Quando embaixadas deixam de ser santuários para se tornarem locais de terror
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Quando embaixadas deixam de ser santuários para se tornarem locais de terror

Embaixadas, consulados e missões diplomáticas pelo mundo são comumente considerados santuários. No entanto, não são raras as vezes em que acabam se tornando palco de incidentes horríveis

Redação Internacional

15 de outubro de 2018 | 20h44

Embaixadas, consulados e missões diplomáticas pelo mundo são comumente considerados santuários. No entanto, não são raras as vezes em que acabam se tornando palco de incidentes horríveis. Quando o jornalista Jamal Khashoggi sumiu após entrar no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, no dia 2, logo autoridades turcas e a imprensa alegaram que ele havia sido morto e teve seu corpo retirado do local do assassinato. O mistério macabro traz à lembrança outras ocasiões em que missões diplomáticas foram tomadas pelo terror, seja por ataques ou sequestros. Relembre alguns casos:

Benghazi (Líbia)

Extremistas líbios do grupo Ansar al-Shariah atacaram o consulado dos EUA na cidade de Benghazi em 11 de setembro de 2012. A ação terminou com a morte do embaixador Chris Stevens. No ano passado, um tribunal em Washington condenou o militante líbio Ahmed Abu Khattala de múltiplas acusações de terrorismo por seu papel no ataque.

Foto: Embaixada dos EUA em Trípoli/NYT

 

Jacarta (Indonésia)

Militantes muçulmanos detonaram um carro-bomba do lado de fora da Embaixada da Austrália em Jacarta, em 4 de setembro de 2004, matando oito pessoas.

 

Bangcoc (Tailândia)

Um grupo obscuro de militantes birmaneses cercaram a Embaixada de Mianmar em Bangcoc em 7 de outubro de 1999. Eles fizeram 38 reféns e pediam democracia em seu país também conhecido como Birmânia. A Tailândia permitiu que eles se deslocassem até a fronteira, enfurecendo Mianmar, mas evitando um banho de sangue.

 

Belgrado (Sérvia)

Em 8 de maio de 1999, forças da Otan lideradas pelos EUA bombardearam por engano a Embaixada da China em Belgrado, matando três repórteres chineses. Em retaliação, a China atacou a missão dos EUA.

 

Quênia e Tanzânia

A Al-Qaeda lançou ataques com caminhões-bomba quase simultâneos contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, matando 224 pessoas, entre quenianos e americanos. O autor dos ataques, Fazul Abdullah Mohammed, foi morto em um posto de checagem em Mogadíscio, capital da Somália, um mês depois de Osama bin Laden ser morto por membros da Navy SEALs americana em maio de 2011, no Paquistão.

 

Islamabad (Paquistão)

Um homem-bomba detonou seus explosivos na Embaixada do Egito em Islamabad em 19 de novembro de 1995, matando 15 pessoas, incluindo o segundo secretário da embaixada. Egito condenou à morte seu cidadão Ayman al-Zawahri por seu o mentor do ataque. Al-Zawahri sucedeu Bin Laden como chefe da Al-Qaeda.

 

Lima (Peru)

Rebeldes do grupo Tupac Amaru cercaram a residência do embaixador do Japão em Lima, Peru, em 17 de dezembro de 1996, durante uma celebração pelo aniversário do imperador Akihito, fazendo diplomatas, convidados e membros do governo de reféns. Eles pediu a soltura de camaradas presos. Os 72 reféns foram mantidos por 126 dias no local, até que tropas do governo entraram na representação. Um refém, dois soldados e todos os rebeldes foram mortos.

 

Buenos Aires (Argentina)

Uma bomba destruiu a embaixada israelense em Buenos Aires em 18 de março de 1992, matando 29 pessoas, incluindo quatro israelenses. Dois anos depois, um centro comunitário judaico na cidade foi bombardeado, matando 85 pessoas – o mais mortífero bombardeio na Argentina. Israel e Argentina há muito acusam o Irã de estar por trás dos atentados. O Irã nega.

 

Beirute (Líbano)

Um homem-bomba atacou em 18 de abril de 1983 a Embaixada dos EUA em Beirute, matando 63 pessoas, incluindo 17 americanos. A maioria das vítimas era de funcionários da embaixada e da CIA, mas também vários soldados americanos. Foi o ataque mais mortífero contra uma missão diplomática americana, um grupo chamado Guerra Santa Islâmica assumiu a autoria.

 

Teerã (Irã)

Militantes ocuparam a Embaixada dos EUA em Teerã em 4 de novembro de 1979 pedindo a volta do xá Reza Pahlav para ser julgado no país. Sem acordo, mantiveram 52 reféns americanos por 444 dias, mas ninguém morreu.

Foto: adst.org

 

Estocolmo (Suécia)

Anarquistas alemães da Facção Exército Vermelho atacaram a Embaixada da Alemanha Ocidental em Estocolmo em 24 de abril de 1975, pedindo a soltura de camaradas presos. Eles mantiveram 12 funcionários da embaixada como reféns, incluindo o embaixador Dietrich Stoecher. Durante o impasse com a polícia sueca, os agressores mataram dois funcionários da embaixada antes de acidentalmente explodir uma parte do edifício.

 

Cartum (Sudão)

O grupo terrorista palestino Setembro Negro atacou a Embaixada da Arábia Saudita em Cartum, capitão do Sudão, em 1º de março de 1973 e fez dez diplomatas de reféns. Após o presidente Richard Nixon se recusar a negociar com os militantes, três reféns ocidentais foram mortos, incluindo o encarregado de negócios George Curtis Moore.

 

Bangcoc (Tailândia)

De novo, o grupo Setembro Negro tomou a Embaixada de Israel em Bangcoc em 28 de dezembro de 1972 e fez seis funcionários israelenses reféns. Os sequestradores concordaram em negociar e deixar o local em troca de salvo-conduto para o Egito.

 

Estocolmo (Suécia)

Dois separatistas croatas atacaram a Embaixada da Iugoslávia em Estocolmo em 7 de abril de 1971, onde acabaram matando o embaixador Vladimir Rolovic. Os militantes foram presos mais tarde e condenados na Suécia. Um deles, Miro Baresic, foi solto em 1972 como parte de uma demanda de sequestradores de um voo doméstico na Suécia. Ele foi mais tarde extraditado do Paraguai para a Suécia e cumpriu o restante de sua sentença. / AP