Presépios em espaços públicos causam polêmica na França
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Presépios em espaços públicos causam polêmica na França

Parte da população apoia montagem alegando que instalações são tradição, mas parte acredita que instalações ferem legislação

Redação Internacional

19 de dezembro de 2014 | 15h57

Foto: Giampiero Sposito/Reuters

Foto: Giampiero Sposito/Reuters

PARIS – A montagem de presépios em lugares públicos tem causado protestos na França, que, apesar da tradição católica, tem condição de Estado laico e, portanto, prevê a ausência de manifestações religiosas na constituição.

Na semana passada, um tribunal determinou a retirada de um presépio da sede do Conselho geral do departamento de Vendée. Mas, ao mesmo tempo, foi liberado o resultado de uma pesquisa revelando que 71% dos franceses são favoráveis a essas representações em locais públicos.

Autoridades de Vandée contam com a apelação da decisão no Supremo porque consideram que a instalação “não desrespeita o princípio de laicismo”, mas corresponde a uma “tradição popular francesa milenar”.

O porta-voz da igreja católica francesa, Bernard Podvin, declarou que os presépios, mais do que uma representação religiosa, têm um “aspecto afetivo” para a população.

O artigo 28 da lei de 1905, que separa igreja e Estado, é taxativo. “Fica proibido exibir qualquer sinal ou emblema religioso em monumentos ou locais públicos, com exceção dos que servem ao culto, como terrenos de sepultura, cemitérios, memoriais, museus e exposições”.

O caso se repete em muitas outras cidades, de todas as vertentes políticas, que por um lado recebem apoio para manterem os presépios e por outro, críticas e protestos de cidadãos que são contra esse tipo de manifestação religiosa em locais públicos.

Diante do conflito, ações extremistas começam a acontecer, como a queima de um presépio em um pequeno povoado ao leste da França e manifestações contra a prefeitura de Béziers, no sul do país.

O prefeito da região, Robert Ménard, ex-diretor geral da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), aumentou a polêmica ao colocar um presépio em frente à prefeitura e se recusar a retirá-lo diante dos pedidos de um grupo de moradores, que alegou que a manifestação feria a lei de 1905.

Exibindo seu presépio orgulhosamente para a imprensa, o prefeito ironizou: “Jesus e Nossa Senhora chegaram a um acordo sobre esquerda e direita. Mas, ao contrário do que aconteceu há 2 mil anos, dessa vez não serão expulsos”.

O primeiro-ministro, Manuel Valls, e a porta-voz da conservadora UMP, Nathalie Kosciusko-Morizet, primeiro partido da oposição, reagiram de forma prudente e se limitaram a pedir para que não haja mais controvérsias.

Para abranger mais religiões, o prefeito promoveu a celebração de uma festa judaica, o Hanuká, também na prefeitura. Mas sua atitude foi interpretada como um atentado ao laicismo. /EFE

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