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Protestos no mundo islâmico – dia a dia

João Coscelli

14 de fevereiro de 2011 | 21h17

Após a queda de ditadores na Tunísia e no Egito, outros países do mundo islâmico passaram ver protestos e enfrentamentos em suas ruas. Acompanhe no Radar Global o que aconteceu de mais importante em cada uma das nações em que ocorrem revoltas populares:     

Veja também o infográfico sobre  a  revolta que abalou o Oriente Médio e a galeria de imagens dos protestos.      

10 de março, quinta-feira 

Líbia – Rebeldes líbios se retiram de Ras Lanuf, estratégica cidade petroleira, após ataque das tropas de Kadafi. Os ataques começaram de manhã com forte bombardeio aéreo de posições a oeste e sul da cidade. Saif Kadafi, filho do ditador diz que a Líbia ainda prepara uma ‘grande ofensiva’ contra os rebeldes e promete resistir às pressões dos EUA e da Otan. 

No cenário internacional, a Otan anuncia um reposicionamento de sua frota no Mediterrâneo e alerta para risco de divisão na Líbia. França e Reino Unido, por sua vez, pressionam Kadafi a renunciar e acabar com violência. 

ONU condena prisão e violência contra jornalistas estrangeiros na Líbia. Andrei Netto, enviado especial do Estado à Líbia, é libertado após oito dias preso. “Senti o vento soprando no meu rosto pela 1ª vez em 8 dias”. 

Iêmen – O presidente Ali Abdullah Saleh apresenta um novo plano para reformar a Constituição do país. A oposição, porém, rejeita a proposta e promete manter os protestos até que o presidente renuncie. 

Arábia Saudita – A polícia abre fogo contra manifestantes para repelir protestos e fere uma pessoa. Governo havia advertido que não toleraria marchas no reino. 

Egito e Tunísia – A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton anuncia que visitará os dois países na próxima semana. 

9 de março, quarta-feira 

Líbia – O Estado perde contato com repórter Andrei Netto na Líbia. Fontes indicam que o enviado especial ao país pode ter sido preso na região de Zawiya por forças leais a Kadafi. 

Kadafi envia emissários a Egito, Portugal e Grécia. Segundo informações não confirmadas, um representante de Trípoli também teria ido a Bruxelas. O conteúdo das reuniões na Europa e Egito não foi divulgado. 

Rebeldes reocupam parte da cidade de Bin Jawad após uma sangrenta batalha. Em compensação, as forças leais ao regime, apoiadas por tanques, retomaram Zawiya, até então a posição mais próxima da capital controlada pelos rebeldes. 

Marrocos – O rei Mohamed VI anuncia a convocação de um referendo sobre reformas constitucionais no país. Segundo ele, os principais pontos da reforma serão o fortalecimento do cargo de primeiro-ministro e a transformação da Justiça em um órgão independente. Uma comissão será encarregada de estudar a reforma. 

Egito – Conflito religioso deixa 13 mortos

8 de março, terça-feira 

Líbia – Tanto rebeldes quanto o governo de Kadafi negam a existência de um canal de diálogo aberto nos bastidores para negociar uma saída política para a crise. No fim de semana, circularam boatos de que autoridades do regime estariam oferecendo a opositores a saída de Kadafi, desde que ele não fosse julgado pelos supostos crimes que cometeu. 

As tropas do ditador, enquanto isso, obtêm vantagem sobre os rebeldes nos principais fronts. Com armamento bem superior, as forças especiais do regime barram as investidas de desertores e civis da oposição contra a cidade de Bin Jawad, no leste, e consolidam controle sobre o porto de Zawiya, no oeste. 

7 de março, segunda-feira 

Líbia – Em meio a pressões para agir na crise da Líbia, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirma que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) passou a analisar uma opção militar para conter as ações de Kadafi contra os opositores, até mesmo o envio de armas aos rebeldes. Em Bruxelas, líderes diplomáticos da organização acrescentaram que a aliança não poderá se manter passiva se o líder líbio continuar atacando a população. 

Combatentes rebeldes são expulsos de Bin Jawad e perdem território para as forças de Kadafi, que ampliam ofensiva contra os fronts insurgentes. 

