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Mandela será enterrado em 15 de dezembro

Redação Internacional

06 de dezembro de 2013 | 11h15

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( Atualizada às 11h59) JOHANESBURGO  – O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou nesta sexta-feira, 6, que Nelson Mandela será enterrado no dia 15 de dezembro. Os funerais ocorrerão ao longo da semana, com uma série de cerimônias.  Zuma decretou o dia 8, domingo, um dia nacional de luto e orações. No dia 10,  haverá um memorial em um estádio de Johanesburgo. O velório irá dos dias 11 a 13.

Enlutados, os sul-africanos velam a morte de Mandela. Dos subúrbios brancos das grandes cidades às townships (favelas) de maioria negra, bandeiras a meio mastro, canções, orações e lágrimas deram o tom da despedida ao ícone da luta contra o apartheid.

O governo sul-africano ainda prepara os detalhes do funeral de Mandela, que deve levar de 10 a 12 dias. A tendência, segundo a presidência, deve ser a de um funeral aberto ao público, para que os sul-africanos possam se despedir do primeiro presidente democraticamente eleito do país.

Horas depois do anúncio da morte de Mandela, uma picape com um caixão envolto na bandeira sul-africana deixou a casa do herói antiapartheid em Johanesburgo. O corpo foi levado para um necrotério militar em Pretória.

Pela manhã centenas de pessoas já se reuniam em frente à residência de Madiba, como Mandela era carinhosamente chamado pelos sul-africanos. Pombas foram soltas e flores, colocadas em frente à entrada da casa. Canções tribais e o hino da África do Sul foram cantados. Líderes tribais Xhosa – a etnia de Mandela -, zulu, além de religiosos cristãos e judeus também homenagearam o ex-presidente.

“O que eu mais gostava em Mandela era seu perdão”, disse Ariel Sobel, um jovem de 20 anos, nascido no ano em que o ex-presidente foi eleito.

Em uma igreja da Cidade do Cabo, o arcebispo Desmond Tutu, outro ícone da luta contra o racismo, rezou uma missa. No sermão, disse que o desejo de Mandela era que os sul-africanos o homenageassem praticando seu legado.

“Todos nós de certa forma surpreendemos o mundo, que esperava um conflito racial”, disse Tutu. “Obrigado a Deus por ter nos dado Madiba.”

O ex-presidente Frederik De Klerk, que com Mandela recebeu o Nobel da Paz pelos esforços para pôr fim ao apartheid, disse que Madiba era “uma pessoa muito humana, bem humorada e interessada por todos a sua volta. Em um comunicado, De Klerk citou uma das frases mais famosas de Mandela sobre o apartheid: “Nunca, nunca mais, deve haver na África do Sul a opressão de uma pessoa por outra.”

No vilarejo natal de Mandela, na província do Cabo Oriental também houve homenagens, assim como em sua antiga casa em Soweto. “Tudo que posso fazer é agradecer a Deus por ter um avô que guiou nossa família”, disse a neta de Madiba, Mandla Mandela.
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Repercussão.  Primeiro presidente negro dos EUA, Barack Obama disse na quinta-feira, 5, que se inspirou nas palavras e nos escritos de Nelson Mandela e não pode imaginar sua própria vida sem considerar o exemplo dado pelo líder sul-africano.

“Minha primeira ação política, a primeira coisa que fiz que envolvia uma nação, uma política pública ou a política foi protestar contra o apartheid”, lembrou Obama em pronunciamento na Casa Branca sobre a morte do líder sul-africano. “Eu sou um dos incontáveis dos milhões que se inspiraram na vida de Nelson Mandela.”

Segundo ele, Mandela foi um dos mais “influentes, corajosos e profundamente bons seres humanos como qual qualquer um de nós poderá conviver nesta Terra”. A existência de outro líder como ele é improvável, falou Obama. Mas o seu exemplo deve continuar a guiar a todos, ponderou.

A presidente Dilma Rousseff divulgou nota de pesar lamentando o falecimento de Nelson Mandela, a quem chamou de “personalidade maior do século 20”. Segundo a presidente, Mandela “conduziu com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea – o fim do apartheid na África do Sul”. / AP, com Cláudia Trevisan, correspondente em Washington e Tânia Monteiro, de Brasília

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