadeados que esta sustentava e instalou em seu lugar barreiras de vidro que impedem a possibilidade de pendurar qualquer artefato.

Prefeitura de Paris lança nova iniciativa para acaba com os 'cadeados do amor' nas pontes sobre o Rio Sena, em Paris

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Mas isto não impediu os apaixonados de seguir expressando o amor, já que a tradição mudou para um local a 400 metros de distância, na Pont Neuf, e a expandida para outras, como a do poeta Léopold Sédar Senghor e a do Arcebispo, situada diante da catedral de Notre Dame.

Feito que é apoiado pelos vendedores ambulantes, que veem possibilidades de negócio com os cadeados e incentivam sua compra. Um deles, Hamza, declarou que a atitude não prejudica ninguém. “Estas pontes são de pedra e ferro, não há perigo. Que a prefeitura deixe as pessoas expressarem seu amor como quiserem. Há turistas que vêm de muito longe já com seu cadeado gravado para pendurá-lo aqui.”

A campanha de dissuasão com sinais e cartazes, em inglês e francês, tentará convencer os amantes com palavras de ordem como “Não aos cadeados, Paris agradece” ou “Declare seu amor de outro modo”. Outras medidas serão tomadas a partir de setembro, em reunião com as equipes técnicas e arquitetos do patrimônio que avaliarão possibilidades para que isso não volte a ocorrer.

“Paris é uma cidade muito romântica e particularmente o Sena e suas pontes, mas é preciso proteger também o patrimônio. As pessoas podem se declarar de outra forma, não precisam de cadeado”, opinou Julliard. Os cadeados, na opinião do vice-prefeito, não só tapam a vista sobre o Sena, “uma das mais belas do mundo segundo a Unesco”, mas seu peso acarreta problemas de segurança.

María e Ángel, dois madrilenos que puseram seu cadeado do amor durante sua visita em Paris, não gostaram dessa decisão. “Se é por algo estético não estou de acordo. Ao contrário, acredito que tem mais encantamento com eles. Mas, se é por segurança e preservação, então me parece ok”, disse o casal, que afirmou ainda que as autoridades devem mudar as grades “a cada período de tempo, como fazem em outras cidades”.

Não é conhecida muito bem a origem desta tradição que prolifera em muitas capitais, embora em Paris tenha virado moda em 2008, por causa do romance “Ho voglia di te” (“Tenho vontade de ti”, em tradução livre) de Federico Moccia, no qual os personagens principais colocavam um cadeado na Ponte Milvio de Roma para imortalizar seu amor.

Alguns dos que se deixam levar por essa moda, como um casal de Ciudad Real que visita a capital francesa pela primeira vez, dizem fazer isso “um pouco por inércia”. “É uma demonstração de amor à pessoa que amo, mas está claro que para mostrar meu amor não é necessário pôr um cadeado. Basta dizer o que sinto e expressar com meus atos dia a dia”, acrescentou o rapaz em um comentário que lhe valeu um beijo. / EFE

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