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Rei da Espanha desperta fúria por viagem de caça à África em meio a crise econômica

Redação Internacional

17 de abril de 2012 | 16h42

Por Gabriel Toueg e Bruna Ribeiro, do estadão.com.br

SÃO PAULO – Enquanto a Espanha oscila à beira de um colapso econômico, o rei do país, Juan Carlos, despertou fúria depois de uma viagem de caça para a África, que só foi descoberta porque ele tropeçou e fraturou o quadril. Por conta do acidente, Juan Carlos precisou ser levado às pressas de volta à capital espanhola, Madri, onde foi submetido a uma cirurgia de emergência.

Em resposta à viagem fora de hora, a imprensa espanhola e estrangeira atacou o estilo de vida do monarca, de 74 anos. Vários jornais estamparam imagens de viagens anteriores de Juan Carlos à África, em missões parecidas. Em uma das fotos, o rei aparece armado, ao lado de um elefante que teria sido abatido por ele. A imagem seria de uma viagem de 2006.

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“Foi uma viagem irresponsável, feita no pior momento possível”, escreveu o jornal espanhol El Mundo. “A imagem de um monarca caçando elefantes na África, em um momento em que a crise econômica em nosso país cria tantos problemas para o povo espanhol, é um exemplo muito ruim”, completou.

O mesmo El Mundo publicou uma entrevista com um especialista em organização de expedições de caça no continente africano. Na matéria, ele afirma que uma viagem desse tipo pode custar até 30 mil euros (mais de R$ 73 mil). A expedição a Botsuana, que, segundo o especialista, não é um dos países mais baratos na África, teria custado US$ 26 mil (cerca de R$ 48 mil), enquanto espanhóis comuns lutam para sobreviver.

A respeitada revista Time também criticou a viagem real. A correspondente da revista em Madri, Lisa Abend, comenta a importância histórica da monarquia no país, mas afirma: “Se os espanhóis de repente começaram a se imaginar sem um rei, não é por qualquer razão histórica. É por causa de elefantes“. A Time também publicou a imagem de Juan Carlos ao lado do animal abatido.

A dívida da Espanha causada por empréstimos contraídos nos mercados internacionais aumentou fortemente, gerando preocupações de que o país poderia seguir os passos de Grécia, Irlanda e Portugal, necessitando um plano de resgate financeiro da zona do Euro. O desemprego na Espanha entre os jovens é superior a 50% e o país enfrenta cortes de gastos sem precedentes em meio a um recorde de 4,75 milhões de pessoas sem trabalho.

Além de comentários irritados na internet e a repercussão na imprensa, a imagem do elefante abatido provocou o pedido de mais transparência das finanças da família real. Em 2006, houve relatos de que o rei teria matado um urso, durante uma viagem de caça à Rússia. A queda do rei em Botsuana acontece poucos dias depois de o neto de 13 anos dele, Felipe Juan Froilan, ter dado um tiro no pé acidentalmente com uma espingarda durante uma prática de tiro ao alvo.

Manifestação. Um grupo de pessoas protestou nesta terça diante do hospital no qual Juan Carlos está internado, em Madri. Com cartazes, eles pedem o fim da morte de animais e denunciam as “vítimas reais da caça”.

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Irritações à parte, os mais sarcásticos não perderam tempo. O jornal britânico Sun reproduziu, hoje, uma foto do rei retratado como o personagem Rambo, dos filmes de ação. Na imagem, o monarca aparece com um lança-foguetes em mãos, enquanto animais parecem se esconder no fundo.

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