‘Quanto mais o tempo passa, mais exemplar ela se torna’, diz Maria de Medeiros sobre a Revolução dos Cravos
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‘Quanto mais o tempo passa, mais exemplar ela se torna’, diz Maria de Medeiros sobre a Revolução dos Cravos

Redação Internacional

25 de abril de 2014 | 12h55

Movimento que faz 40 anos hoje foi tema do filme dirigido pela atriz portuguesa

Flavia Guerra

Desde que a atriz portuguesa Maria de Medeiros estreou como diretora de cinema, com o longa Capitães de Abril, ela se tornou referência quando o assunto é a Revolução dos Cravos. Hoje, quase 15 anos depois, e quando Portugal comemora hoje 40 anos da mais pacíficas das revoluções, Maria está no Brasil a trabalho, mas relembra com carinho de seu filme e do legado deixado pelos capitães de abril.

Peça terá sessão gratuita no domingo, 27, no Memorial da América Latina (Foto: Divulgação)

“Quanto mais o tempo passa, mais exemplar ela se torna. Quando vemos todos os conflitos e guerras e devastação que ocorrem em nome da criação da democracia, vejo que os portugueses mostraram ao mundo como se instaura uma democracia priorizando absolutamente os seres humanos. Isso é básico, intrínseco à democracia. Esta revolução tão pacífica e original, única, 40 anos depois continua a ser mais do que nunca um exemplo a ser seguido quando se quer realmente instaurar a democracia”, declarou a atriz e diretora, que está no País para a temporada de seu show Pássaros Eternos e apresenta em São Paulo nesta semana a peça Aos Nossos Filhos, no VII Festibero – Festival Ibero-americano de Teatro de São Paulo.

Maria disse ao Estado sentir que a onda de violência e do crescimento de teorias muito perigosas, discriminatórias . “A democracia tem sempre que estar muito alerta. É nestas horas que o legado da Revolução tem de ser levado em conta. Temos sempre de ter a perspectiva de que o mais importante é o ser humano, que não pode ser sacrificado em nome de uma ideia, de uma estratégia”, declarou a diretora, que em Capitães de Abril retrata a noite de 24 de abril de 1974, quando o rádio tocava uma canção proibida, Grândola. A canção era o sinal aguardada pelo militares que mudaram o destino de Portugal. Ao som da voz do poeta José Afonso, as tropas marcharam por Lisboa. Em vez de clima de guerra, o movimento aconteceu em meio a poesia, lirismo. Em vez de tiros, flores foram trocadas.

Para a atriz, o simbolismo da Revolução dos Cravos ainda é muito forte em seu país. “Portugal está em uma fase de crise econômica e psicológica, de desânimo muito grande. E neste momento, em que é preciso uma mudança, a Revolução serve para que lembremos de uma época em que realmente conseguimos mudar uma situação”, declarou ela. “É muito complicado mudar a situação agora, pois estamos dentro da maquinaria europeia. Há todo um contexto envolvido”, analisou Maria.

Aos Nossos Filhos é dirigida por João das Neves e tem no elenco Maria de Medeiros e Laura Castro, que também assina o texto. A peça tem sessão gratuita neste domingo, 27, às 20 horas, no Memorial da América Latina.

Serviço:
Aos Nossos Filhos
VII Festibero – Festival Ibero-americano de Teatro de São Paulo.
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, portão 1, Barra Funda, zona oeste, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3823-4600. Estac. (R$ 10, portões 4 e 15). Grátis

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