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Perguntas e Respostas: Cúpula deixou muitas questões

Qual é o melhor e o pior cenário a se esperar do compromisso entre Donald Trump e Kim Jong-un?

Redação Internacional

14 Junho 2018 | 05h00

Qual é o melhor e o pior cenário a se esperar do compromisso entre Donald Trump e Kim Jong-un? E como é possível ter certeza de que a Coreia do Norte estará realmente se desnuclearizando? O histórico encontro de terça-feira em Cingapura entre os dois líderes deixou muitas questões em aberto.

 

1. Entre Trump e Kim, quem conseguiu o melhor acordo?
Ambos conseguiram coisas que desejavam. Trump parece ter afastado a ameaça de guerra e se qualificado como pacifista. Mas Kim venceu – conseguiu a suspensão das manobras militares americanas, passou a ter status internacional, melhorou as relações com a China e a Coreia do Sul e as conversações sobre o alívio das sanções ficaram mais substanciais.

2. Quais as chances de as Coreias se reunificarem?
São maiores hoje do que há um ano. Mas a reconciliação entre os dois sistemas políticos ainda parece distante. É provável que transcorram décadas de integração econômica e cultural antes que a unificação se torne possível.

3. Em que mudarão as relações entre os EUA e a Coreia do Sul?
Até agora, Trump e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, estão alinhados. Há ainda alguns detalhes em aberto sobre a decisão de Trump de suspender os “jogos de guerra” na Coreia do Sul. Mas, embora Trump tenha falando em reduzir o deslocamento de forças para o exterior, ele disse que, quanto à Coreia do Sul, nada está sendo discutido.

4. O que ficamos sabendo sobre Kim que não sabíamos, com base em sua presença na cúpula?
Vemos que Kim ficou muito mais aberto sobre suas aparições em público. Passou mais de duas horas circulando por Cingapura e aparentemente gostou de ver essas imagens exibidas na Coreia do Norte.

5. Dá para se ter certeza de que a Coreia do Norte vá realmente se desnuclearizar?
Essa talvez seja a maior das muitas dúvidas. Não apenas não houve menções a verificação e inspeção no comunicado, mas os dois lados não estabeleceram o que significa desnuclearização.

6. Desnuclearização à parte, qual seria o resumo do que foi acertado na cúpula e em que devemos estar atentos nos próximos meses?
O comunicado conjunto tem quatro pontos principais: o estabelecimento de um novo relacionamento entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte; a construção de um regime de paz estável e duradouro; a reafirmação pela Coreia do Norte de seu compromisso com a “desnuclearização completa”; e a repatriação de restos de americanos mortos na guerra. Há também, claro, a decisão de Trump de suspender exercícios militares.

7. Trump ou Kim disseram alguma coisa sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte? Como a reaproximação afetará os norte-coreanos comuns?
Essa questão leva a algumas mudanças verificadas nas entrevistas de Trump após a assinatura do acordo com Kim. Primeiro, ele admitiu que direitos humanos não foram um grande tópico levantado no encontro. Depois, quando pressionado a avaliar se havia traído os prisioneiros políticos no gulag norte-coreano, Trump sugeriu que a melhoria das relações ajudaria esses prisioneiros.

8. Quem tornou possível essa cúpula, e por que o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, não foi convidado a participar?
Muitos merecem crédito por fazer a reunião acontecer. Kim e Trump, obviamente; mas Moon teve um papel-chave em abrir o diálogo e manter as coisas nos eixos depois que Trump anunciou no mês passado o cancelamento da reunião. China e Cingapura proporcionaram um estratégico apoio logístico.

9. A cúpula representará uma mudança no jogo político para a Ásia e para o restante o mundo? Quais os países que mais dependem de um acordo de paz concreto?
Mais que mudar o jogo mundial, a cúpula foi um avanço no modo como os EUA e a Coreia do Norte passam a dialogar. A abertura de canais de comunicação pode minimizar o risco de erros de cálculo e julgamento. As Coreias do Norte e do Sul são os países que mais se beneficiariam de um acordo de paz. A China, vizinha, provavelmente vem em seguida.

10. Que dizem os analistas sobre a possibilidade de Trump (ou Kim) ganhar o Nobel da Paz?
Moon diz que Trump merece. Outros acham que quem merece é o próprio Moon, por empurrar Trump e Kim para a paz quando os dois ainda estavam se ameaçando com uma guerra nuclear. Outros acham que é melhor não falar no assunto enquanto não houver um acordo de paz de facto.

11. Por que demorou tanto para levar a Coreia do Norte à mesa de negociação? Qual o melhor e qual o pior cenário a se esperar?
A Coreia do Norte resistiu por anos a conversações por não aceitar as pré-condições dos EUA – principalmente um comprometimento claro com um programa de inspeção e verificação. Mas há muito o país queria um encontro com um presidente americano. A decisão de Trump de se reunir com Kim mesmo sem estar aberto o caminho para a desnuclearização removeu os obstáculos. O melhor cenário é que os dois países comecem a conversar, com a Coreia do Norte decidindo que os EUA não mais a ameaçam e começando a se desfazer de seu arsenal. O pior é os EUA acharem que a Coreia do Norte não está cooperando e voltarem a ameaçar com guerra.

12. Após tantos testes nucleares e de mísseis, parece que Kim Jong-un subitamente resolveu dar mostras de querer a paz. Por que essa mudança?
Não se conhece muito sobre a Coreia do Norte para se explicar plenamente as motivações de Kim. Mas os norte-coreanos vêm através dos anos, competentemente, executando um jogo de exacerbar e afrouxar tensões para assinalar suas necessidades. Agora que Kim tem a bomba de hidrogênio e mísseis para jogá-la nos EUA, ele diz que não precisa fazer mais testes e pode dedicar mais recursos à economia. De resto, ao chegar ao poder, em 2011, Kim prometeu desenvolver a economia de seu país. Está atrasado. / W. POST – TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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