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Reforma da saúde dos EUA tem novo round

Robson Morelli

26 de dezembro de 2009 | 12h20

Reportagem de Gustavo Chacra

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda celebra a vitória com a passagem em primeira instância das propostas para a reforma do sistema de saúde na Câmara dos Deputados e no Senado. Agora, para conseguir superar definitivamente o maior desafio doméstico de seu governo, o chefe da Casa Branca terá de conciliar os projetos das duas Casas, que possuem uma série de pontos diferentes, sem perder votos.

No Senado, Obama conseguiu exatamente os 60 votos necessários. Foram 58 democratas e dois independentes. Se qualquer um destes parlamentares mudar de lado, a Casa Branca fracassará. Existe, claro, a possibilidade conseguir votos de republicanos. Mas até mesmo a senadora Olympia Snow, que para muitos se aliaria aos democratas na hora de votar, está cada vez mais distante de um acordo.

Assim, Obama e o líder do governo no Senado, Harry Reid, terão pouca margem de manobra. A legislação aprovada nesta semana rumou para a direita do partido. E dificilmente eles conseguirão torná-la mais liberal (esquerda, nos EUA) sem correr o risco de perder o apoio do senador democrata (mas de viés conservador) Ben Nelson, e do independente Joe Lieberman, que deixou claro que não votará a favor de uma lei com a inclusão de uma opção pública de seguro de saúde.

Na Câmara, a vitória do governo foi por 220 a 215 em votação realizada em novembro. Diferentemente do Senado, uma aprovação por maioria simples basta. O problema é que os democratas já perderam votos de alguns deputados mais conservadores do partido, denominados “blue dogs” (cães azuis). Um deles, na semana passada, se mudou para o Partido Republicano e existe o temor de que outros sigam o mesmo caminho.

Além disso, há o risco de perder os votos também dos deputados mais liberais – ou à esquerda – do Partido Democrata que se mostram insatisfeitos com as concessões de Obama no Senado, como a não inclusão da opção pública. Inclusive a líder do governo na Câmara, Nancy Pelosi, demonstrou insatisfação com alguns pontos aprovados pelos senadores. Se perder votos de deputados liberais e de alguns blue dogs, Obama será derrotado na Câmara.

Alguns analistas insistem que, independentemente da definição final da legislação, Obama será o vencedor em caso de aprovação porque, durante a sua campanha e o seu primeiro mandato, sempre deixou claro que não pretendia impor a sua reforma, diferentemente de Bill Clinton em 1993. O ex-presidente, na época, apresentou o seu projeto para uma votação “sim” ou “não” no Congresso e perdeu. Para Obama, o mais importante era uma reforma que incluísse a posição de todos.

Neste ponto, o presidente passou a receber duras críticas dos republicanos. Segundo os opositores, Obama frisava que a nova lei seria bipartidária. O senador republicano John McCain, candidato derrotado à Presidência, disse que ninguém de seu partido foi convidado para as negociações e, por isso, votaram contra. E a legislação se tornou apenas dos democratas, sem levar em conta os republicanos. A Casa Branca se defende, e diz que os republicanos se posicionaram contra durante todo o tempo. “O objetivo deles era derrotar a legislação”, disse o diretor de comunicações do governo, Dan Pfeiffer. Os dois lados sabem que o resultado final pode ser crucial nas eleições parlamentares de 2010.

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