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Vácuo de poder ameaça abrir crise na Nigéria

Luiz Moncau

21 de dezembro de 2009 | 08h00

Texto de Talita Erédia

A Nigéria, que em 1999 encerrou 40 anos de uma ditadura militar, vive uma espécie de vácuo de poder há três semanas, quando o presidente Umaru Yar’Adua foi hospitalizado na Arábia Saudita. Os recentes ataques contra instalações petrolíferas realizados pelo Movimento para Emancipação do Delta do Níger (Mend) – milícia formada por jovens que lutam, segundo eles,”para impedir o saque aos recursos naturais do país por estrangeiros” – quebrou um cessar-fogo de cinco meses, aprofundando os temores de que, sem comando, o país fique à beira de uma crise institucional.

O grupo afirma que promoveu um “ataque de alerta” contra um oleoduto porque o governo estaria usando a ausência do presidente para interromper as negociações de paz, parte do acordo pelo desarmamento após uma oferta de anistia feita pela presidência. Não há confirmações independentes de que o ataque foi promovido.

A região densamente povoada do Delta do Níger é cenário de conflitos por mais de 20 anos. Atentados do Mend realizados nos últimos três anos têm causado prejuízos para a maior indústria energética da África, impedindo a Nigéria de bombear mais de dois terços de sua capacidade petrolífera e impondo ao país prejuízos de cerca de US$ 1 bilhão por mês. O grupo afirma que atua em nome da população da região por uma melhor distribuição dos recursos obtidos com a venda do petróleo.

Yar’Adua, 58 anos, deixou o país para receber tratamento por uma inflamação no coração e não encarregou formalmente o vice-presidente Goodluck Jonathan de comandar o país. A Constituição determina que o presidente deve deixar uma carta formalizando que o vice está no poder. Não há sinais sobre quando o chefe de Estado poderá voltar, e até lá os nigerianos não sabem quem está no comando do país. Já existem até especulações de brigas internas no partido governista.

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