Sorveteria que fabrica doce típico árabe tentar se manter na capital da Síria em meio à guerra
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Sorveteria que fabrica doce típico árabe tentar se manter na capital da Síria em meio à guerra

‘Buza’, um sorvete de creme e pistaches, é fabricado desde 1914 na Sorveteria Damasco; uma de suas características principais é a fase final de sua produção

Redação Internacional

21 de março de 2017 | 15h05

DAMASCO – A Sorveteria Damasco, onde é fabricado desde 1914 o “buza” – tradicional sorvete árabe de creme e pistaches -, seguiu mantendo sua tradição, apesar dos seis anos de guerra que chegaram a paralisar temporariamente suas atividades.

Apesar do frio do final do inverno, a sorveteria administrada por Nader al Afgani, filho de seu fundador, Taisir al Afgani, fica lotada de clientes, especialmente mulheres. Em Damasco, um grande número de homens com idades entre 20 e 40 anos fugiu para evitar o serviço militar, que, no país, é sinônimo de guerra.

Pessoas caminham na área de Abbasiyin, no leste da capital síria (Foto: SANA/Handout via REUTERS)

Pessoas caminham na área de Abbasiyin, no leste da capital síria (Foto: SANA/Handout via REUTERS)

“Somos os fundadores do ‘buza’ tradicional, com pistache e nata. Nós o melhoramos e o tornamos famoso no mundo árabe, como na Jordânia e no Líbano, na Europa e também em feiras em Dubai, Abu Dhabi e Kuwait”, contou Al Afgani, cuja sorveteria, no entanto, não é tão antiga e não conta com o renome da vizinha Bakdash, fundada em 1895.

O veterano sorveteiro, que não esconde sua veneração pelo presidente do país, Bashar Assad, ressalta que “todos os que viajam à Síria, seja do país que for, tem de visitar o mercado Al-Hamidiyah Souq (onde a sorveteria está localizada) e provar o sorvete original”.

O “buza”, a versão árabe do “dondurma” turco, é feito à base de leite, creme e “sahlab” (uma farinha fina), além de outros ingredientes, e com o pistache como item principal.

“Trazemos o leite de manhã e colocamos em recipientes onde são introduzidos os ingredientes como ‘sahlab’ e açúcar, e quando termina este processo, ele é colocado em geladeiras. Depois passamos para os congeladores, nos quais é batido até se transformar no ‘buza’ árabe”, explicou Al Afgani.

Uma das características mais particulares desse sorvete é a fase final de sua produção, com golpes rítmicos feitos com um enorme toco de madeira, a fim de dar consistência, criar uma camada e fazer com que os pistaches adiram bem ao corpo. Por fim, com a mão, o sorveteiro enrola as lâminas da massa e o “buza” fica pronto para ser cortado, servido e devorado pelos visitantes.

“Gosto do ‘buza’ sírio desde que era pequena. Sempre que venho a Damasco tenho que comê-lo porque estamos acostumados. Sou de Damasco, mas vivo na Arábia Saudita e sempre que estou de férias venho aqui”, disse Macun Ali al Araeishi.

Al Afgani deseja que seus filhos continuem com a tradição. Um deles, que cursa o quarto ano de Direito, o ajuda atendendo aos clientes. O outro está estudando na Malásia, mas voltará para contribuir para a prosperidade do negócio, que conta com outra loja no bairro de Al Qusur.

“Durante os dois primeiros anos da crise estivemos parados, mas as coisas voltaram a seu lugar e voltamos a ser como éramos. A Síria está bem e tomara que a segurança retorne ao país em breve graças ao presidente Bashar Hafez Assad”, declarou Al Afgani.

O “buza” custa apenas 400 libras sírias, um pouco menos de US$ 1. / EFE

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