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Perguntas e respostas: anatomia de um fracasso eleitoral no Reino Unido

Tire suas dúvidas sobre o que acontece agora com o processo político britânico

Redação Internacional

09 de junho de 2017 | 21h20

1.O que é um Parlamento Suspenso?
É o resultado de uma eleição geral na qual nenhum dos partidos obtém a maioria de 326 deputados para formar governo. Como os separatistas do Sinn Fein, na Irlanda do Norte, boicotam o Parlamento, na prática esse número é menor, dependendo da quantidade de deputados que eles elegem. Neste ano, o Sinn Fein obteve 7 assentos, o que reduziria a maioria para 319, um deputado a menos do que o número eleito pelos conservadores. Nessas circunstâncias, o partido com mais eleitores tenta formar uma coalizão. Isso ocorreu em 2010 e 1974.

2.May pode renunciar?
Sim, se ela fracassar na formação de um governo de minoria, pressões políticas dentro e fora do Partido Conservador podem levar à renúncia. Isso ocorreu em 1974, quando o premiê Edward Heath não conseguiu o apoio dos liberal-democratas e renunciou, abrindo caminho para um governo trabalhista, confirmado posteriormente com uma segundo eleição.

Um dos problemas de Theresa May na campanha foi que ela se esquivou dos eleitores, organizando pequenos comícios, enquanto seu rival discursava para milhares de pessoas (Foto: EFE/Andy Rain)

Um dos problemas de Theresa May na campanha foi que ela se esquivou dos eleitores, organizando pequenos comícios, enquanto seu rival discursava para milhares de pessoas (Foto: EFE/Andy Rain)

3.Por que é considerada uma derrota para May se seu grupo ainda é o maior?
Porque May tinha 20 pontos porcentuais de vantagem sobre o trabalhista Jeremy Corbyn quando convocou a eleição. Seu partido tinha 330 das 650 cadeiras e esperava chegar a 400. Ela perdeu a maioria no Parlamento e agora se viu obrigada a negociar uma coalizão de minoria com os unionistas da Irlanda do Norte.

4.Se ela já tinha maioria, porque tentou ampliar a base?
Porque May pretendia negociar o chamado “Brexit duro”, com poucas concessões à União Europeia no acordo de saída. Isso só seria possível politicamente com um respaldo em massa nas urnas e uma base no Parlamento com folga suficiente para evitar que vozes dissonantes dentro do próprio bloco conservador pudessem atrapalhar determinados pontos da negociação com Bruxelas. Uma votação expressiva fortaleceria as exigências de May diante dos interlocutores da UE. Por isso, ela organizou boa parte da campanha em torno do Brexit.

5.Como fica a negociação do Brexit agora?
De início, a saída do Reino Unido da União Europeia não é colocada em dúvida. Mas as propostas do governo sim, sem falar do calendário de negociações, que May queria acelerar. Além disso, sem uma maioria absoluta, a premiê terá mais dificuldade para formar seu governo, o que poderia atrasar os diálogos com Bruxelas, marcados para começar no dia 19.

6.Porque analistas consideram remotíssima a chance de alguém com perfil de Corbyn chegar a primeiro-ministro, apesar de ele ter aumentado expressivamente o número de cadeiras?
Porque Corbyn é um outsider dentro do próprio Partido Trabalhista e alinhado à extrema esquerda da legenda. Sua ascensão à liderança ocorreu na esteira do choque com a vitória do “sim” no referendo sobre o Brexit e muitos dos líderes do establishment trabalhista, segundo analistas, apostavam secretamente em sua derrota na eleição de quinta-feira para derrubá-lo.

7.Que influência pode ter a agenda dos ultraconservadores irlandeses no cotidiano dos britânicos?
O DUP – Partido Unionista Democrático – defende o ensino do criacionismo nas escolas e outras pautas bastante conservadoras. May pretende mantê-los como aliados, mas sem uma coalizão formal de governo, na qual teriam algum posto no gabinete. Assim, eles negociariam caso a caso seu apoio aos projetos dos conservadores.

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