‘Perseguidos pelos EUA’, representantes de Coreia do Norte e Venezuela falam em Salvador
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‘Perseguidos pelos EUA’, representantes de Coreia do Norte e Venezuela falam em Salvador

Embaixador norte-coreano lembra que desde os anos 90 os EUA tentam intimidar seu país e diplomata da Venezuela diz que toda a América Latina deve ir contra o imperialismo americano

Redação Internacional

27 Setembro 2017 | 22h15

Cleusa Duarte, Especial para o Estado

Com seu país envolvido em uma escalada de ameaças com os EUA, o embaixador da Coreia do Norte no Brasil, Kim Chol-hak, fez no dia 18 uma palestra no auditório da Unijorge, em Salvador. O assunto foi a política externa norte-coreana e o armamento testado recentemente, em provocação a países vizinhos. O embaixador lembrou a história de imperialismo japonês e americano, nos séculos passados, contra a Coreia do Norte.

Alegou ainda que, desde os anos 90, os americanos tentam intimidar a Coreia do Norte com seus exercícios militares com a Coreia do Sul e envio de armamento ao governo de Seul. “Somos um país pequeno, com uma população pequena. Desde a 1.ª Guerra somos ameaçados com armas nucleares. O armamento que os EUA investiram na Coreia do Sul é forte”, disse o embaixador. Ele garantiu ainda que seu país não está ferindo nenhum acordo ou tratado internacional. “Saímos do bloco dos países que assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear, nos anos 90. Não estamos infringindo regras.”

Kim se queixou ainda das sanções econômicas que seu país vem sofrendo: “Embargo econômico e sanções punitivas de países até então aliados, como a China, que não compram mais nossos principais produtos – peixe, carvão e ferro”.

Porta-aviões americano no porto sul-coreano de Busan. Reuters

Sobre a energia nuclear, ele diz que foram propostas ajudas iniciais da antiga União Soviética e China, mas as usinas não foram entregues a seu país, então eles resolveram seguir sozinhos com o investimento. “Os EUA também prometeram nos ajudar, mas em 5 anos não tinham terminado o serviço. Até quando os EUA vão continuar querendo impor  o que o nosso país tem de fazer?”, questionou.

No dia 19, foi a vez do diplomata venezuelano Gerardo Delgado Maldonado reclamar da ação americana. “Nenhuma revolução ou conquista pode ser realizada sozinha. Penso que ir contra o imperialismo americano é uma questão que envolve toda a América Latina”, afirmou.

A professora Juliette Rochifez disse ao convidado que a Venezuela “tem 600 presos políticos, passa por uma crise econômica grande, possui sistema de saúde educação falidos e notícias sobre perseguição a empresários estão sendo citadas”. O embaixador respondeu que “é difícil lidar em pouco tempo com a crise provocada pelo preço do petróleo e enfrentar uma forte oposição no país, mas que esses problemas devem ser contornados.”

O auditório Zelia Gattai tem capacidade para 300 pessoas e o objetivo do evento, segundo os organizadores, era a participação apenas de alunos, mais especificamente de Relações Internacionais. As outras universidades que participaram dos “debates”, além da Unijorge, foram Universidade Federal da Bahia, (UFBA), Rui Barbosa e Batista. No próximo mês, as palestras continuam com representantes do Saara Ocidental.

“É um evento importante, autoridades de países com outra linha de pensamento estão aqui dando suas versões e nós podendo fazer nossas perguntas. É certo que algumas eles não respondem. Mas é uma experiência rica”, disse a estudante Vitória Catharino, do 4.º semestre de Relações Internacionais, da Unijorge.