Perguntas e Respostas: As chaves do conflito na Catalunha
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Perguntas e Respostas: As chaves do conflito na Catalunha

Desde 2012, as pessoas que apoiam a independência realizam em Barcelona manifestações pacíficas que estão entre as maiores da Europa

Redação Internacional

27 Setembro 2017 | 05h00

1.O que é a Catalunha?
É uma das 17 regiões autônomas da Espanha, situada no nordeste do país, com 7,5 milhões de habitantes. A Catalunha representa quase 1/5 da produção espanhola, algo equivalente a toda a economia portuguesa, e lidera o desenvolvimento econômico espanhol desde a Revolução Industrial.

 

Separatistas defendem plebiscito em Barcelona. Foto: Pau Barrena/AFP

2. O que vai acontecer no domingo?
Os catalães foram convocados para votar em um plebiscito que foi declarado ilegal pelo governo em Madri, o qual  conta com o apoio dos tribunais, mas que cumpre uma promessa da coalizão de partidos separatistas que governa a Catalunha desde 2015. Este mês, deputados separatistas aprovaram leis regionais para facilitar o plebiscito e pôr em prática seu resultado, mesmo depois de serem advertidos pelo governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy de que tal legislação violaria a Constituição espanhola e Madri usaria todos os meios possíveis para impedir a realização do plebiscito. O Tribunal Constitucional suspendeu a lei, mas o governo catalão avançou nos preparativos para votação. Em resposta, Madri tomou várias medidas – com o apoio da polícia e dos tribunais – para impedir o plebiscito e punir seus organizadores.

3. Afinal, o referendo vai ou não vai ser realizado?
Carles Puigdemont, líder da Catalunha, prometeu este mês que a região votaria em condições normais, como em  eleições anteriores. No entanto, a resposta de Madri foi contundente o bastante para inviabilizar um plebiscito em  tais condições. Na verdade, não está claro se e como as pessoas vão votar no domingo, especialmente porque a polícia espanhola pode impedir as pessoas de entrarem nas seções eleitorais.

Caso as cédulas sejam preenchidas e depositadas nas urnas, o Parlamento regional se comprometeu dar efetividade ao resultado dentro de 48 horas, o que poderia transformar qualquer tipo de aprovação a uma república catalã em uma declaração unilateral de independência. No entanto, de acordo com a lei espanhola, o governo nacional ainda poderia invocar poderes de emergência para assumir total controle administrativo sobre a Catalunha.

4. A maioria dos catalães apoia a independência?
Em junho de 2012, 51,1% dos entrevistados de uma pesquisa disseram que queriam independência, de acordo com o  Centro de Estudos de Opinião, instituto de pesquisas da Catalunha. Os separatistas então consolidaram seu poder em setembro de 2015, conquistando a maioria dos assentos no Parlamento regional, embora apenas 48% dos eleitores tenham votado nos partidos separatistas.

Pesquisas de opinião mais recentes revelaram apoio à independência, mas também confirmaram que a maioria dos catalães quer que seja realizado um referendo sobre a questão do Estado – independentemente do resultado. Em meio à crescente tensão política, os resultados das pesquisas de opinião foram apertados. Ainda assim, políticos e sociólogos concordam que cerca de metade dos eleitores que votaram em partidos separatistas em 2015 não apoiaram a separação uma década atrás.

5. O que vai acontecer depois da votação?
Ninguém se arrisca a dar palpites sobre as consequências desse plebiscito. Cinco anos atrás, a Espanha se encontrava em profunda crise financeira, e os políticos em Madri e Barcelona discutiam menos a soberania e mais o dinheiro e as contribuições fiscais da Catalunha para as regiões mais pobres. Ainda assim, a liderança separatista catalã diz que não vai voltar à mesa de negociações para discutir apenas finanças. E qualquer reviravolta sobre a independência pode romper a frágil coalizão governamental da região, que depende do apoio de um pequeno partido de extrema esquerda.

A situação política em Madri também é muito mais complicada hoje do que na época do último plebiscito sobre a independência. Em 2014, o Partido Popular de Rajoy tinha maioria parlamentar e sua sobrevivência política não estava em jogo. Mas, desde o fim de 2016, o primeiro-ministro comanda um governo minoritário. Uma crise territorial cada vez mais aguda poderia induzir os partidos da oposição a forçarem sua queda.

O desafio mais urgente, no entanto, poderia vir das ruas de Barcelona. Não está claro como os catalães irão reagir caso Madri ordene uma nova repressão. Desde 2012, as pessoas que apoiam a independência realizam em Barcelona manifestações pacíficas que estão entre as maiores da Europa. Mas as tensões estão chegando a um ponto de ebulição, e Madri recentemente enviou milhares de policiais para a Catalunha, à espera da votação.