6 de março, domingo 

Líbia – Forças leais a Kadafi e combatentes rebeldes enfrentam-se em uma intensa batalha pelo controle da cidade de Bin Jawad, no leste do país. Os confrontos são um marco da ofensiva de Kadafi para tentar deter o avanço rebelde em direção a Trípoli. 

Além do confronto em Bin Jawad, o governo tenta retomar cidades sob o controle da oposição. Combatentes respondem aos amplos ataques das forças do ditador e asseguram que mantêm o controle de Misrata, Ras Lanuf, Tobruk e Zawiya. 

5 de março, sábado 

Líbia – Em sua maior ofensiva desde o início dos conflitos, Kadafi ordena ataques que deixam pelo menos cem mortos em Al-Rajma, 30 km a leste de Benghazi, a principal cidade controlada pelos rebeldes. 

Os rebeldes, por sua vez, criam um órgão de coordenação política, o “Conselho Nacional Líbio”, e se autonomeiam “únicos representantes” legítimos do país. A entidade designou um comitê dirigente de três integrantes, que cuidará de assuntos militares e diplomáticos. As forças insurgentes do Exército se reagrupam e se deslocam em direção ao oeste, onde fica a capital, Trípoli. 

4 de março, sexta-feira  

Líbia – Forças de Kadafi contra-atacam redutos rebeldes e matam dezenas de civis e opositores. As cidades de Zawiyah, Brega e Misrata sofrem ataques – parta da primeira é retomada pelo ditador, que perde Ras Lanouf. Em Trípoli, além de combates entre os insurgentes e as forças armadas, jornalistas são impedidos de deixar hotel 

A Interpol (Polícia Internacional) emite um alerta laranja contra Kadafi e outros 15 líbios próximos do ditador (alguns deles parentes). O argumento do órgão é de que todos estariam envolvidos no planejamento de ataques contra civis.  

Por conta da crise no país, o barril do petróleo em Nova York vai a US$ 104. A ONU afirma que estrangeiros poder estar retidos na Líbia devido à queda do total de pessoas que passou pela fronteira coma Tunísia. 

Iêmen – Coalizão de oposição diz que o presidente Ali Abdullah Saleh rejeitou a proposta de diálogo que previa sua renúncia ainda neste ano. Os opositores dizem que Saleh segue com os planos de deixar o poder somente em 2013, quando o mandato terminar.  

Em nova manifestação, quatro pessoas morrem. Os opositores denunciam um ataque armado do Exército contra os manifestantes.  

Bahrein – Manifestantes cercam sede de televisão na capital após confrontos.  

Tunísia – Novo primeiro-ministro promete anunciar novo gabinete em dois dias.  

Jordânia – Manifestantes participam de marcha para pedir reformas políticas.  

EgitoO novo primeiro-ministro vai a uma manifestação na Praça Tahrir para ganhar legitimidade entre os manifestantes. Ele é cumprimentado pelos opositores que lotaram o local, principal palco dos protestos que derrubaram Hosni Mubarak.  

Mais tarde, a junta militar que governa o país provisoriamente confirma que o referendo sobre a reforma da Constituição ocorrerá no dia 19 de março.  

3 de março, quinta-feira  

Líbia – Kadafi volta a atacar Marsa El-Brega, cidade a oeste de Benghazi de grande importância para a indústria do gás e do petróleo, mas novamente os rebeldes vencem as batalhas. Insurgentes também rejeitam o diálogo com o ditador, cujo filho negou que os bombardeios tinham o objetivo de eliminar os opositores.  

Quanto às pressões internacionais, o presidente dos EUA, Barack Obama, pede pessoalmente a saída do coronel e afirma que Washington enviará equipes de ajuda humanitária à Líbia. França e Reino Unido, por sua vez, ameaçam com a imposição de uma zona de exclusão aérea.  

Do outro lado, Hugo Chávez propõe um plano de mediação para a crise na Líbia, o que foi aceito por Kadafi, segundo a Al-Jazira. O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é cogitado como possível mediador.  

Iêmen – Coalizão de grupos da oposição propõe plano para acabar com a crise política no país. A proposta envolve a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh até o final deste ano.  

Tunísia – Governo interino anuncia a realização de eleições legislativas em 24 de julho. Gestão permanecerá no poder até o pleito e afirma que representantes eleitos vão elaborar Constituição.  

