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Perfil: Ledezma, um político na mira do chavismo

Opositor passou a denunciar o governo venezuelano quando assumiu a prefeitura de Caracas

Redação Internacional

20 de fevereiro de 2015 | 12h51

CARACAS – O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, preso na quinta-feira acusado de participar de um plano de golpe de Estado, é um político que surgiu no tradicional partido Ação Democrática (AD) e há tempo está na mira do governo chavista. O AD e a Comissão de Organização Política Eleitoral (Copei) eram os dois partidos conservadores que se revezaram no poder entre 1958 e início dos anos 1990.

Ledezma nasceu em 1.° de maio de 1955 em San Juan de los Morros, no Estado de Guárico. Casado duas vezes e com quatro filhos, o político foi deputado da Assembleia Legislativa de seu Estado natal em 1979 pela coligação dos dois partidos, conhecida como “Adecos”.

No começo dos anos 1980, o político se mudou para Caracas para estudar Direito na Universidade Santa María. Em 1984, conseguiu ocupar uma cadeira no extinto Congresso Nacional, onde presidiu diversas comissões, como a que escreveu o Projeto de Lei Antidrogas. Foi reeleito em 1989.

Em janeiro de 1992, foi designado pelo então presidente venezuelano, Carlos Andrés Pérez, como governador do então chamado Distrito Federal de Venezuela, integrado por Caracas e o Estado de Vargas. Com a movimentação política que encerrou o mandato de Pérez, Ledezma foi destituído.

Em 1994, foi eleito por voto popular para o Senado. Dois anos depois e até 2000 foi o prefeito de Libertador, a maior das cinco cidades que integram a capital. O político foi reeleito e se tornou o último prefeito opositor de uma cidade que desde então se mantém fiel ao chavismo.

Em 2000, Ledezma deixou o AD por não concordar com os métodos de seleção das autoridades partidárias e fundou o partido Aliança Bravo Povo (ABP), que preside até hoje.

Em 2008, o político se lançou candidato à prefeitura de Caracas, cargo criado pela nova Constituição de 1999, aprovada pela maioria chavista, e venceu, ganhando notoriedade dentro do movimento opositor ao chavismo.

Como prefeito de Caracas, Ledezma denunciou que o Executivo nacional desviava recursos.

Reeleito em dezembro de 2013, o político liderou, junto com Leopoldo López e María Corina Machado, um movimento chamado “A Saída”, que realiza atividades de rua e protestos não violentos pedindo mudanças no governo – ação que o Executivo vê como tentativa de desestabilização.

Ledezma passou então a ser citado frequentemente pelo chavismo, que não hesita em acusá-lo de golpista. O político opositor, por outro lado, acusa o governo de Nicolás Maduro de “violar” os direitos humanos.

A última acusação contra Ledezma ocorreu há uma semana, quando o governo o vinculou ao suposto plano de golpe de Estado elaborado por integrantes da Força Aérea venezuelana. /EFE

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