Vida e carreira se fundem com história da África do Sul
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Vida e carreira se fundem com história da África do Sul

Redação Internacional

05 de dezembro de 2013 | 20h06

Passou 27 anos preso por lutar por direitos iguais para grupos étnicos; em 1994, chegou ao poder com discurso conciliador

JOHANNESBURGO – A África do Sul nasceu e cresceu com Nelson Mandela. As primeiras leis que restringem as propriedades de terras pelos negros são de 1913 e, em 1917, um ano antes de Mandela nascer, Jan Smuts, que seria eleito premiê em 1919, usa pela primeira vez a palavra “apartheid”.

A partir dos anos 40, explodiu a tensão entre a maioria negra e o governo branco e Johannesburgo, onde Mandela chegou em 1941, era o epicentro da batalha. Lá ele conheceu Walter Sisulu e Oliver Tambo. Os três faziam parte da Liga Jovem, que defendia greves e desobediência civil. O grupo se fundiu em 1949 com o Congresso Nacional Africano (CNA), partido negro que hoje governa o país.

A África do Sul polarizava-se rapidamente e as tensões eram latentes. O Partido Nacional, exclusivamente branco, havia vencido as eleições de 1948 e o ministro Hendrik Verwoerd começou a rascunhar sua política de “desenvolvimento separado” – apartheid, em africâner.

A divulgação da Carta da Liberdade, em 1955, no auge do extremismo racial, colocou Mandela na mira da polícia. O documento exigia a criação de uma África do Sul multirracial, com os mesmos direitos para todos os grupos étnicos, distribuição da riqueza e reforma agrária.

Mandela foi acusado de alta traição, juntamente com outras 156 pessoas que criaram a Carta. Após quatro anos e meio de julgamento, ele seria absolvido, mas não ficaria livre da perseguição policial: depois de trocar o pacifismo pela luta armada – após o Massacre de Sharpeville, em 1960 – foi condenado e ficou 27 anos preso.

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A libertação de Mandela não significou o fim do regime de segregação, mas em seu primeiro discurso deixou um recado: o apartheid não tinha futuro.

O presidente Frederik de Klerk, apesar das ações moderadas, não tinha intenção de entregar o poder e apostava que uma coalizão anti-CNA pudesse vencer as eleições. De Klerk colecionava elogios de Londres e Washington, aumentando o temor de que ele pudesse fechar um acordo político vantajoso dentro da África do Sul. Em reação, Mandela começou uma frenética volta ao mundo: visitou 49 países em 16 viagens. O resultado da disputa pela opinião pública veio quando ambos – Mandela e De Klerk – ganharam o Prêmio Nobel da Paz, em 1993.

O diálogo com De Klerk, porém, não avançou até que uma tragédia rompeu o impasse. Em abril de 1993, extremistas brancos assassinaram o ativista do CNA Chris Hani e a África do Sul esteve a ponto de implodir. Para acalmar a tensão, Mandela fez um de seus mais importantes discursos, conciliador e com um tom presidencial.

Para evitar violência, o governo cedeu e as negociações se aceleraram. As eleições foram marcadas para 27 de abril de 1994 e vencidas com facilidade pelo CNA, com 62% dos votos, contra 20% do Partido Nacional. O maior ícone da luta contra o apartheid chegava ao poder.

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