BahreinOposição xiita entrega demandas ao governo. Manifestantes pedem monarquia constitucional e dissolução da gestão sunita do rei al-Khalifa.  

EgitoPrimeiro-ministro, Ahmed Shafik, renuncia. Ele era visto por manifestantes como um símbolo do regime do presidente deposto Hosni Mubarak. O premiê será substituído por Essam Sharaf, um ex-ministro dos Transportes que participou das manifestações na Praça Tahrir.  

2 de março, quarta-feira  

Forças de Kadafi reagem e enfrentam Exército rebelde em cidade petrolífera do leste, mas ofensiva é repelida, segundo repórter do Estado. Na televisão, o ditador diz em tom ameaçador que qualquer intervenção estrangeira no país “fará milhares de mortos”.  

Quanto ao número de fatalidades, novo balanço de uma ONG líbia, que afirma que violência no país já deixou 6 mil mortos, sendo a metade destes em Trípoli. A ONU, por sua vez, eleva para 180 mil o total de pessoas que fugiram da Líbia por conta da violência.  

Hillary Clinton volta a se pronunciar sobre a crise na Líbia e diz que os EUA temem que Líbia se transforme ‘numa grande Somália’, em referência à guerra civil. E enquanto o Tribunal Internacional anuncia que começará as investigações sobre crimes de guerra cometidos na repressão aos protestos, Kadafi convida o Brasil para ser observador da situação no país.  

Tunísia – Partido islâmico Ennahda, após 20 anos na ilegalidade, anuncia que pode integrar governo interino e anuncia participação nas eleições de julho.  

Iêmen – Oposição propõe ao presidente Ali Abdullah Saleh plano de transição.  

1º de março, terça-feira  

Líbia – Protestos chegam ao 15º dia. Kadafi desloca militares para fronteira com a Tunísia e tenta retomar cidades estratégicas, principalmente perto de Trípoli. Aumenta a pressão mundial sobre o ditador.  

Hillary Clinton diz que os EUA estudam processar Kadafi por atentado de Lockerbie. Ex-ministros do ditador disseram anteriormente que ele ordenou pessoalmente o ataque que matou 270 pessoas na Escócia. Seguindo o reposicionamento militar anunciado na segunda, Washington envia navio para costa da Líbia.  

Saif al-Islam Kadafi, filho do coronel, volta a negar ataques contra civis e suposto plano de fuga. Ele pede que sejam apresentadas evidências de que o governo é responsável pelos massacres. Os números, porém, parecem desmenti-lo: ONU diz que violência na Líbia já fez mais de 140 mil refugiados  

Líbia é suspensa do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Órgão demonstra séria preocupação com a situação no país africano.  

 Egito – Militares definem cronograma para transição democrática, com referendo sobre emendas à Constituição marcado para o dia 11 de março e possibilidade da realização de eleições em junho.  

Irã – Opositores que protestavam contra a prisão de dois líderes dissidentes entram em choque com forças de segurança em Teerã. Governo nega ter detido Mehdi Karroubi e Mir Hossein Mousavi.  

Tunísia – Governo sofre novas baixas e agrava pressão por renovação de gabinete no país.  

Bahrein – Jornal diz que Arábia Saudita envia tanques ao Bahrein. Autoridades bahreinitas, porém, negam presença de blindados no país.  

Iêmen – Milhares de manifestantes novamente vão às ruas e protestam contra o governo.  

28 de fevereiro, segunda-feira  

Líbia – País entra no 14º dia de protestos. Enquanto os rebeldes se preparam para enfrentar as forças do ditador em Trípoli e tentam fechar o cerco, militares leais a Kadafi seguem bombardeando e retomando cidades.  

Do exterior, cresce a pressão. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirma que “Kadafi deve sair agora, sem violência“. O Tribunal Penal Internacional da ONU começa a investigar crimes de guerra cometidos no país africano.  

Os EUA, como parte das sanções assinadas por Barack Obama na sexta, bloqueiam US$ 30 bilhões em ativos líbios no país. A União Europeia, que também já havia concordado em tomar medidas semelhantes na sexta, impôs restrições ao ditador e familiares próximos.  

