Pioneira concluiu volta ao mundo em 72 dias
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Pioneira concluiu volta ao mundo em 72 dias

Em 1889 a jornalista americana Nellie Bly percorreu o planeta em tempo recorde, contrariando a afirmação de seu editor no extinto jornal New York World, Joseph Pulitzer, de que "apenas um homem seria capaz" de tal feito; filme sobre ela será lançado no Brasil

Redação Internacional

11 de novembro de 2015 | 07h00

“Apenas um homem seria capaz de fazer isso”, disse, em 1886, o editor do extinto jornal New York World, Joseph Pulitzer, quando uma de suas repórteres sugeriu reproduzir a famosa viagem de volta ao mundo em 80 dias de Phileas Fogg, personagem da obra de Júlio Verne. Joseph acreditava que ela precisaria de um guarda para acompanhá-la e seria impossível, de qualquer forma, transportar toda a bagagem que uma mulher normalmente carrega.

A pioneira Nellie Bly

A pioneira Nellie Bly

Nellie Bly, jornalista americana nascida na Pensilvânia, não chegou a pensar muito nesses detalhes: com uma única mala de viagem, um sobretudo resistente e uma pequena bolsa pendurada no pescoço para guardar dinheiro, dois anos mais tarde ela percorreu o planeta em 72 dias, um recorde para a época, que ela concluiu no dia 14 de novembro de 1889. Ao partir de New Jersey no navio a vapor Augusta Victoria, Bly visitou países como a França – onde conheceu Júlio Verne pessoalmente -, o Canal de Suez, no Egito, e alguns territórios asiáticos.

A viagem virou um newsgame na capa do New York World, que transformou a volta ao redor mundo em um jogo de tabuleiro.

A capa do New York World

A capa do New York World

Ao se mudar com a família para Pittsburgh quando ainda era adolescente, uma coluna machista publicada no jornal local foi suficiente para lhe causar desconforto. Com uma carta anônima, sua réplica impressionou o editor, que a convidou para escrever no periódico, onde acabou conseguindo seu primeiro emprego e o pseudônimo Nellie Bly no lugar de Elizabeth Cochrane, seu nome de nascença.

Suas primeiras reportagens discutiam, por exemplo, a situação profissional das mulheres e a rotina de famílias mexicanas – aos 21 anos ela tomou a iniciativa de viajar para o México, onde passou seis meses. Um ano antes de dar a volta ao mundo, ela fingiu ter problemas mentais na frente de psiquiatras só para conseguir ser internada no Sanatório de Mulheres na Ilha Blackwell, onde investigou casos de maus-tratos e negligência contra as pacientes.

Caldo de sopa de aveia, carne estragada, pão seco e água suja era o que basicamente serviam no hospício, como Bly narrou, ao ser liberada após dez dias, na reportagem que a tornaria famosa. Mais tarde transformada em livro, Ten Days in a Mad-House também é o título do novo longa-metragem sobre seus dias vividos no sanatório, previsto para estrear nos Estados Unidos ainda este mês.

Veja abaixo o trailer do filme:

Procurada pelo Estado, uma das produtoras do filme, Susan Goforth, informou que o filme será lançado oficialmente nesta quarta-feira, 11, em Nova York, e no dia 20 nos EUA. Ela confirmou que ele virá também para o Brasil, mas ainda não há uma data definida. / Colaborou Humberto Abdo, especial para o Estado 

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