Prédio que pegou fogo havia sido reformado, mas moradores relatavam preocupações com segurança
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Prédio que pegou fogo havia sido reformado, mas moradores relatavam preocupações com segurança

Residentes comunicaram aos administradores que estavam preocupados com a ‘situação dos aquecedores, das rotas de fuga e com a iluminação das saídas de incêndio’, mas ‘não quiseram investigar’

Redação Internacional

14 de junho de 2017 | 11h29

A Grenfell Tower, que foi atingida por um incêndio de grandes proporções na madrugada desta quarta-feira, 14, foi construída em 1974 na área norte de Kensignton, perto do famoso bairro de Notting Hill, e conta com 120 apartamentos.

A administração do prédio – liderada pela organização Kensington and Chelsea Tenant Management (KCTMO) – realizou uma ampla reforma recentemente, que incluiu um novo sistema de calefação e de água quente, revestimento exterior isolado e janelas de vidros duplos.

Membro do conselho de moradores do Greenfell Towers disse que houve

Membro do conselho de moradores do Grenfell Towers disse que houve “um abaixo-assinado e 90% das pessoas pediram uma análise à organização que administra o prédio, mas a prefeitura rejeitou” (Foto: AP Photo/Matt Dunham)

Além disso, foram criadas novas instalações para inquilinos, um berçário e um clube de boxe amador. Nove casas novas foram construídas a partir de espaços não utilizados. O custo da obra, concluída em maio de 2016, foi de 8,6 milhões de libras (R$ 360 milhões).

A empresa responsável pela reforma do prédio garantiu que o edifício “cumpria com todas as normas” de segurança. “A Rydon concluiu as obras de melhoria do edifício no meio de 2016 para a organização Kensington and Chelsea Tenant Management em nome da prefeitura, de acordo com todos os regulamentos de controle de construção e de incêndios e das normas de segurança”, afirmou em um comunicado.

A companhia, que fez os trabalhos de revestimento da parte externa do edifício e a instalação das novas janelas, expressou comoção pelo “devastador incêndio” e se ofereceu para colaborar com as autoridades que examinam as causas do acidente.

Riscos

David Collins, um dos integrantes do conselho de moradores do prédio, disse à rede BBC que os residentes haviam comunicado aos administradores e à prefeitura preocupação com a segurança. Ele contou que os moradores estavam preocupados, por exemplo, com “a situação dos aquecedores, das rotas de fuga e com a iluminação das saídas de incêndio”.

“Falei com os vereadores e não quiseram investigar. Fizemos um abaixo-assinado e 90% dos moradores pediram uma análise à organização que administra o prédio, mas a prefeitura rejeitou”, disse ele.

Mais cedo, o Grenfell Action Group, que fiscaliza edifícios com unidades habitacionais populares e serviços públicos do bairro de Kensington e Chelsea, postou uma mensagem em seu blog dizendo que também havia alertado as autoridades, mas que suas “advertências caíram em ouvidos surdos”.

“Os leitores regulares do blog saberão que nos últimos anos fizemos diversas advertências sobre as pobres normas de segurança contra incêndios na Grenfell Tower. Falamos que uma catástrofe como esta seria inevitável e que era só questão de tempo”, apontou a organização.

O Grenfell Action Group acredita que a KCTMO evitou por pouco um desastre ainda maior no local em 2013, quando moradores viveram um período terrível de sobretensão, quando a tensão da energia elétrica fica maior do que o normal. Descobriu-se posteriormente que ela foi causada por problemas na fiação.

No blog, há relatos de que, em 2015, um incêndio atingiu outra propriedade da KCTMO, o 14.º andar da Adair Tower, também ao norte de Kensington. O acidente causou pânico entre os moradores e diversas pessoas foram levadas para hospitais por terem inalado a fumaça. / com AFP e EFE

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