O ditador falou pela primeira vez à imprensa ocidental. Em entrevista ao canal americano ABC, Kadafi insistiu que tem o apoio do povo, mas afirmou que “o Ocidente o abandonou”. As declarações do coronel, porém, não tocaram as autoridades americanas – na maior demonstração de que uma ação militar não foi descartada das opções de Washington, o Pentágono reposicionou o contingente militar ao redor da Líbia e o aproximou de Trípoli.  

Bahrein – Manifestantes bloqueiam Parlamento.  

Egito – Autoridades proíbem o ex-presidente Hosni Mubarak de deixar o país e congelaram seus bens e de sua família.  

Iêmen – Presidente anuncia intenção de formar governo de união. Saleh propôs a participação de setores da oposição no novo Executivo e a manutenção de membros do seu partido nos principais ministérios.  

Omã – Manifestantes realizam terceiro dia de protestos no país após duas mortes no final de semana. Supermercado é incendiado e polícia tem de agir para dispersar grupo que queria colocar fogo em hospital.  

27 de fevereiro, domingo  

Omã – Polícia disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha em manifestantes que atiravam pedras na cidade industrial de Sohar. Duas pessoas foram mortas. Os manifestantes iniciaram marchas para exigir reformas políticas após instabilidade se espalhar pelos países árabes.  

Líbia – Após o Conselho de Segurança da ONU aprovar sanções contra o regime líbio, Kadafi afirma que o órgão não pode se intrometer nos assuntos de seu país, onde a situação está “tranquila”, segundo o coronel. Apesar das declarações do ditador, a ONU afirma que a violência no Oriente Médio e no norte da África – o que inclui a Líbia – já deixou 100 mil refugiados.  

O último grupo de brasileiros no país africano – 148 funcionários da empreiteira Queiroz Galvão e seus familiares – deixam a Líbia em direção à Grécia.  

26 de fevereiro, sábado  

Iêmen – Centenas de milhares de pessoas foram às ruas das principais cidades do país para exigir a renúncia imediata do presidente Ali Abdullah Saleh e a adoção de reformas democráticas. As manifestações ganharam força ao mesmo tempo em que duas autoridades tribais estratégicas para a sustentação do governo de Sanaa anunciaram ter passado para o lado dos opositores.  

LíbiaLevantes em bairros pobres e na periferia de Trípoli isolam Kadafi. A capital é uma das poucas cidades que permanecem, ao menos parcialmente, nas mãos do ditador. O coronel, por sua vez, afirmou que “já há sinais de guerra civil no país“.  

Cresce a pressão internacional sobre o ditador. O presidente dos EUA, Barack Obama, diz que “é hora de Kadafi deixar o poder“. O Conselho de Segurança da ONU, por sua vez, aprovou sanções contra o regime líbio.  

25 de fevereiro, sexta-feira   

Líbia – Novos enfrentamentos entre os rebeldes e os apoiadores de Kadafi, desta vez em Trípoli. A oposição controla áreas cada vez mais próximas da capital líbia. Base Aérea se une aos manifestantes.   

Sob ameaça de sanções, Kadafi vai à Praça Verde e discursa para seus partidários. O ditador desafia potências ocidentais e pede que seus apoiadores “defendam o país e o petróleo”.   

Os EUA anunciam sanções contra a Líbia, mas não especificam quais medidas serão tomadas. União Europeia também concorda em sanções a Kadafi e promete ajuda humanitária aos líbios. O Conselho de Direitos Humanos pede investigações sobre os possíveis crimes de guerra cometidos nos massacres.   

O embaixador-adjunto da Líbia na ONU pede que colegas abandonem Kadafi e representem “o povo”. Depois, o embaixador titular pede fim da violência a Kadafi e a delegação diplomática se emociona.   

ONU diz que ‘é hora de agir’ para frear massacre na Líbia e diz que estuda sanções através de seu Conselho de Segurança. A votação, marcada para o sábado, deve impor medidas restritivas como embargos, restrições de viagens e ações econômicas contra Kadafi.   

Saif al-Islam Kadafi, um dos filhos do ditador, diz que quer negociar tréguas com manifestantes até o sábado e admite que o país precisa de reformas. Ele, porém, avisa que os rebeldes que se renderem ficarão ilesos.   

Tunísia – Após protesto, governo anuncia eleições.Jordânia – Jordanianos protestam em Amã e exigem reformas políticasBahrein – Imã diz que negociação com governo deve ter garantias.Iêmen – Oposição intensifica protestos.   

