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Resgate na Tailândia é roteiro pronto para filmar, dizem especialistas

Não é todo o dia que a história de uma grande aventura, recheado de drama, desafios e com um final  feliz pode ser contada

Redação Internacional

17 Julho 2018 | 05h00

Renata Tranches

Nem bem os meninos haviam deixado a caverna Tham Luang Nang Non, na Tailândia, já havia produtores de cinema se engalfinhando pelo direito de levar a história que comoveu o mundo para as telas do cinema. O motivo: não é todo o dia que um roteiro de uma grande aventura, recheado de drama, desafios e com um final  feliz pode ser contado.

 

Histórias verdadeiras sempre oferecem mais apelo emocional, mesmo que seu final já seja conhecido, explicou o professor Neil Landau, da Escola de Teatro, Filme e Televisão da Universidade da Califórnia. Roteirista de produções como Melrose Place e Undressed, Landau afirma, em entrevista ao Estado, que o público se inspira em histórias centradas em temas de coragem, esperança, fé e trabalho em equipe – ingredientes que o resgate na Tailândia mostrou ter de sobra. “No mundo de hoje, precisamos de histórias sobre esperança e o poder do espírito humano de resistir.”

O produtor americano Michael Scott, CEO da produtora de filmes cristãos Pure Flix, voou para a porta da caverna antes mesmo de o resgate ter sido concluído e afirmou que rodaria a história dos meninos em um filme de perspectiva “inspiradora” e não religiosa, como é perfil de sua empresa. No dia seguinte, outro americano, mas de origem chinesa, Jon M. Chu, reivindicou o direito de a história ser contada por asiáticos, como ele e os meninos, e Hollywood não deveria se apropriar dela.

 

A disputa é natural, considerando-se que o interesse de uma futura produção deverá ser global, uma vez que públicos de todo o lugar do mundo acompanharam o drama diariamente. “Qualquer filme deseja ter essa ‘publicidade gratuita’”, afirma ao Estado outro professor da mesma escola na Universidade da Califórnia Jonathan Kuntz. “Além disso, a estrutura da história – uma aventura que termina com um dramático resgate – é natural para ser  filmada.”

Os produtores, porém, enfrentarão desafios. O principal deles, segundo Landau, será legal, uma vez que os produtores terão de assegurar os direitos permanentes da história e honrar o espírito desses personagens, considerando suas idades. “Há uma responsabilidade ainda maior de retratá-los (meninos) de uma maneira positiva, o que também exige ter licença dramática suficiente (em alguns casos) para maximizar o drama e o suspense”, explica.

O tempo também será um desafio, continua o professor e roteirista, já que os futuros produtores terão de escolher o que mostrar e o que deixar de fora para contar a aventura em tempo de filme e não no tempo real dos acontecimentos.

Desafios que, segundo os especialistas, valem ser superados. Landau cita como exemplo o filme Impossível, que conta a história de uma família de férias também na Tailândia quando acontece o tsunami de proporções devastadoras. Pai, mãe e três filhos  se separam e alguns se ferem, mas conseguem sobreviver e se reencontrar no final.

“Há suspense, é cinematográfica e nos traz empatia sob circunstâncias terríveis. Com potencial de tragédia e escuridão, esse tipo de história nos traz luz”, afirma Landau.

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