Polônio, a substância radioativa altamente tóxica que matou o espião Litvinenko
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Polônio, a substância radioativa altamente tóxica que matou o espião Litvinenko

Primeiro elemento descoberto, em 1898, pela física francesa de origem polonesa Marie Sklodowska-Curie é considerado o mais raro dos elementos naturais

Redação Internacional

21 Janeiro 2016 | 15h37

LONDRES – Segundo o relatório da justiça britânica divulgado nesta quinta-feira, 21, que afirmou que o presidente russo Vladimir Putin provavelmente aprovou o assassinato do ex-espião Alexander Litvinenko, “as agências de segurança russas tinham acesso ao polônio, e experiência em seu uso”.

“É uma substância muito rara”, afirma o relatório do juiz Robert Owen. “Também vi provas de que o isótopo é difícil de produzir e perigoso de manipular. Além disso, embora o polônio 210 seja produzido e vendido comercialmente, está disponível apenas em quantidades minúsculas enviadas em contêineres selados”.

Minério de urânio Pechblenda, de onde se obtém o Polônio

Minério de urânio Pechblenda, de onde se obtém o Polônio (Foto: Reprodução)

“Uma remessa de polônio 210 que continha muitas vezes a quantidade ingerida por Litvinenko foi vendida em 2006 por US$ 20mil “, prossegue o relatório.

O polônio é utilizado normalmente como fonte de raios alfa para a pesquisa e a medicina, mas também, entre outras coisas, como fonte de calor nos veículos espaciais.

É um semimetal cinza prateado, de massa atômica 210 (símbolo 210Po), o número 84 na tabela periódica dos elementos de Mendeleev, que se sublima (passa diretamente do estado sólido ao gasoso) com rapidez, a partir dos 50 graus centígrados.

Sua vida média (prazo no qual perde a metade de sua atividade) é de 138 dias. Solúvel, muito tóxico em doses ínfimas por inalação ou ingestão, o polônio está presente na fumaça dos cigarros. Sozinho pode provocar câncer por inalação nos animais de laboratório.

O polônio foi o primeiro elemento descoberto, em 1898, pela física francesa de origem polonesa Marie Sklodowska-Curie, em colaboração com seu marido, Pierre Curie. Em homenagem ao seu país natal, deu a este elemento o nome de Polonio.

Marie Curie realizava, após a descoberta de “raios urânicos” por Antoine Becquerel, pesquisas sobre a radioatividade de pechblenda procedente das minas de prata de Boêmia. A pechblenda, que contém essencialmente polônio, é um óxido de urânio utilizado há vários séculos como aglutinador nos vernizes para cerâmicas.

No entanto, em 10 gramas de urânio há, no máximo, um bilionésimo de grão de polônio (0,000000001 g), o mais raro dos elementos naturais. / AFP