Egito – Manifestantes egípcios protestam e comemoram na Praça Tahir.   

24 de fevereiro, quinta-feira    

Líbia – Kadafi falou novamente e responsabilizou a Al-Qaeda e  Osama bin Laden  pelos protestos em seu país, afirmando que o terrorista droga a juventude. As manifestações continuam e os opositores tomam o controle de mais cidades próximas a Trípoli. Rebeldes também tomam conta de terminais petrolíferos.    

A violência no país causa o êxodo de 30 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Imigração. Os brasileiros começam a deixar o país, e o embaixador da Líbia no Brasil afirma que não deixará de apoiar Kadafi. A Suíça congela os bens do ditador.    

O Conselho de Segurança da ONU, que já havia condenado a violência no país na terça, planeja reunião para o dia seguinte. Os EUA, por sua vez, preparam respostas para a situação na Líbia. Obama conversou com líderes europeus para discutir como lidar com a violência no país africano.    

Argélia – Governo suspende estado de emergência vigente há 19 anos.    

Iêmen – Presidente pede proteção aos manifestantes e anuncia criação de comitês de diálogo com a oposição.    

Bahrein – Governo se diz ‘disposto ao diálogo’, segundo chanceler    

23 de fevereiro, quarta-feira    

Líbia – Manifestantes fecham o cerco contra Kadafi e tomam o controle de várias cidades do leste do país, algumas delas perto de Trípoli. Em resposta, o coronel segue com a repressão por meio de mercenários. Os bombardeios dos dias anteriores diminuem, e mais pilotos se negam a atacar e fogem do país.     

Governos estrangeiros começam a se mobilizar para tirar seus cidadãos da Líbia. Segundo uma ONG, os mortos já chegam a 640. Entre eles poderiam estar militares que se recusaram a atacar os manifestantes e foram executados pelo governo.    

O presidente dos EUA, Barack Obama, quebrou o silêncio e elevou o tom contra Kadafi. Sem citar o coronel, o americano deplorou o “derramamento de sangue desnecessário” e afirmou que seu país prepara uma série de opções para lidar com a situação na Líbia.    

Egito – Sob pressão, novo gabinete se reúne pela primeira vez para discutir a formação de um comitê para tratar de questões de diálogo nacional    

Arábia Saudita e Bahrein – Reis dos dois países discutem revoltas no mundo árabe. O rei Hamad bin Isa al-Khalifa foi pedir conselhos para o saudita Abdullah, que retornou a seu país após fazer tratamento médico no exterior. A Arábia Saudita anunciou um pacote de valor estimado em US$ 37 bilhões em benefícios para a população em uma aparente medida para evitar que a onda de protestos na região chegue à nação.    

IêmenSobe para 13 número de mortos em protestos populares. Manifestantes voltam a tomar ruas da capital para pedir a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh.    

22 de fevereiro, terça-feira    

Líbia – Kadafi vai à televisão pela segunda vez em menos de um dia e diz que não vai deixar o país e que morrerá como um mártir. No discurso, ele ainda ameaça os manifestantes, a quem chama de “drogados e terroristas.    

O ministro do Interior da Líbia, Abdul Fatah Younis, o segundo no comando da Líbia e general do Exército, renunciou ao cargo e pediu que os militares se unam ao povo e suas “demandas legítimas”. Posteriormente, ele disse que a vitória da população sobre o ditador é “uma questão de dias, até mesmo horas”.    

O Conselho de Segurança da ONU, reunido em caráter de urgência, condenou o uso de violência por parte do governo. Hillary Clinton voltou a pedir o fim da repressão.    

Bahrein – Protesto por ‘mártires’ reúne 100 mil na Praça das Pérolas.    

Egito – Militares nomeiam novo gabinete com membros da oposição    

Argélia – Governo aprova suspensão do estado de emergência, vigente há 19 anos.    

21 defevereiro, segunda-feira     

Líbia – Dia de completo caos na Líbia. Após um final de semana violento, a população, enfurecida, novamente lotou as ruas. A repressão do governo foi desproporcional – aviões e helicópteros bombardearam as áreas onde ocorriam os protestos. Dois coronéis se recusaram a realizar os ataques e fugiram para Malta.     

