Venezuela investiga suspeita de canibalismo em prisão
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Venezuela investiga suspeita de canibalismo em prisão

Presos teriam matado dois detidos com a ajuda de um assassino conhecido por praticar o mesmo tipo de crime

Redação Internacional

17 de outubro de 2016 | 19h48

SAN CRISTÓBAL, VENEZUELA – As autoridades da Venezuela investigavam nesta segunda-feira, 17, acusações macabras segundo as quais dois presidiários foram assassinados, mutilados por um canibal confesso e depois servidos como alimentos a outros prisioneiros durante uma rebelião em um centro de detenção da polícia.

Parentes das duas vítimas, Anthony Correa e Juan Carlos Herrera, disseram que eles morreram no início de outubro ao fim de um tumulto e cerco de um mês de duração na cadeia superlotada de San Cristóbal, cidade do oeste do país.

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Reprodução da entrevista concedida por Vargas à antiga RCTV em 1999

“Eles esfaquearam meu filho, penduraram-no para sangrá-lo, depois chamaram esse homem para cortá-lo. Fizeram o mesmo com o outro jovem”, contou o pai de Herrera, também chamado Juan Carlos, a repórteres, dizendo se tratar de um relato que outros prisioneiros lhe descreveram.

Ao final do cerco, a mãe de Correa, Luz Sepulveda, disse ter notado que seu filho não estava nem na lista de detidos nem em um grupo que foi transportado para fora do local.

“Um promotor público saiu e disse que tinha de me contar algo doloroso: ‘Seu filho foi um dos que eles mataram e comeram’”, disse ela à agência Reuters em uma casa na qual está se escondendo devido ao temor de sofrer represálias por contar a história.

As duas famílias disseram que um assassino seria confesso, chamado Dorangel Vargas, conhecido pelos venezuelanos como “Comedor de Gente” em razão dos relatos de que canibalizou suas vítimas. A pedido de uma gangue da prisão, ele teria desmembrado os corpos de seus rivais. O governo confirmou duas mortes, mas não as circunstâncias, e também prendeu seis policiais acusados de ajudar os presidiários.

Um congressista da oposição, Franklyn Duarte, afirmou ter um vídeo que prova o canibalismo e irá entregá-lo às autoridades com outras provas.

A ministra das Prisões, Iris Varela, insinuou que as afirmações sobre canibalismo podem ser exageradas. “Os organismos de investigação criminal devem dizer o que aconteceu, com base em provas científicas”, disse ela.

Conhecido. Gómez foi detido em 1999 sob acusação de praticar canibalismo. O caso abalou os venezuelanos pelo suposto assassinato de pelo menos dez pessoas no Estado de Táchira. Ele já havia sido acusado pelo mesmo crime dois anos antes, mas a polícia não havia encontrado evidências. Em 1999, porém, a polícia encontrou vários membros humanos em sua casa. / REUTERS