Rússia mostra faceta mais simpática de Leonid Brejnev
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Rússia mostra faceta mais simpática de Leonid Brejnev

Exposição em Moscou homenageia líder da União Soviética entre 1964 e 1982, mas não entra em temas delicados, como a repressão política da época

Redação Internacional

19 de fevereiro de 2016 | 14h44

Mostrando sua faceta mais amável, uma exposição oficial presta homenagem em Moscou a Leonid Brejnev, líder soviético entre 1964 e 1982, conhecido no Ocidente pela invasão da Tchecoslováquia e pela perseguição de dissidentes como Alexander Solzhenitsyn e Andrei Sakharov.

“O objetivo é apresentar Brejnev da forma mais objetiva possível e mostrar como era de verdade sua época na União Soviética”, afirma o curador da exposição Mikhail Prozumenchikov.

Exposição em homenagem a Leonid Brezhnev, em Moscou

Exposição em homenagem a Leonid Brejnev, em Moscou (Foto: AFP PHOTO / ALEXANDER NEMENOV)

A exposição, organizada com motivo do 109º aniversário de nascimento de Brejnev, oferece uma imagem muito positiva de quem dirigiu a União Soviética durante boa parte da Guerra Fria. Nela, destaca-se o lado simpático do falecido dirigente, com fotos de caças e de bailes.

“Era um homem alegre, que gostava da dança, das mulheres e de beber cerveja com os amigos”, comenta Prozumenchikov a um grupo de visitantes.

Repressão. A repressão política da época aparece de forma muito elíptica. Em uma vitrine aparecem, por exemplo, dois decretos assinados por Brejnev: um que priva o dissidente e prêmio Nobel da Paz Andrei Sakharov de seus prêmios, e outro que retira a nacionalidade do jogador de xadrez Viktor Korchnoi.

Contudo, nada é dito sobre o fato de que Sakharov foi então detido, enviado ao exílio e isolado do mundo durante anos.

Tampouco é relatado que durante os 18 anos de poder de Brejnev vários opositores morreram no Gulag, que o escritor e prêmio Nobel de Literatura Alexander Solzhenitsyn foi expulso e a prática do internamento psiquiátrico para os dissidentes conheceu um desenvolvimento sem precedentes.

“Não se pode contar tudo, precisaríamos de muito mais espaço”, responde o curador da exposição.
Igualmente não aparece nada sobre a vida cinza dos soviéticos nos tempos de Brejnev, quando faltavam produtos de necessidades básicas e as lojas estavam meio vazias.

Jarro de porcelana com o retrato de Leonid Brezhnev é um dos artigos da exposição, em Moscou

Jarro de porcelana com o retrato de Brejnev é um dos artigos da exposição, em Moscou (Foto: AFP PHOTO / ALEXANDER NEMENOV)

Culto à personalidade. Alguns objetos recordam o culto à personalidade que se desenvolveu progressivamente em torno do dirigente: um enorme jarro de porcelana com seu retrato, uma estátua de bronze, quadros nos quais está de uniforme de comissário político ou passeando por um bosque.

“O culto de Brejnev foi criado por seu entorno, não por ele”, afirma Prozumenchikov. O gosto desmedido de Brejnev pelas condecorações é mencionado de forma muito discreta e são expostas apenas algumas medalhas.

O número um soviético gostava de aparecer e ser retratado com uniforme, brilhando com quarenta distintivos, como a Ordem de Lenin e as medalhas de Herói da União Soviética.

A exposição consagrada a Brejnev não é atualmente a única que promove uma imagem positiva do passado soviético, uma tendência que foi reforçada nos últimos anos por iniciativa do Kremlin.

No início de fevereiro, foi aberta em Moscou uma grande exposição dedicada ao pintor Alexander Guerasimov, um dos criadores do realismo socialista e famoso por seus quadros que glorificavam Lenin e Stalin.

“Alexander Guerasimov era conhecido porque Stalin o apreciava muito”, destacou o ministro russo da Cultura, Vladimir Medinski, ao inaugurar esta exposição no Museu da História, na Praça Vermelha de Moscou. / AFP

Tudo o que sabemos sobre:

Leonid BrejnevMoscouRússiaURSS