Tensão étnica ameaça novo banho de sangue no Quênia
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Tensão étnica ameaça novo banho de sangue no Quênia

Luiz Moncau

25 de dezembro de 2009 | 07h00

Multidão enfrenta soldados em 2007. Foto: AP

Multidão enfrenta soldados em 2007. Foto: AP

Quase dois anos depois de uma onda de violência ter levado o Quênia à beira de uma guerra civil, e apesar do acordo de divisão de poder e agenda de reforma destinada a resgatar o país do colapso, a situação permanece perigosamente volátil nesta nação do leste da África. A tensão entre os dois grupos étnicos que geraram os confrontos com epicentro no Vale do Rift – os kikuyu e os kalenjin – permanece alta. E o país tem uma vizinhança mergulhada na anarquia – a Somália, a leste, em guerra com militantes islâmicos inspirados na Al-Qaeda; e o Sudão, a noroeste, caminhando para a guerra civil.

Mas é a política interna que causa mais preocupação. A coalizão de governo liderada pelo presidente Mwai Kibaki e o líder opositor (que virou primeiro-ministro) Raila Odinga continua embrenhada nas mesmas disputas político-tribais que levaram ao banho de sangue de dezembro de 2007, que deixaram mais de mil mortos.

O governo pouco avançou em direção a reformas, bloqueando qualquer processo judicial para julgar os responsáveis pelos massacres – nos quais a elite política queniana esteve envolvida.

Os piores choques étnicos ocorreram na região ocidental depois que Odinga acusou Kibaki (da etnia kikuyu) de ter fraudado a eleição presidencial de 2007. Na sequência, integrantes da etnia kalenjin (de Odinga) queimaram casas e fazendas e expulsaram os kikuyus do Vale do Rift. Em reação, os kikuyus organizaram ataques contra os partidários de Odinga usando lanças e pedaços de pau. O temor agora é que a violência recomece – e com uso de armas de fogo. (The Washington Post)

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