Partido britânico também quer proibir a burca
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Partido britânico também quer proibir a burca

Luiz Moncau

18 de janeiro de 2010 | 07h00

Muçulmana com o rosto coberto pela burca (Foto: Getty Images)

Muçulmana com o rosto coberto pela burca (Foto: Getty Images)

Depois da iniciativa na França – onde o presidente Nicolas Sarkozy sugeriu a proibição de seu uso em escolas, hospitais e prédios públicos -, a burca, lenço que cobre totalmente o rosto das mulheres muçulmanas (apenas os olhos ficam à vista), entrou na mira do Partido da Independência da Grã-Bretanha (UKIP, na sigla em inglês), de tendência direitista.

O líder do partido, Lorde Pearson de Rannoch, afirmou ajornais britânicosque o UKIP está estudando medidas legais para proibir o uso da burca em território nacional. O UKIP ganhou projeção em junho, quando obteve 16% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu, apesar de suas posições críticas à União Europeia.

Lorde Pearson argumenta que o uso da vestimenta muçulmana é incompatível com os valores de liberdade e democracia da sociedade britânica. “A burca é uma ameaça à igualdade de gêneros e um acessório que marginaliza as mulheres muçulmanas”, afirma o líder do UKIP.

O tema ganhou repercussão com o aumento da população muçulmana no país, disseminando hábitos até então tolerados pela sociedade britânica. Para ganhar apoio à iniciativa, que deve ser consolidada com a proposta de um projeto de lei na Câmara dos Comuns, Lorde Pearson evocou o argumento que mais irrita os muçulmanos radicados na Grã-Bretanha: o da segurança nacional.

Segundo ele, a burca é útil para ajudar terroristas a esconder seu rosto em locais públicos onde estejam planejando algum atentado, como aeroportos e estações de metrô.

Outra agremiação direitista, o Partido Nacional Britânico, já havia proposto restrição do uso da burca, mas apenas em escolas públicas. O UKIP quer banir o seu uso em todo o território britânico.

A proibição da burca também é discutida na França, após declarações polêmicas propondo seu banimento por parte do presidente Sarkozy. Mas a discussão continua emperrada em meio a entraves jurídicos e temor de virar uma lei que, na prática, não será cumprida. (Daily Telegraph)

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