Perguntas e Respostas: Pressão contra Maduro
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Perguntas e Respostas: Pressão contra Maduro

Autoridades americanas esperam que, aumentando a pressão contra Maduro, conseguirão extinguir o que resta do apoio de que ele ainda desfruta entre a população e também no Exército

Redação Internacional

26 Agosto 2017 | 05h00

1. O que levou o governo Trump a adotar medida tão severa?
Os EUA estão cada vez mais preocupados que o governo Maduro queira estabelecer uma ditadura no país. O limite foi ultrapassado quando uma decisão da Tribunal Superior venezuelano retirou em março todos os poderes do Congresso controlado pela oposição. Embora a decisão tenha sido revogada em meio a uma avalanche de críticas internacionais, o abuso de poder desencadeou meses de protestos e represálias do governo, com a morte de 125 pessoas.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

2. Qual será o impacto sobre o governo Maduro?
As autoridades americanas esperam que, aumentando a pressão contra Maduro, conseguirão extinguir o que resta do apoio de que ele ainda desfruta entre a população e também no Exército, um apoio importante e, historicamente, árbitro das disputas políticas na Venezuela. As sanções tornarão mais difícil e caro para a Venezuela obter os financiamentos necessários, aumentando a possibilidade de o país deixar de pagar sua dívida externa. O governo e a PDVSA têm US$ 4 bilhões de dívidas a serem pagas que devem vencer no fim do ano e suas reservas internacionais são de apenas US$ 9,7 bilhões, a maior parte em lingotes de ouro que são difíceis de ser negociados imediatamente e transformados em dinheiro.
Até agora o país tem procurado resgatar suas dívidas, dando prioridade aos pagamentos de títulos em mãos de credores estrangeiros, apesar de a população sofrer com a falta de alimentos e remédios. Além disso, a Venezuela conta com aliados como Rússia e China. No passado, os dois países ajudaram com financiamento, embora sob condições cada vez mais rigorosas, exigindo que a Venezuela oferecesse como garantia suas enormes reservas de petróleo e também 49% da sua participação na Citgo.

3. As sanções afetarão o setor petrolífero dos EUA?
Refletindo o intenso lobby por parte do setor petrolífero dos EUA, a decisão tomada não interrompe as importações pelos EUA de petróleo venezuelano, cruciais para a economia venezuelana e para as refinarias americanas. Mas ao tornar mais difícil para Caracas levantar empréstimos, a produção de petróleo, já no seu mais baixo patamar em mais de duas décadas, deve cair ainda mais. As fornecedoras de serviço estrangeiras que ainda operam na Venezuela também devem achar que o risco financeiro e para sua reputação, se continuarem a negociar com Maduro, aumentará muito.

4. O que as sanções significam para o cidadão comum da Venezuela?
Essa é a primeira vez que os EUA focam explicitamente a economia da Venezuela como um todo, apesar de não estar claro o quão rapidamente as sanções serão sentidas pelos cidadãos. O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, afirmou que as medidas não têm por objetivo aumentar ainda mais a agonia do povo. Mas com a economia já cambaleando em razão da escassez generalizada, uma inflação que já alcançou três dígitos e uma recessão similar à da Grande Depressão, mais cedo ou mais tarde, essas sanções surtirão efeito. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

 

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