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Relato de um argentino que testemunhou quatro piquetes e dois saques no último dia 20 em Rosário

Fernanda Simas

23 de dezembro de 2012 | 12h38

Por Daniel Omar Perez*

Cruzava de carro a cidade de Rosário, na Argentina, mais ou menos às 14h15,  dia 20 de dezembro, para cumprimentar amigos por conta das festas  de Natal e  Ano Novo. Depois de um grande temporal que tinha deixado várias zonas alagadas e sem energia, o sol já estava forte e o céu claro. Ao chegar à avenida de Circunvalación o trânsito começou a se complicar até que parou completamente.

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Quatro pessoas haviam bloqueado a circulação com pneus velhos, galhos e madeiras velhas. Saí imediatamente da avenida por uma rua na contramão e quando cheguei na esquina dei de cara com cinco motos da polícia de trânsito que ignoraram completamente minha contravenção. Estavam menos preocupados comigo que com o caos que estava causando o bloqueio naquela região da cidade. Cheguei a entrar numa favela, mas lá estava tudo tranquilo, havia gente concertando carros outras tomando cerveja.

Retornei à avenida algumas quadras adiante, mas me deparei com a mesma situação, outro bloqueio, dessa vez com seis ou sete pessoas que pararam o trânsito usando o mesmo procedimento: pneus velhos, alguns ferros, galhos e madeiras velhas e deitadas no chão. A polícia isolou um perímetro de 100 metros em torno do piquete.  Vários carros tentaram sair da fila que não andava em busca outras alternativas, porém mas a frente havia mais um piquete. Desisti de continuar por essa avenida e busquei outros caminhos e novamente parei em um bloqueio. E dessa vez um pouco mais violento.

No Boulevar Oroño 4000 já havia umas 15 pessoas, seis ou sete delas atacaram um ônibus e um caminhão com pedras e paus, quando esses aparentemente tentaram  furar o piquete. A polícia chegou,  isolou a área e os atos de violência cessaram.

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No resto da cidade a vida corria normalmente, alguns estavam preocupados com as consequências das chuvas do dia anterior, outros compravam presentes, ou comemoravam em bares e restaurantes a chegada das festas. Durante a noite vi como dois grupos de umas 10 pessoas tentavam roubar as lojas do bairro e chamavam outras pessoas para entrarem no lugar depois de arrombado. Passada a meia noite voltei a casa depois de visitar meus amigos, já não tinha piquetes, apenas ficava a marca no chão dos pneus queimados. No dia seguinte o sol voltou a aparecer, a temperatura estava mais alta e as pessoas continuavam se preparando para encerrar os trabalhos e esperar em família a celebração das festas.

* Daniel Omar Perez, é filósofo, mora no Brasil e é natural de Rosário, onde passa férias. 

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