Ultradireitista alemão nada em lago e ativista rouba suas roupas; ‘nazis não merecem diversão’
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Ultradireitista alemão nada em lago e ativista rouba suas roupas; ‘nazis não merecem diversão’

Alexander Gauland, polêmico político do partido Alternativa para a Alemanha, foi escoltado seminu até sua casa depois do episódio; nas redes sociais, alemães se dividiram entre a gozação e a cautela em relação ao caso

Redação Internacional

07 Junho 2018 | 14h46

BERLIM – Um proeminente líder da extrema direita da Alemanha, que se refere ao período nazista como “cocô de pássaro” em relação aos mais de 1.000 anos da história do país, teve suas roupas roubadas enquanto nadava em um lago perto de sua casa, em uma tarde recente.

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O ladrão teria gritado algo como “nazistas não precisam de mergulhos de diversão”. Quando o político Alexander Gauland, co-líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD, em alemão), saiu da água o ladrão já tinha fugido e alguém tinha chamado a polícia.

Alexander Gauland, co-fundador do ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) foi alvo de pegadinha de ativista político (AP Photo/Michael Sohn)

Alexander Gauland, co-fundador do ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) foi alvo de pegadinha de ativista político (AP Photo/Michael Sohn)

O episódio desencadeou uma onda de gozação em razão do infortúnio de Gauland, mas também foi alvo de críticas nas redes sociais. Imagens do político encharcado e seminu sendo escoltado de volta para casa usando apenas um calção colorido de natação se espalharam rapidamente na internet e deram origem à hashtag #bathingfun (mergulho de diversão, em tradução livre).

“Meus pertences foram roubados enquanto eu estava na água e outras pessoas que também estavam nadando chamaram a polícia sem me perguntar antes”, relatou Gauland, de 77 anos, ao Märkische Allgemeine, jornal de sua cidade, Potsdam.

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Foi a segunda vez em menos de uma semana que o líder da extrema direita esteve nos noticiários da Alemanha. No fim de semana, ao falar para uma multidão em festa da ala jovem de seu partido no Estado de Turíngia, ele fez o insólito comentário sobre a era nazista que foi amplamente condenado por menosprezar o Holocausto.

Depois do episódio no lago, ocorrido na semana passada mas relatado apenas recentemente nas redes sociais, os internautas tiveram um dia agitado ao comentar o assunto. “1.000 anos de dignidade em uma imagem”, escreveu um usuário no Twitter. “Forma criativa de resistir à extrema direita na Alemanha”, disse outro.

Mas nem todos riram do episódio. “Todas essas pessoas que estão retuitando as fotos de Gauland em roupas de banho hoje e amanhã vão querer defender nossos direitos básicos e dignidade humana: por favor, pensem novamente”, tuitou Jochen Bittner, um comentarista de política e cultura europeia.

Outras pessoas alertaram que as imagens do líder político com pouca roupa, embora divertidas, não podem servir de distração para seus comentários revisionistas. “Não mostraremos a foto indigna de Gauland”, informou Ulf Poschardt, editor do diário Die Welt, principal jornal do império midiático alemão Axel Springer.

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Gauland, ex-membro da conservadora União democrata-cristã (CDU), partido da chanceler Angela Merkel, foi um dos fundadores da AfD e está acostumado a envolver-se em temas polêmicos. No ano passado, ele afirmou que alemães deveriam “ter orgulho” do que os soldados do país conquistaram durante a 1ª Guerra e a 2ª Guerra.

Em outro momento, ele brincou sobre deportar Aydan Özoguz, um político alemão de Hamburgo com origem turca, para Anatólia. Em 2016, ele ofendeu o jogador da seleção masculina de futebol do país Jérôme Boateng, que é negro. “As pessoas consideram Boateng um bom jogador, mas não o querem como seu vizinho”, disse Gauland.

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O polêmico líder da extrema direita, que nasceu na Alemanha Oriental e fugiu para a Alemanha Ocidental aos 18 anos, também já afirmou que “nem todo mundo que tem um passaporte alemão é (um cidadão) alemão”, ao se referir às pessoas com origem não alemã. Ele também já defendeu um veto a muçulmanos similar ao que o presidente dos EUA, Donald Trump, tentou implementar no país.

Em relação ao ladrão de suas roupas, Gauland disse que pretende dar queixa quando o culpado for localizado pelas autoridades. Ele também precisou trocar todas as chaves de sua casa já que suas chaves estavam na calça que foi roubada, de acordo com suas declarações ao Märkische Allgemeine, jornal do qual já foi editor.

A polícia do Estado de Brandemburgo, que ainda está investigando o caso, afirmou que o caso aparentemente “teve motivação política”. / NYT