Embaixadores da Líbia em todo o mundo e o membros do gabinete renunciaram. Um diplomata líbio na ONU acusou Kadafi de cometer genocídio. Hillary Clinton pediu o fim do banho de sangue no país.      

Durante a madrugada, Kadafi foi à televisão. Em menos de um minuto, ele rebateu ‘rumores maliciosos’ e confirmou que não está na Venezuela ou na França, mas em Trípoli.     

Iêmen – Saleh anuncia só sai do poder se for derrotado nas urnas. Parlamentares da oposição se unem aos protestos. Número de mortos chega a 11.     

Bahrein – As autoridades do país confirmaram que o Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1, marcado para o dia 13 de março, foi cancelado. De acordo com o príncipe Salman bin Isa Al-Khalifa, o momento no país não é propício para a realização de eventos esportivos.     

Marrocos – Autoridades encontram cinco corpos dentro de agência bancária incendiada no domingo.     

  20 de fevereiro, domingo     

Líbia – Forças de segurança da Líbia voltam a abrir fogo em funeral, agravando condições de segurança e aumentando repressão a manifestações. Protestos se espalham. Saif Kadafi vai à televisão e alerta para o risco de guerra civil, mas afirma que o governo ‘lutará até a última bala’.     

Iraque – Homens incendeiam prédio de emissora de TV no Iraque     

BahreinOposição aceita negociar, mas com cautela.    

MarrocosMilhares vão às ruas por mudanças.    

19 de fevereiro, sábado     

Bahrein – Príncipe do Bahrein ordena retirada de militares das ruas. Governo oferece diálogo, mas xiitas rejeitam e retomam a Praça das Pérolas.     

Líbia – Situação começa a se agravar na Líbia. Forças de segurança atacam manifestantes.     

ArgéliaPolícia impede marcha de manifestantes.    

IêmenManifestante contrário ao governo é morto.    

Tunísia – Manifestantes lotam centro de Túnis após semanas de calma.     

18 de fevereiro, sexta-feira     

O presidente dos EUA, Barack Obama, condenou a violência usada pelas forças de segurança do Bahrein, da Líbia e do Iêmen contra os protestos e pediu moderação. A ONU também se pronunciou.     

Líbia – Confrontos entre opositores e simpatizantes do governo deixaram ao menos 35 mortos, segundo fontes médicas. A ONG Anistia Internacional afirmou que nos últimos três dias de protestos, 46 pessoas morreram. As atividades do Congresso foram suspensas e uma reunião marcada para março, no Iraque, da Liga Árabe, atualmente presidida pela Líbia, foi cancelada.     

Bahrein – Em novo dia de repressão aos protetos, ao menos uma pessoa morreu e mais de 60 ficaram feridas, segundo fontes médicas. Em meio à violência dos militares, o rei  Hamad bin Isa Al Khalifa pediu ao príncipe Salman bin Hamad al-Khalifa que lidere o diálogo ‘entre as partes’ no reino.     

Iêmen – Os protestos no país do sul do Oriente Médio entraram no oitavo dia consecutivo. Somente na sexta, foram cinco mortos e dezenas de feridos, elevando a 11 o total de óbitos desde o início da semana. Os choques ocorreram em Áden e Taiz.     

17 de fevereiro, quinta-feira     

 Iêmen – A repressão aos protestos no país deixou quatro mortos e 60 feridos. Houve protestos na capital Sanaa e na cidade portuária de Áden, no sul.     

Líbia – Relatos da oposição indicam que ao menos 20 pessoas morreram, mas não há confirmação. Prtoestos foram relatados em ao menos cinco cidades, e houve confrontos entre os manifestantes e as forças policiais e partidários de Kadafi. Um grupo pediu uma trégua no fim do dia.     

Bahrein – O Exército e a polícia forçaram a desocupação da Praça das Pérolas, no centro de Manama. A ação violenta das forças de segurança deixou quatro mortos e 231 feridos. Os miltiares afirmaram que têm o controle de pontos-chave da cidade e que não vão tolerar mais manifestações. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu “moderação” às autoridades do país. O chanceler bahreinita disse que a repressão aos protestos visou “tirar o país da beira do abismo sectário”.     

Irã – Sites ligados aos grupos oposicionistas iranianos publicaram convocações de manifestações pelo país para o próximo domingo.     

