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Usuárias dos véus na França veem liberdade na vestimenta

Robson Morelli

26 de janeiro de 2010 | 09h00

Reportagem de Andrei Netto, correspondente do Estado em Paris

Aos olhares indiscretos, de compaixão ou de recriminação, com os quais cruza nas ruas da periferia de Paris, Aliya – seu prenome é fictício -, responde com um sonoro “Bonjour!”. Convertida ao islã há uma década, a jovem mãe de 32 anos, olhos azuis e cabelos castanhos claros, optou por usar o véu integral, o niqab, há dois anos e meio. Desde então, experimenta no cotidiano a estranheza e a aversão dos europeus em relação à sua opção religiosa e cultural.

Em meio à polêmica que envolve a opinião pública e a imprensa na França, o silêncio e a discrição vêm sendo deixados de lado pelas jovens muçulmanas. Antes avessas ao contato com não membros de sua comunidade, as usuárias de burcas têm aceitado expor ao público a importância que os véus têm em suas vidas. “Eu penso sempre: não vou me esconder, nem agir como uma fugitiva. Eu não sou culpada por usar o símbolo do que eu sou, da minha crença”, explica Aliya, revelando ressentimento: “Sou contra essa lei. Mas o que eu considero mais humilhante são as pessoas falando em nossos nomes.

Em momento algum consideram que nós possamos ter decidido por nós mesmas. Preferem nos chamar de fantasmas.”  Faïza, 28, revela a mesma insatisfação com a legislação em análise na Assembleia Nacional. “Eu escolhi usar o niqab há um ano por convicção, seguindo as minhas buscas pessoais, a minha religião, a minha forma de agradar a Deus”, assegura.

A jovem diz nutrir um sentimento exatamente oposto à impressão que a sociedade francesa faz das mulheres muçulmanas.”Desde que eu uso o niqab, me sinto mais mulher e mais ser humano do que nunca”, conta. “Quando me olham nas ruas, eu não me sinto mais oprimida. Mantenho a cabeça erguida, porque o meu nicab é o meu pudor, e ele me preserva. O véu é a minha liberdade, meu bem-estar, assim como outros estilos são a liberdade de outras pessoas.”

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