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PERFIL: Tabaré Vázquez – socialista quer voltar à Presidência

Ex-presidente está diante de uma eleição mais complicada, com adversários crescendo nas pesquisas

Redação Internacional

22 de outubro de 2014 | 18h10

Ariel Palacios, correspondente / Buenos Aires

Uma lenda circula há décadas no bairro operário La Teja, em Montevidéu, que indica que o jovem Tabaré Vázquez, ao ver sua mãe sofrendo terríveis dores em razão de um câncer, prometeu estudar Medicina e combater essa doença (que também vitimou o pai, uma irmã e um irmão).

Nos anos 60, no meio do curso de medicina, Vázquez decidiu abrir uma clínica gratuita para atender a população carente do bairro. Pouco depois, acrescentou um refeitório popular para alimentar crianças pobres.

Vázquez, que militava no Partido Socialista, transformou-se gradualmente em um dos principais líderes da esquerda. Seus críticos sustentam que simultaneamente à carreira política, Vázquez, como oncologista, fez uma grande fortuna, e sua residência está bem distante de suas origens operárias.

Em 1989, foi eleito prefeito de Montevidéu, constituindo a primeira grande vitória eleitoral da Frente Ampla. Em 1994, disputou eleições presidenciais, ficando em terceiro lugar.

Em 1999, foi candidato novamente. No primeiro turno foi o mais votado. Mas no segundo foi derrotado por uma inesperada aliança entre os partidos Colorado e Nacional.

Em sua terceira tentativa, em 2004, venceu e tornou-se presidente. Durante seu governo – com a economia em crescimento – passando por cima do Mercosul, tentou um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, sem sucesso.

Em 2010 entregou o poder a José Mujica, colega da Frente Ampla. Cinco anos depois, Vázquez, com 74 anos quer voltar à presidência. Os analistas o definem como um socialista “light” e “amigável com os mercados”.

Mesmo tendo sido o primeiro governante de esquerda do Uruguai, desta vez a eleição tem um cenário diferente, Sua experiência e prestígio serão explorados ao máximo diante do crescimento de seus adversários mais próximos.

Imperturbável, seguro de si e das possibilidades de seu partido e mantendo distância de seus rivais – negou-se a debater com eles durante toda a campanha -, Vázquez centrou sua candidatura nas conquistas obtidas pelo páis nos últimos anos de governo da FA e no medo que um triunfo da oposição de direita poderia representar para os projetos nos quais o país está embarcado.

Considerado um candidato imbatível pelo partido que representa, após ter deixado a presidência do país com uma popularidade de 80%, nem ele nem seu entorno deram muita atenção ao crescimento dos rivais.

Vázquez ofereceu aos eleitores continuidade, assegurando que deixará a economia no mesmo rumo dos últimos dez anos, e alguma tênue reforma em políticas educativas e de segurança, os dois temas que mais preocupam os cidadãos. / Com EFE

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