Raqqa, a ‘ex-capital’ dos jihadistas do Estado Islâmico na Síria
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Raqqa, a ‘ex-capital’ dos jihadistas do Estado Islâmico na Síria

As Forças Democráticas Sírias (FDS) anunciaram nesta terça-feira o controle total da região, após vários meses de combates; saiba mais sobre essa localidade

Redação Internacional

17 Outubro 2017 | 11h16

BEIRUTE – Raqqa, região ao norte da Síria, foi a primeira grande cidade do país a cair nas mãos dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI). Posteriormente, se converteu em sua “capital”.

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Depois de entrar na cidade no início de junho, as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de combatentes árabes e curdos apoiada por forças especiais americanas, anunciaram nesta terça-feira, 17, o controle total da área, após vários meses de combates. Saiba mais sobre a cidade abaixo.

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Raqqa foi nos últimos dois anos um alvo constante dos ataques aéreos do governo sírio, da Rússia e da coalizão internacional anti-extremista liderada pelos EUA (Foto: REUTERS/Erik De Castro)

Raqqa foi nos últimos dois anos um alvo constante dos ataques aéreos do governo sírio, da Rússia e da coalizão internacional anti-extremista liderada pelos EUA (Foto: REUTERS/Erik De Castro)

Ex-capital abássida

Raqqa viveu o seu apogeu durante o Califado dos Abássidas. Em 772 d.C., o califa Al-Mansur ordenou a construção, seguindo o modelo de Bagdá, de uma cidade-guarnição, Al-Rafiqa, junto à antiga Raqqa. Mais tarde, as duas localidades se uniram. De 796 a 809, o poderoso califa Harun al-Rashid decidiu transferir a capital dos abássidas, que era em Bagdá, para Raqqa, no cruzamento das estradas entre Bizâncio, Damasco e Mesopotâmia. Inaugurou grandes obras e encheu a cidade de palácios, mansões e mesquitas. Em 1258, a cidade foi devastada pela invasão dos mongóis.

Às margens do Eufrates

De maioria sunita, Raqqa está estrategicamente situada no Vale do Eufrates: perto da fronteira com a Turquia, a 160 km de Alepo e a menos de 200 km da fronteira iraquiana. A construção de uma represa perto da cidade de Tabqa, a oeste, permitiu que Raqqa desempenhasse um papel importante na economia graças à agricultura.

Nas mãos dos rebeldes

Raqqa se tornou em março de 2013 a primeira capital provincial síria a cair nas mãos de grupos rebeldes opostos ao governo de Bashar Assad. Os insurgentes capturaram seu governador e se apoderaram da sede da inteligência militar, um dos piores centros de detenção na província, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Reduto do EI

No início de 2014, a organização que em junho daquele ano passou a se chamar Estado Islâmico, expulsou os rebeldes da cidade e tomou o seu controle. Em junho de 2014, o EI proclamou um califado nos territórios conquistados entre Síria e Iraque. Em agosto do mesmo ano, o EI controlou completamente a Província de Raqqa. Rapidamente, o grupo extremista sunita impôs sua lei mediante o terror. A partir de junho de 2015 começou a perder cidades – Tal Abyad e Ain Isa – para combatentes curdos.

Execuções e sequestros

O EI multiplicou as atrocidades: decapitações, execuções em massa, estupros, sequestros e limpeza étnica. O grupo apedrejou mulheres suspeitas de adultério e infligiu mortes violentas aos homossexuais. Algumas de suas ações foram gravadas em vídeos convertidos em armas de propaganda.

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Batalha de Raqqa

Raqqa foi nos últimos dois anos um alvo constante dos ataques aéreos do governo sírio, da Rússia e da coalizão internacional anti-extremista liderada pelos EUA. No dia 5 de novembro de 2016, as FDS, formadas por combatentes curdos e árabes, lançaram uma grande ofensiva chamada “Fúria do Eufrates” para reconquistar Raqqa. As FDS contaram com o apoio aéreo da coalizão internacional, e terrestre de conselheiros militares americanos. Em 10 de maio de 2017, as FDS conquistaram a cidade de Tabqa e sua represa. Em 6 de junho, entraram em Raqqa.

No dia 1.º de setembro, a aliança, que já havia expulsado os extremistas de mais de 60% da localidade, se apoderou da Cidade Velha. Pouco mais de duas semanas depois, o OSDH informou que as FDS controlavam 90% da cidade. A batalha “chegava ao fim”, segundo a aliança. Um dia depois, a ONG anunciou que o EI controlava poucos redutos. Em 17 de outubro, as FDS anunciaram a libertação da cidade, após a conquista das últimas posições jihadistas. / AFP

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