16 de fevereiro, quarta-feira     

Jordânia – Grupos de ativistas vão às ruas exigir reformas políticas e a substituição do novo governo. Não houve repressão às marchas pacíficas, que ocorreram em Amã e Irbid.      

IrãSimpatizantes do governo e opositores entraram em confronto durante o funeral de um jovem morto nos enfrentamentos da segunda-feira. Depois do conflito, os apoiadores do regime de Mahmoud Ahmadinejad convocaram uma manifestação para a sexta-feira, na qual demonstrarão ‘ódio sobre os dissidentes’.     

Líbia– Após viver manifestações menores, o país viu uma grande manifestação devido à prisão de um ativista de direitos humanos. Houve confronto com a polícia e ao menos 38 pessoas ficaram feridas.     

Iêmen – País entrou no 8º dia seguido de protestos. Foi confirmada a primeira morte ocasionada pelas manifestações. Há versões que dão conta de dois mortos e quase 20 feridos. Houve enfrentamento entre os manifestantes e a polícia.     

Bahrein – Os manifestantes, que tomaram uma das principais praças da capital após duas pessoas morrerem nos protestos contra o governo, disseram que não deixarão centro de Manama até que seuas exigências sejam atendidas. O líder de um partido da oposição afirma que a revolta é do povo bareinita e que governos estrangeiros, como o Irã, não devem interferir nos protestos.     

Argélia – Governo prometeu encerrar o estado de exceção vigente no país há 19 anos até o fim do mês. A medida já havia sido anunciada anteriormente, mas as autoridades não haviam dado prazo. Também serão anunciadas medidas do governo para os setores da governança, dos empregos e da habitação. Estudantes foram ao Ministério da Educação protestar. Não houve repressão.     

15 de fevereiro, terça-feira     

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que “os líderes do Oriente Médio devem reconhecer que o povo quer mudanças”, elogiou a disposição da cúpula militar que está no poder no Egito em promover reformas democráticas e criticou a repressão às marchas da oposição no Irã.     

Iêmen – País viveu novo dia de protestos contra o governo do presidente Ali Abdullah Saleh. Um parlamentar envolvidos nas marchas ficou ferido. Opositores e simpáticos ao governo se enfrentaram nas ruas da capital.     

Irã – Foi confirmada a morte de um segundo manifestante desde que os protestos tiveram início, na segunda-feira. Parlamentar pediram a execução de Mehdi Karroubi e Mirhossein Mousavi, líderes da oposição no país. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que ‘os protestos fracassarão’.     

Bahrein‘Nem sunitas, nem xiitas, somos todos bareinitas’, gritaram os manifestantes que tomaram a principal praça de Manama após ser confirmada a morte de um manifestante, elevando a dois o número de vítima dos protestos. Os militares dispersaram cerca de 10 mil pessoas que se concentraram no local.     

14 de fevereiro, segunda-feira     

Iêmen – Manifestantes foram às ruas para pedir a deposição do presidente Ali Abdullah Saleh, que prometeu deixar o poder só em 2013. “O povo quer o fim do regime”, era um dos slogans dos protestos. Houve conflitos entre opositores e simpáticos ao governo.     

Bahrein – Ao menos uma pessoa morreu e mais de 20 ficaram feridas nos confrontos ocorridos na capital do país, Manama, e em aldeias próximas. A maioria xiita do país saiu para protestar contra o governo monarca sunita. A polícia respondeu com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Helicópteros sobrevoaram a capital e havia grande presença das forças de segurança nas ruas.     

Argélia – O governo indicou que vai encerrar o estado de emergência em vigor há 19 anos, mas o ministro de Relações Exteriores descartou a possibilidade que o governo do presidente Abdelaziz Bouteflika seja derrubado. “A Argélia não é a Tunísia ou o Egito”. Centenas de jovens realizaram protestos, e a polícia reprimiu.     

Irã – Opositores voltaram às ruas após as marchas pós-eleitorais de junho de 2009. Houve forte repressão policial apesar do caráter pacífico das passeatas. Dezenas foram presos, incluindo o cônsul da Espanha, libertado quatro horas depois. Uma pessoa morreu, segundo uma agência de notícias local.     

Cisjordânia – O primeiro-ministro Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, dissolveu o gabinete. No domingo, foi confirmada a convocação de eleições presidenciais e legislativas para setembro.

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